No Calor da Paixo
(Penny Jordan)
Ttulo Original: Bedding His Virgin Mistress
As Amantes do Jet Set - 01

PUBLICADO SOB ACORDO COM HARLEQUIN ENTERPRISES IIB .V.
Copyright (c) 2005 by Penny Jordan
Originalmente publicado por Mills & Boon London
Digitalizao: Polyana
Reviso: Cynthia M.

Resumo: Quando Ricardo Salvatore se interessou em comprar a empresa gerenciada por Carly, pensou em inclu-la na compra. Rejeitada quando criana, Carly nunca deixou
ningum se aproximar dela. Mas ela e Ricardo passam a se encontrar todos os dias e a atrao cresce cada vez mais. No calor da paixo, segredos so revelados e sentimentos
so descobertos.

       CAPITULO UM
       Carly olhou discretamente para a festa que estava produzindo como scia de uma empresa de organizao de eventos das mais prestigiadas e exclusivas do pas.
Perguntou-se quanto tempo levaria para acabar. A festa de quarenta anos de um banqueiro acontecia no clube noturno londrino CoralPink. No teria escolhido este local,
mas o cliente  quem manda nesse ramo de negcios.
       J havia percebido que a mulher do cliente se mostrava incomodada com a ateno que seu marido dava  dondoca a sua frente. Havia meia dzia de garrafas de
champanhe Cristal sobre a mesa. Outro homem paquerava uma moa que passava, e a convidou para se juntar a eles. A libido masculina e o mau humor das esposas subiam
de forma preocupante no calor ensopado de hormnios da boate. Carly levantou-se, desanimada.
       Ela tentou a todo custo evitar produzir esse evento, sabia que no era seu trabalho favorito. Preferia o evento que havia supervisionado durante o fim de
semana: uma festa de aniversrio surpresa, oferecida pela famlia para uma senhora espirituosa de oitenta anos. Carly teve de cuidar bem das finanas para garantir
que tudo pudesse ser feito com o oramento modesto que tinham. Ficou orgulhosa do resultado, e com razo.
       A esposa de Mike Lucas estava prestes a explodir se ele no parasse de flertar com a moa que agarrara. Carly rapidamente se levantou e foi em direo a ele
com a inteno de separ-los antes da situao sair do controle.
       Ricardo no sabia porque se deixara persuadir a comparecer quela festa. J havia pedido o apetite pela proposta de negcios que o trouxera ali. O ambiente
era composto de tudo o que ele mais detestava: homens ricos e imorais sendo perseguidos por mulheres ambiciosas e imorais.
       A ateno dele se ateve aos ocupantes de uma mesa a alguns metros de distncia. Um grupo de quarentes, barrigudos e suados, graas  combinao do calor
da boate e o efeito das moas com pouca roupa no salo. As suas esposas at poderiam ser mais novas do que eles, mas no tanto quanto as garotas que eles paqueravam
- exceto uma. Ela era mais jovem que as esposas, mas, ainda assim, uma mulher e no uma menina. E enquanto Ricardo a observava, ela se levantou e foi ao outro lado
da mesa onde um homem comeara a apalpar uma morena gostosa para quem ofereceu champanhe.
       - Mike. - Carly sorriu ao se curvar diante dele, estrategicamente se posicionando entre ele e a moa desconhecida.
       - Ol, sexy. Quer um pouco de champanhe? Mike Lucas a agarrou, puxou-a para o seu colo e ps a mo no seu seio. Carly congelou de imediato, deu-lhe um olhar
raivoso, mas Mike estava bbado demais para notar. Ainda sorrindo" ele puxou a outra moa tambm. Ao contrrio de Carly, ela fez questo de demonstrar que estava
gostando da ateno.
       - Olha o que tenho aqui. - Mike gritou aos seus amigos com uma mo no peito de Carly e outra no da moa. Ele as sacudiu sem experincia e se gabou embriagado:
       - O que acham desse tringulo amoroso, rapazes?
       O olhar disfarado de Ricardo monitorava a cena indigesta: cenas de mulheres que vendiam seus corpos no eram novidade para ele. Crescera nas favelas de Npoles,
e essas mulheres - essas dondocas, preguiosas, mimadas e emperiquitadas com roupas de grife e jias Cartier -eram, na opinio dele, ainda mais detestveis do que
as prostitutas dos becos de Npoles.
       Ele empurrou a cadeira para trs e se levantou, jogando um monte de dinheiro sobre a mesa. O homem que o convidara para a boate conversava com algum no bar,
mas Ricardo no se preocupou em se despedir. Como um bilionrio, no tinha a necessidade de seguir o protocolo de comportamento dos menos ricos.
       Ricardo leu os jornais que seu assistente deixara sobre a mesa, enquanto bebia a segunda xcara de caf preto bem forte, seu ritual matinal. Alguns gostos
podiam mudar, outros no. Seu rosto se fechou, suas feies mostravam um mistura perfeita de raiva e orgulho nos seus olhos escuros corno o basalto. Ele no era
um homem bonito, mas atraa, e chamava muito a ateno dos outros - especialmente das mulheres, que rapidamente notavam a desafiadora sexualidade masculina.
       Ele pegou o primeiro jornal e o folheou at achar o que queria. Deu um sorriso cnico, que mostrava o contraste dos dentes brancos no tom de pele moreno,
que anunciava a sua ascendncia italiana. Os olhos se moveram rapidamente pela folha e pararam ao encontrar a to anunciada e recm-revisada lista de nomes dos "Mais
Ricos". No precisou procurar muito para encontrar o seu. Na verdade, podia contar em uma mo os nomes acima do seu.
       Ricardo Salvatore, bilionrio. Fortuna estimada em... , Ricardo deu uma curta gargalhada desdenhosa quando viu a quantia, que no chegava nem perto da sua
fortuna real. Em baixo do seu nome, havia algumas linhas que o descreviam corretamente como solteiro, trinta e dois anos e, incorretamente, como tendo construdo
seu patrimnio com a herana do tio. Outra linha anunciava um rumor de que receberia o ttulo de Cavaleiro, em reconhecimento a doaes de caridade. Dessa vez, Ricardo
sorriu de verdade.
       Cavaleiro! Nada mal para algum que ficou rfo da me italiana e do pai britnico em um acidente de trem e crescera praticamente sozinho nas favelas de Npoles.
Foi uma maneira difcil e brutal de crescer mas, muitas vezes, Ricardo sentia mais respeito e admirao por suas companhias de juventude do que pelas pessoas com
quem convivia agora.
       Laos de famlia e amigos prximos no fizeram parte de sua vida, mas no lhe faziam falta. Na verdade, sempre relacionava a solido  liberdade das exigncias
dos outros. Aprendera cedo como sobreviver - ouvindo e observando - e como criar as suas prprias regras na vida. Retirou foras de dentro de si e no do que os
outros pensavam dele. Tinha apenas dezoito anos, era fortemente competitivo e ambicioso, quando ganhou num jogo o dinheiro que permitiu a compra do seu primeiro
navio cargueiro.
       Ele ps o jornal sobre a mesa, pegou o arquivo que dizia "aquisies em potencial", e o leu rapidamente. Ricardo estava sempre  procura de novas aquisies
para o seu portflio, no qual a empresa Prt a Party se encaixaria perfeitamente.
       Ouviu falar pela primeira vez dessa empresa quando um conhecido do mundo dos negcios mencionou ser amigo da dona. Na verdade, por conhecer bem o astuto Marcus
Canning, surpreendeu-se por ele no ter percebido o potencial do negcio.
       Deu com os ombros. As razes de Marcus para no agir no potencial da Prt a Party eram de pouca relevncia para ele. Por natureza, Ricardo era um caador
e, como todos os caadores, gostava igualmente da adrenalina da caa e do abatimento final. Prt a Party era uma presa pequena, mas mesmo assim o planejamento da
caada seria cuidadoso.
       A via normal de obter relatrios detalhados no era sua maneira favorita de agir. Por um lado, alertava outros investidores sobre o seu interesse e, por outro,
preferia seus mtodos instintivos.
       Primeiro, queria saber mais sobre como a empresa funcionava - sua lucratividade, eficincia e vulnerabilidade a uma oferta de compra. A melhor pessoa para
lhe dizer tudo isso era a dona Lucy Blayne, mas certamente ela no passaria essas informaes a um comprador. Por isso, ele decidiu se passar por cliente. O tipo
de cliente chato que quer saber cada detalhe de como as coisas funcionam e como o seu dinheiro seria gasto, antes de assinar o contrato. O tipo de cliente que insiste
em conhecer o perfil organizacional da Prt a Party em primeira mo.
       Claro que para ter essas 'excentricidades' atendidas, ele teria que colocar um doce na boca de Lucy Blayne. j E era exatamente isso que faria.
       - Carly! Graas a Deus que est de volta! Isso aqui est um caos!
       Ao entrar no escritrio chique e catico da Prt a Party na rua Sloane, um dos endereos mais concorridos de Londres, Carly reconheceu, desapontada, que as
coisas s poderiam estar mesmo agitadas para que a sua colega de escola e atual chefe - a gentil e doce Lucy Blayne - no perguntasse como foram as coisas na noite
anterior.
       Uma jovem, recm-contratada e assustada, corria de um lado para o outro tentando atender aos telefones que no paravam de tocar, enquanto outras moas, mais
antigas na empresa, tentavam acalmar os clientes, dizendo-lhes que tudo estaria pronto para o seu grande evento.
       - Estamos to ocupados - aquele lanamento que fizemos para garota-propaganda da joalheria em alta no momento nos deu uma meno na Vogue. O Nick nos trouxe
tantos clientes novos. - Lucy disse com entusiasmo.
       Carly no disse nada. Ela fazia tudo para no deixar Lucy perceber o quanto detestava Nick e, claro, no podia explicar o porqu. Lucy estava muito apaixonada
por seu novo marido e Carly sabia o quanto a magoaria saber que Nick deu em cima dela logo que entrou para a empresa.
       - Oh - a bela jovem parecia chocada, e quase derrubou o telefone -  o Duque de Rye - ela disse a Lucy de forma teatral, imitando o sotaque da nobreza britnica.
- E ele deseja falar com voc.
       Lucy revirou os olhos.
       - No desaparea, h algo importante que preciso discutir com voc - disse a Carly rapidamente antes de continuar com um ar alegre:
       - Tio Charles - que prazer. Como vai a tia Jane?
       Carly deu um sorriso de aprovao para a moa atrapalhada e encabulada, quando passava pelas mesas entulhadas do escritrio, dirigindo-se a sua sala. Respirou
aliviada ao chegar na sua redoma de paz.
       Um bilhete chamou sua ateno, e ela deu um risinho ao l-lo. "Cuidado - Lucy est em estado de pnico - Jules." As trs - Lucy, Julia e Carly - estudaram
juntas, e Carly sabia que Jules, assim como ela, teve muita dvida no comeo, quando Lucy lhe contou que pretendia abrir uma empresa de produo de eventos,
       Mas Lucy podia ser muito persuasiva quando queria, alm de que - como Jules apontou - nenhuma delas tinha nenhum outro emprego e Lucy, graas ao seu patrimnio
familiar, podia financiar a abertura da empresa e pagar a elas salrios respeitveis, de forma que no puderam recusar.
       Agora, trs anos depois, e para sua surpresa, Carly foi forada a admitir que a empresa de Lucy tinha potencial de se tornar um enorme sucesso. Mas apenas
se Carly continuasse a insistir que mantivessem os ps no cho e mo de ferro nas despesas.
       - Voc chegou!
       - Jules!
       - Ento, como foi ontem  noite? Carly sorriu expressivamente.
       - Bem, vamos apenas dizer que o jornalista do tablide que fotografou Mike Lucas com uma mo no seio da nobre Seraphina Ordley, vestido por uma capa do estilista
Matthew Williamson, e a outra no meu peito menos valioso, coberto por um vestido Armani de segunda mo, j deve ter percebido o seu grande erro. " Nunca fotografars
a sobrinha de um grande acionista numa pose de ex-integrante do Big Brother."
       - Ordley? - Jules disse pensativa. - Ela faz parte da famlia Harlowe.
       Isso significava que era uma neta de aristocrata.
       - J se dizia que o bordo dos Harlowe deveria ser "Na fama e na cama". Esse ttulo de nobreza veio de Charles II - Jules explicou - ele o distribuiu como
prmio de consolao s suas amantes descartadas. Voc no est achando graa! - ela acusou Carly.
       - Voc tambm no estaria, caso estivesse l ontem  noite.
       - Nossa, foi to ruim assim?
       Como Carly no respondeu, apenas olhou para ela, Jules sorriu.
       - Tudo bem, peo desculpas. Eu deveria ter ido, eu sei, acabei saindo fora e deixando a tarefa na sua mo... Ele realmente ps a mo no seu peito, Carly?
O que voc fez?
       - Lembrei-me de que a noite estava nos rendendo seis mil libras.
       - Ah.
       - E depois derrubei uma garrafa inteira de champanhe nos testculos dele.
       - Oh.
       - No foi nada engraado, Jules - ela protestou, quando a sua amiga parou de rir. - Eu adoro a Lucy e, na maior parte do tempo, sinto gratido por ela ter
me includo na empresa. Mas quando tenho que participar de eventos como o de ontem...
       - Foi um dos eventos de Nick, no foi?
       - Sim - Carly afirmou brevemente.
       - E no fim de semana, voc teve tempo de v-los?
       Carly fechou a cara. As trs eram to prximas que no havia segredo entre elas e o hbito da lealdade j estava arraigado. Jules - ou a nobre Julia Fellowes,
para lhe dar o ttulo correto - tocou suavemente o brao de Carly, que deixou de lado a hesitao.
       - Foi horrvel - disse simplesmente. - Acredito que ainda no tenham assimilado o que aconteceu. Sinto muito por eles. Perderam tanto, o terreno e tudo nele,
mais o prestgio de morar naquela regio, que era to importante para eles. E agora isso.
       - Bem, pelo menos, graas a voc eles tm um teto.
       - A casa em Dower - Carly fez careta - odeiam morar l.
       - O qu? Quando eu penso o quanto voc se empobreceu para comprar- a casa para eles. Honestamente, Carly.
       - Eu posso no ter dinheiro para um estilo de vida de grife, mas estou longe de ter uma vida de pobre. Graas a voc, vivo sem pagar aluguel numa das reas
mais chiques de Londres. Tenho um emprego que amo, e viajo mais do que poderia desejar.
       De incio, recusara a oferta generosa de Jules que os trs repartissem o apartamento dela - os trs eram Jules, Carly e o famoso hbito de Jules de "estou
tendo um dia ruim e preciso fazer compras". Algumas pessoas comem chocolate ou brigam com a me; Jules comprava sapatos. Mas quem era ela para rir dos hbitos de
conforto dos outros? Ela, desde que se entendia por gente, economizava dinheiro: centavos, depois a mesada dela... dinheiro de conforto. No que estivesse confortvel
agora. Devido s necessidades de seus pais adotivos, a sua conta bancria encontrava-se permanentemente vazia.
       - ...um fardo que ningum deveria ter - ouviu Jules dizer para proteg-la.
       Ao ignorar o seu comentrio, Carly disse:
       - Gostaria de ter ficado mais tempo. Senti culpa por deix-los l.
       - Sentiu-se culpada? Isso  loucura, Carly, voc no lhes deve nada. Quando penso no que fizeram a voc!
       - Voc quer dizer terem me dado uma educao de primeira classe? - Carly disse baixinho.
       Em momentos como esse, notava a enorme diferena entre ela e as outras duas. Apesar de terem a mesma educao, nasceram em mundos diferentes.
       - Voc j pagou por isso - Julia disse defensivamente.
       Carly no respondeu. Porque era verdade, embora no da forma como Julia havia dito. O pagamento que ela no suportava era saber que sempre seria uma intrusa
que no se encaixaria em lugar algum.
       Julia lhe deu um outro abrao. A bela morena, Julia, e a loira de grande corao, Lucy - Carly as invejava, assim como todas as outras meninas da escola,
pois sabiam que era o seu direito de nascena estudarem l. Ao contrrio dela. Ela sabia que no tinha nenhum direito de estar l, naquele ambiente rico e estranho
para ela. Tudo nela anunciava que no pertencia quele lugar.
       Sentia-se deslocada - uma fraude, uma mendiga, um caso de caridade, algum cuja vida havia sido comprada! E, claro, rapidamente, todos souberam como ela foi
parar ali.
       - s vezes, me pergunto o que estou fazendo nesse ramo - Lucy suspirou ao se juntar a elas.
       - S s vezes? - Carly provocou. Lucy sorriu.
       - Temos um grande cliente prestes a fechar negcio. Nick est vindo com ele para c agora.
       Carly afastou o olhar discretamente quando percebeu uma pequena sombra nos olhos de Julia. Foi Mia quem apresentou Nick a Lucy e, s vezes, Carly se perguntava
se Nick, com seu charme falso e exagerado, no teria deixado Julia to vulnervel quanto Lucy.
       Ser que ela estava sendo muito negativa em pensar que Nick se casara com Lucy mais por causa da sua posio social e fortuna familiar do que por amor? Pelo
bem de Lucy, desejava que no, mas tudo aconteceu rpido demais, Carly achava. E agora l estava Nick, um homem por quem no sentia apreo ou confiana, numa posio
proeminente nos negcios.
       - O quo grande? - Carly perguntou.
       - Jules, chame uma das meninas, por favor. - Lucy pediu. - Estou louca por um expresso! Tamanho gigante. Aparentemente, ele conhece Marcus e vocs sabem o
que penso disso.
       Marcus Canning estava na lista negra de Lucy: era uma amigo da famlia e tambm um dos administradores do seu patrimnio que, contra a vontade de Lucy, insistiu
em ter informaes de todos os aspectos do negcio antes de concordar em investir nele o dinheiro de Lucy.
       Pessoalmente, Carly pensava que Marcus Canning, com boa reputao em negociaes financeiras, era uma pessoa tima para se ter na equipe, e ela se sentiu
orgulhosa e satisfeita quando ele a elogiou na ltima reunio pela forma como estava cuidando da administrao e das finanas do negcio.
       - E, claro, se ele nos contratar vamos ser um estouro
       - ela ouviu Lucy anunciar entusiasmada.
       - Quem  ele e o que deseja? - Julia entrou na conversa.
       - Ricardo Salvatore. Ele  mega rico e com uma histria de vida feita de trapos e frangalhos. Havia uma matria sobre ele nos suplementos de domingo, cerca
de dois meses atrs. Ele cresceu em Npoles, era rfo desde muito cedo. Mas fugiu do orfanato quando tinha dez anos de idade e ficou s soltas com um grupo de crianas
que sobrevivia de roubos, esmolas e golpes. Tornou-se um milionrio e  o dono, entre outras coisas, de trs navios cruzeiros de luxo, top de linha. Ele quer que
organizemos festas em vilarejos ao redor do mundo para as pessoas nos cruzeiros. Ele tambm  dono de vilarejos e de uma ilha toda onde se localiza um deles. Ele
ligou mais cedo para a minha casa e me pegou num pssimo momento. Na verdade, ainda estvamos na cama - ela fez careta e depois deu risadas - pobre Nick, ele estava...
bem... enfim, Nick acabou de ligar para avisar que esto a caminho. Ricardo lhe disse que, antes de tomar uma deciso, quer observar alguns dos eventos j planejados,
como um convidado extra-oficial.
       - O qu? Voc vai permitir que ele entre de penetra na festa dos outros? - Carly perguntou, chocada. - Tem certeza de que isso  correto?
       - No consigo imaginar nenhum dos nossos clientes recusando um bilionrio como convidado extra - Lucy se defendeu.
       - De qualquer forma, O Nick j permitiu. E h um detalhe, Carly, faz mais sentido se voc o acompanhar.
       - Eu?
       - Uma de ns ter de ir com ele - Lucy informou.
       - E no mais... - ela mordeu o lbio - olha, no me entenda mal, mas acho que vocs tero mais em comum do que ns, e ele se sentir mais confortvel.
       Levou alguns segundos para Carly entender, e ento ela corou.
       - Entendo. - Ela sabia que sua voz soava tensa e irritada, mas no conseguiu se controlar. - Ento, o que voc est dizendo  que ele  um homem que subiu
na vida por conta prpria, no  de linhagem nobre ento...
       - Droga, eu sabia que me entenderia mal - Lucy reclamou. - Sim, ele  um homem que subiu na vida sozinho, Carly, e se tornou um bilionrio, mas no tem nada
a ver com classe, no foi isso que quis dizer! Quero que o acompanhe porque sei que voc lhe dar uma melhor impresso do que qualquer uma de ns. Parece que ele
gosta das mesmas coisas que voc: livros, museus, galerias. E  muito importante lhe darmos boa impresso para fecharmos o negcio. - Ela fez uma pausa e depois
contou a elas: - No queria lhes dizer nada, mas as coisas no andam to boas quanto parecem. Houve aquele incndio no nosso depsito, no comeo do ano, que destruiu
muitas das nossas coisas...
       - Mas tnhamos seguro - Carly protestou Lucy balanou a cabea.
       - No, no tnhamos. Nick achou muito caro os oramentos que voc recebeu, e pediu que eu segurasse o pagamento at ter pesquisado outras seguradoras. - Ela
disse com tristeza. - Pensei que Nick j tivesse feito outro seguro, mas me enganei. E, claro, o antigo contrato expirou.
       Carly fechou a cara. Lucy parecia estressada e desconfortvel. Carly no conseguia deixar de pensar que Lucy estava tentando proteger Nick e levar a culpa
por sua negligncia. Carly deveria agradecer a esse potencial cliente pela oportunidade de escapar - mesmo que por pouco tempo - do seu crescente desconforto em
Nick usar a conta bancria da empresa como se fosse a sua conta pessoal. Lucy dera a ele carta branca para retirar dinheiro da conta, portanto, no poderia haver
objeo. Nick afastou a preocupao com a conta que estava constantemente no negativo ao responder que o dficit seria coberto com o dinheiro de Lucy. Mas, para
Carly, parecia fora de questo que uma empresa desperdiasse dinheiro com os juros do cheque especial.
       - Estaro aqui em alguns minutos. Meu Deus, espero que fechemos negcio - Lucy bocejou. - Estou to cansada, e ainda tenho um jantar com meus pais hoje 
noite. E voc, tem algum programa hoje?
       - Apenas a minha aula de redao - Carly respondeu.
       - No sei porque voc ainda vai para essa aula - Mia disse amargamente.
       No incio, decidiram fazer parte de um grupo de escritores juntas, por sugesto de Mia. Carly desconfiou que era porque, na poca, Mia namorava um escritor.
Mas, aps as primeiras semanas, o romance esfriou e Mia tirou uma longa licena do trabalho para visitar a sua irm na Austrlia, deixando Carly sozinha nos encontros
semanais.
       - Hmm...
       - Bem, no vai ser o fim do mundo perder uma aula, vai? A no ser que hoje a Sra. Pope venha ler um de seus poemas? - Julia riu.
       Carly tentou, mas falhou em lhe dar um olhar ameaador.
       - Os poemas dela so terrveis - ela concordou, rindo junto.
       - Que projeto o professor passou dessa vez? - Julia se contorceu - No  sobre lixo novamente, ?
       - No - Carly disse. - Na verdade,  sobre fantasias sexuais.
 incrvel o que a palavra sexo pode fazer, pensou arrependida, quando as duas amigas olharam para ela.
       - Fantasias sexuais? - Lucy perguntou. Como assim? Imaginar o sexo com um homem de fantasia? - ela comeou a rir - para qu?
       - O professor quer que a nossa imaginao se amplie em novas dimenses.
       - No momento, qualquer tipo de sexo  uma fantasia para mim - Mia disse com tristeza, antes de acrescentar - mas no consigo imaginar voc escrevendo sobre
fantasias sexuais, Carly. Quer dizer, voc nunca foi at o fim, foi?
       Carly mostrou os dentes num sorriso falso e feroz.
       - No, nunca. E no irei at encontrar algum que merea isso.
       - Bem, tudo bem, no tenho problema nenhum com isso, mas como voc vai escrever sobre fantasias sexuais quando...?
       Carly lhe deu um olhar assustador.
       - Vou usar a minha imaginao. Esse  o objetivo do exerccio - ela disse com grande dignidade.
       - Antes voc do que eu!
       - Nada de falar de sexo no horrio de trabalho - Lucy zombou e, para o alvio de Carly, parou com a chegada do seu caf expresso.
       Com toda a honestidade, Carly ficou feliz em perder a aula de redao e sua tarefa de casa. No queria escrever sobre fantasias sexuais ou sexo de forma nenhuma.
Sabia que existia uma barreira entre ela e o aproveitamento da sua vida sexual. Mas como poderia se oferecer de forma livre e aberta a um homem quando nunca se imaginou
capaz de lhe revelar as suas cicatrizes emocionais? Como poderia haver intimidade quando temia isso? E tinha pavor de ser julgada e rejeitada? O evento a que teve
de ir na noite passada no confirmara o que sempre pensou? Dar-se com amor a um homem significava poder ser julgada como inaceitvel e lev-la  rejeio. E sabia
desde pequena o quanto isso a machucava.
       O plano de vida dela girava em torno de segurana financeira: construir sua carreira, aproveitar os amigos e por ltimo, viajar - se tivesse dinheiro para
isso - mas sempre evitaria cometer o erro de se apaixonar. Decidira s ter relao sexual quando conhecesse um homem que desejasse fisicamente, com paixo - um homem
com quem pudesse compartilhar o auge do prazer fsico numa relao, mas sem riscos  sade. Um predador sexual em srie no seria a sua escolha. E, ao mesmo tempo,
ela teria que se sentir cem por cento confiante de que nunca se envolveria emocionalmente com ele. Mas no estava procurando ativamente por esse modelo de perfeio,
e parecia bvio que permaneceria virgem indefinidamente. No que isso a preocupasse.
       CAPTULO DOIS
       - Tem certeza de que minhas exigncias no sero um problema para voc, Nick? Sei que no tem uma equipe grande - Ricardo disse suavemente
       - Claro que no. Lucy disse que Carly agarrou a oportunidade. Na verdade, ela implorou por isso - Nick riu. - E acho que ningum pode culp-la. Afinal, quando
uma mulher bonita e acostumada com o melhor se encontra sem nada, deve mesmo estar louca para passar um tempo com um homem rico.
       - Ela est procurando um marido rico? Nick sorriu.
       - Quem falou sobre casamento? Bem, vamos ao escritrio e os apresento.
       - No disse que ela era scia da sua mulher?
       - Funcionria. As trs - Lucy, Julia e Carly - estudaram juntas. Nem Carly nem Julia investiram dinheiro na empresa.
       -Ento, financeiramente, a sociedade est com...
       - Apenas Lucy e eu - Nick informou. - Carly, geralmente, cuida do lado administrativo e financeiro, mas para ser franco, acho que no d conta do recado.
Estaria me fazendo um favor em tir-la daqui por uma ou duas semanas, para que eu possa organizar melhor a rea financeira da empresa. Lucy  uma pessoa muito leal
e muito devotada aos amigos - voc conhece o tipo - tem pedigree, mas no tem crebro. Ele deu com os ombros.
       - De qualquer forma, ter a companhia de Carly no ser difcil - ela  bonita e prestativa tambm, se sabe o que quero dizer - especialmente se for generoso
com ela. Como disse, Carly tem a cabea no lugar.
       - Est, falando por experincia, prpria? - Ricardo perguntou secamente.
       - O qu? No, imagina. Sou um homem casado. Mas digamos assim, ela me deu a entender que estaria disponvel se eu a quisesse - Nick se gabou.
       Ele sabia bem que Carly no gostava dele, e se divertia com o que estava aprontando com ela. Sujar o nome dela ho lhe faria mal, ele se parabenizou. Ao menos
ela no poderia fazer intriga sobre ele com a Lucy.
       - Carly  muito boa em fazer outras pessoas pagarem as suas contas. Ela at conseguiu morar de graa no apartamento de Julia. Se ela no encontrar um homem
rico para financi-la, ento, o estilo de vida oferecido pela Prt a Party  a segunda melhor coisa. Todas as viagens com acomodao de primeira classe, oferecidas
pelos clientes, alm de poder se entrosar com os convidados - ele piscou para Ricardo. - Ideal para esse tipo  de mulher. Assim que os apresentar, ela lhe passar
a nossa lista de eventos para que escolha aonde quer ir.
       - Excelente - internamente Ricardo concluiu que Nick soava mais como um gigol do que um empresrio. Ou ser que nesse ramo as duas coisas andavam juntas?
       Chegaram ao escritrio da Prt a Party e Nick abriu a porta para ele.
       - Ah, l est Carly - ele anunciou.- Vou cham-la.
       No havia como escapar de Nick, Carly reconheceu, relutantemente, e foi em sua direo. Ela estava com o seu uniforme de trabalho: jeans e camiseta - a cala
jeans marcava o contorno magro de suas pernas, mas, irritantemente, a camiseta que deslizava sobre as curvas dos seus seios se soltou da cintura baixa da cala -
um problema freqente para quem tinha um metro e setenta e cinco de altura - e exps a sua barriga dura. Sempre que podia, Carly corria, muitas vezes sozinha e outras
com um grupo de corredores amadores, por isso, o seu corpo tinha uma graa sensual que ela mesma no percebia.
       Carly tinha cabelos longos e grossos, cor de mel, com luzes naturais, que balanavam sobre seus ombros  medida que se aproximava de Nick - e ela tropeou
quando viu o homem ao lado dele. Se estivesse  procura de um homem com quem transar, ali estava, e isso porque ela jamais procuraria um homem por nenhuma outra
razo - ali estava um homem que a atraa. Ela sentia o poder da sua sexualidade de longe, quase podia inspir-la. E era embriagante, muito mais potente do que champanhe,
pensou entontecida. Uma mulher vulnervel - o que ela no era - acharia quase impossvel resistir a ele, pois personificava a seduo para as mulheres. Exceto para
ela, que tinha se isentado desses perigos.
       Ricardo a olhou com desdm, em reconhecimento imediato, ao v-la vindo em sua direo e, friamente, chegou a duas concluses. A primeira, queria lev-la para
a cama, e a segunda, ela era a encarnao de tudo o que mais detestava naquele tipo de mulher: era muito bonita e irritantemente confiante. E ele j sabia, por intermdio
de Nick, que ela julgava os homens pela sua carteira e quanto retiraria dela. Uma caa-nqueis em outras palavras.
       - Ol, gata. Deixe-me apresent-la ao Ricardo - Ah, a propsito, Mike Lucas me ligou para me dizer o quanto gostou de sua companhia ontem  noite. - Nick
disse a Carly ao colocar o brao por seus ombros e pux-la para o seu lado. Libertando-se dele, Carly estendeu a mo para Ricardo e sorriu para ele com verdadeiro
prazer. Afinal, ele a livraria da presena desagradvel de Nick.
       Ela no queria perder tempo, Ricardo pensou cinicamente, ao pegar a mo de Carly e apert-la com firmeza.
       - Ricardo quer saber dos futuros eventos para decidir a quais ir. Voc pode usar o meu escritrio, Carly - Nick disse num tom amigvel. O escritrio dele?
Carly teve que virar a cara. "O escritrio dele", como o chamou, era a sala dela at ele aparecer na empresa. Na verdade, ainda era a sala dela, uma vez que era
a nica que trabalhava por l. As nicas aparies de Nick eram para pedir a assinatura de mais cheques.
       Carly sorriu e o levou para o cubculo em que trabalhava. Ricardo perdeu a conta do nmero de mulheres que sorriram para ele daquela forma calorosa e promissora
- especialmente mulheres do tipo de Carly. Mulheres de classe, educadas e paparicadas em colgios particulares, cujo objetivo na vida era encontrar um homem que
sustentasse o seu estilo de vida.
       O seu olhar se fechou. Predadoras femininas eram conhecidas de todo homem com o ttulo de "rico"; descobrira isso tempos atrs. Tinha vinte e dois anos quando
encontrou, pela primeira vez, o tipo de moa da alta sociedade que acreditava que um homem que enriqueceu por conta prpria como ele ficaria felicssimo em gastar
muito com ela, como um cach social por sua companhia.
       Essa moa era a irm de um jovem empreendedor com o qual ele tinha negcios. Quando a conheceu, pensou estar enganado - ela no poderia ter dado em cima dele
to abertamente como fez. Fora ingnuo. Ela se convidou para um almoo caro e depois compras ainda mais caras, oportunidade na qual ela lhe mostrou o Rolex que queria.
Como um tolo, foi  loja compr-lo, enquanto ela se encontrava com o irmo. Ele se instalou numa grande sute de hotel, pediu champanhe e a comida mais luxuosa possvel,
e ficou imaginando o prazer que os aguardava. Faria amor como ela nunca experimentara antes, depois a acordaria com um beijo e a surpreenderia com o relgio...
       Mas, muito rapidamente, caiu em si quando a mulher que desejava, em vez de aproveitar as suas doces carcias, disse-lhe nervosamente para se apressar, fez
bico e ficou amuada at ele lhe entregar o relgio. E a gota d'gua veio quando soube que ela era quase noiva de um homem mais velho e muito rico. Felizmente, apesar
de suas iluses terem se acabado, o seu corao sara intacto, e a experincia lhe ensinou uma lio valiosa: a nica diferena entre essas moas mimadas da alta
sociedade e as prostitutas de Npoles  que as prostitutas no tinham outra escolha a no ser se vender para alimentar as suas crianas.
       Ele ainda no conhecera nenhuma mulher cujo desejo por ele no andasse de mos dadas com o interesse pelo seu dinheiro, no importa o quanto ela negasse isso.
Na verdade, se ele no fosse to exigente, seria mais barato contratar uma profissional do que satisfazer as demandas financeiras de uma dondoca da sociedade. Descobrir
que a ltima que repartiu a cama com ele o traa com um bilionrio que poderia ser seu av confirmou as suas crenas de que nenhuma mulher era to bela, ou to bem
nascida, para estar acima de usar as suas "qualidades" a fim de obter segurana financeira.
       Ele levaria Carly para a cama e teria certeza de que ambos apreciariam a experincia e s. Por que no deveria se aproveitar dela? Era uma linda mulher, e
fazia tempo que ele no dormia com algum, mas a posio social dela no o impressionava.
       - Aqui est a nossa lista de eventos e as localizaes. - Carly disse um pouco ofegante, aps imprimir a lista.
       Ela no esperava ficar to sensibilizada com a aura sexual de Ricardo. No estava acostumada com esse tipo de homem. Havia um alvoroo no seu estmago e uma
sensao embriagante de excitao na sua cabea. Sentiu-se ao mesmo tempo excitada e apreensiva, como se o seu corpo tivesse mudado de marcha e entrado num estado
mais elevado de conscincia. Eram apenas os seus hormnios correspondendo aos dele, disse a si mesma. O escritrio era pequeno demais para os dois.
       Do canto do olho, notou que ele estava retirando o palet e sua respirao ficou alterada com o seu interesse relutante. Debaixo da camisa de algodo fina,
ela podia ver a definio de seus msculos rijos. Havia acabado de ler um artigo sobre a moda masculina de depilar o trax. Ele, certamente, no se sujeitava a isso.
O autor do artigo propunha que as mulheres no gostavam da frico dos pelos masculinos na pele. Carly lambeu os lbios com a ponta da lngua. Uma nvoa fina de
calor sensual exalou de sua pele. Sob a camiseta, seus seios doam no suti, os mamilos rgidos se pressionavam contra o tecido.
       Como poderia ter tamanho desejo sexual por um homem que acabara de conhecer? Deve ter sido porque acabara de falar sobre sexo com Jules e Lucy. Era isso,
a sua mente estava mais focada em sexo do que o normal.
       Ele ainda estudava a lista que ela lhe dera, sem notar o que ela estava sentindo e, claro, ela estava feliz por isso. No era o tipo que se ofendia quando
um homem no lhe demonstrava interesse.
       Por que at agora ela no conhecera o homem ideal?
       - Se me disser que tipo de evento lhe interessa produzir, posso lhe dizer a quais deve ir - ela sugeriu apressadamente.
       - Ainda no sei bem.
       Carly ficou intrigada. Ela presumiu que, como os seus atuais clientes, ele teria um evento especfico em mente.
       Ricardo deu um sorriso cnico. Se seus planos corressem como o desejado, o primeiro evento que Prt a Party produziria para ele seria a festa de comemorao
da sua compra da empresa. Mas no diria isso a Carly. Ele j decidira que ela faria parte do pacote de compra, um dos objetos a ser adquirido.
       - Soube que  a responsvel pela parte administrativa e financeira do negcio?
       - ..., sou.
       - Voc deve ser muito organizada para dar conta dessas tarefas, e ainda acompanhar clientes aos eventos.
       - No fao isso sempre. Quer dizer, s vezes, preciso substituir alguma outra menina.
       Parecia que era forada a fazer isso, Ricardo pensou amargamente. Claro que sabia que no era bem assim.
       - Carly, sua me lhe telefonou. Ela quer que voc ligue para ela... Oh, me desculpe. - A jovem que entrou bruscamente na sala parou num salto e corou quando
viu que Carly no estava sozinha.
       - Tudo bem, Izzie, ligo para ela mais tarde. Obrigada.
       Mas enquanto agradecia  menina, o seu corao j se apertava, reao que escondeu debaixo do sorriso profissional. J sabia o que a me adotiva queria: mais
dinheiro.
       Carly fazia o melhor que podia, mas a verdade  que a me adotiva no sabia administrar dinheiro. A fortuna que o pai adotivo tivera um dia foi gasta com
ostentaes e investimentos errados.
       Um derrame tornou impossvel que ele trabalhasse, ento, Carly teve de lhes dar apoio financeiro como pde. Mas no era fcil, sua me adotiva fazia gastos,
e depois chorava por no ter como pagar - como uma criancinha e no uma adulta. A angstia deles a fazia se sentir to culpada - especialmente quando... ela tinha
muita sorte de ter amigas como Lucy e Jules, Carly pensou emocionada. Agora se dava razoavelmente bem com os seus pais, mas no foi sempre assim. Sem Lucy e Jules,
o que poderia ter feito para escapar da tristeza e da desgraa que fora a sua infncia? Cometido suicdio? Certamente, pensou nisso. Para onde teria ido? Ricardo
ficou curioso ao perceber a ansiedade encobrir os olhos dela. Ele pigarreou.
       - Certo, aqui esto os eventos nos quais quero estar. De volta dos seus pensamentos, Carly se apoiou sobre a mesa para ler a lista que ele havia lhe entregue.
Selecionara trs eventos: uma festa particular em Saint Tropez, a bordo de um iate privado, em celebrao a sua aquisio; um evento de mdia em Hamptons para o
lanamento de uma nova revista luxuosa para a qual os ricos tradicionais, as celebridades instantneas e os integrantes do mundo da moda tinham sido convidados,
e a festa de aniversrio de um roqueiro quarento no seu castelo francs.
       Carly fechou a cara.
       - H algo errado?
       - A festa no iate  no prximo fim de semana, e apenas quatro dias antes do evento em Hamptons. Pode ser difcil coordenar vos e todas as outras reservas
de viagem.
       Ela mantinha a rdea curta nas despesas - ou, ao menos, tentou fazer isso at Nick interferir. Voavam de classe econmica para eventos em outros pases, se
no estivessem indo por conta do cliente.
       Ricardo levantou uma sobrancelha.
       -- Isso no ser problema. Usaremos o meu jato particular - ele fez um gesto de desprezo. - Um dos meus assistentes pessoais pode cuidar dos detalhes. Ah,
tambm precisaro do seu passaporte o mais rpido possvel. Fiquei sabendo que a empresa exige que voc esteja no local um dia antes do evento comear. E isso 
bom porque poderei acompanhar a organizao do evento.
       E, com certeza, ele iria, Ricardo decidiu.
       Ele se levantou, e Carly o seguiu. Ele era to alto, to grande! Ela relutou em passai- pela porta, pois isso a aproximaria dele. Chegar perto dele? Controle-se,
ela se repreendeu mentalmente.
       - Meu assistente entrar em contato com voc para marcar o horrio dos vos.
       Ela andou com determinao at a porta. Chegou quase ao seu lado. Em poucos segundos, passaria pela porta e estaria segura. Segura? Segura de qu? Dele atac-la?
De forma alguma ele faria isso, disse a si mesma com escrnio. E, ento, ela cometeu o erro de olhar para ele. E foi como atravessar um portal para um mundo desconhecido.
O seu corao batia como tiros de canho. Sem querer, virou a cabea para ele, os lbios se entreabriram e os olhos se fixaram na boca dele. O lbio superior dele
era bem desenhado, os dentes brancos, apenas um pouco desalinhados, e o seu lbio inferior...
       Seu lbio inferior. Uma nvoa de sensualidade escureceu os seus olhos cinzas ao admirar o seu lbio inferior carnudo e seu potencial de prazer. Como seria
ter aqueles lbios entre os seus? Mordisc-los com pequenos beijos e...
       - Um aviso... - Ricardo comeou.
       Ela podia sentir a vergonha estampada no seu rosto por causa daqueles pensamentos inexplicveis.
       -  imprescindvel que se mantenha confidencialidade do porqu da minha presena nesses eventos.
       Ele s estava lhe chamando ateno por causa do evento - apenas isso! Carly suspirou em alvio.
       - Sim, sim, claro - ela concordou prontamente, ao atravessar a porta com as pernas repentinamente bambas. Mas podia perceber, de forma enervante, a presena
dele atrs dela.
       - E mais uma coisa.
       - Sim - ela disse educadamente, voltando-se para ele.
       - Da prxima vez que olhar a minha boca dessa maneira... - ele disse baixinho, com um sorriso zombeteiro.
       - Assim como? No olhei para lugar nenhum! - Carly sabia que o seu rosto queimava de culpa, mas tinha de se defender.
       - Mentirosa. Voc olhou para a minha boca como se no pudesse esperar at que a encoste na sua. Como se desejasse que eu a pressionasse contra a parede ali
mesmo. Como se pudesse sentir as minhas mos na sua pele, a toc-la intimamente, e voc a se deliciar com isso. Como se...
       - No! - Carly negou firmemente. E a negativa era verdade, no havia ido to longe!
       Para seu alivio, Lucy correu at eles para se apresentar.
       Ricardo partira h uma hora, e Carly ainda estava pensando nele. Mas uma mulher teria de ser totalmente desprovida de hormnios para no notar a virilidade
de Ricardo,
       E era essa a sua desculpa? Ela empurrou o teclado e se levantou. Tremia um pouco. O rosto queimava e o corpo doa. Estava chocada. Envergonhada. Horroriza-
       da, na verdade, pela dimenso que abrira na sua prpria mente - e pior - tinha conscincia de que isso a excitava. Fisicamente, mas no emocionalmente - isso
era impossvel Afinal, se prometera nunca se apaixonar, no prometera? Nunca se entregaria emocionalmente a ningum; nunca arriscaria a segurana emocional que conquistara
para si mesma.
       Andou pelo escritrio. Sua infncia lhe ensinou tudo sobre a dor de ser rejeitada. Lutou muito consigo mesma para conquistar o ar de calma e autoconfiana
que a protegia e que projetava aos outros para obter respeito. Baniu a criana pattica e carente que fora, desesperada por aprovao e amor, e era assim que Carly
pretendia que as coisas ficassem.
       Ento, por que estava pensando nisso? Ningum ameaaria a sua auto-suficincia, menos ainda Ricardo Salvatore, que provavelmente tinha a mesma carga de bloqueios
emocionais que ela, mesmo que por diferentes razes.
       CAPITULO TRS
       Carly olhou o relgio - Lucy dera a Carly e a Jules relgios Cartier de Natal, assim que a empresa deu lucro - e depois se abaixou para pegar a mala. O carro
que viria apanh-la, a pedido de Ricardo Salvatore chegaria em dois minutos. J era hora de sair.
       Ela carregou a mala e fez uma careta, lembrando-se de como Lucy entrou correndo na sua sala na quinta-feira de manh gritando:
       - Meu Deus, Carly. Acabei de perceber! No h nada no armrio para voc vestir.
       O armrio era uma brincadeira entre elas, na verdade, era um pequeno quarto na casa dos pais de Lucy, em Londres, onde ficavam as roupas glamourosas que Lucy
e Jules, praticamente do mesmo tamanho, vestiam nos eventos. As roupas eram de estilistas famosos, de segunda mo, angariadas por debaixo dos panos de fontes variadas.
E esse assunto as divertia muito.
       - Apenas olhe para isso! - Lucy se maravilhou com a ltima aquisio delas, quando mostrou o que parecia com um leno coberto de lantejoulas preso a uma coleira.
Quem compraria isso?
       - Voc comprou - Carly disse rindo.
       - Sim, mas s me custou cinqenta libras, enquanto um novo custa mil!
       -  bem sexy - Jules disse.
       -  repugnante - Carly criticou - vulgar e brega.
       - Hmm... Bem, foi um achado de Nick.
       Mas no havia nada para Carly no armrio. Ento naquela tarde, Lucy anunciou com firmeza:
       - Vamos Carly, temos que fazer compras!
       Carly tentou protestar e resistir, mas Jules e Lucy insistiram. O resultado do ataque delas s lojas de segunda mo favoritas de Lucy - que esvaziou o oramento
de roupas cuidadosamente trabalhado por Carly - voltou da lavanderia, e estava empacotado na mala de Carly junto as suas prprias roupas.
       Mentalmente, Carly revisou tudo - um terno de seda branca que deixou Lucy maluca, a dizer:
       - Oh, isso  to retro, lembra-me uma esposa roqueira dos anos setenta! E voc tem peito para isso, Carly.
       Talvez sim, mas no usaria a jaqueta aberta sobre a pele nua! Havia tambm dois vestidos de baile, ambos to reveladores que Carly decidiu pr uma jaqueta
por cima. Tambm no gostou muito do maio que Lucy achou, era to entrecortado que revelaria mais do que o menor biquni, Carly pensou, mas ao menos vinha com pantalonas
e jaqueta que combinavam.
       Os trajes bsicos - suas roupas de linho, favoritas no vero, e alguns acessrios da moda que compraram na Zara e em lojas semelhantes - tudo passou pela
inspeo de Lucy e foi aprovado para os eventos aos quais iria.
       Arrastando a mala, Carly saiu  rua e ficou esperando sob o sol da manh. Ricardo a observava do banco de trs da limusine, enquanto o motorista retirava
o carro da vaga. Ela era o tpico exemplo de dondoca com o estilo de vida "quem paga no sou eu", Ricardo concluiu ao v-la. Camiseta branca imaculada, jeans justos,
cabelo comprido e lustroso, o mnimo de maquiagem, culos escuros, relgio de marca discreto, jeans com o corte perfeito. A garota magrela de roupas de grife e salto
alto, que passou trotando a sua frente, no conseguiria competir com ela, porque Carly tinha classe. Como ela seria na cama? Ele no deixaria passar muito tempo
para descobrir.
       Ele se lembrou de outra moa da alta sociedade na sua juventude, que conheceu quando j estava ficando calejado, mas ainda no tinha endurecido o suficiente.
Inicialmente, a achou bonita, mas deixou de ser, assim que ele recusou as suas crescentes demandas - especialmente quando descobriu que incluam um anel de noivado
em troca do benefcio de subir de classe social. Ele lhe disse preferir uma prostituta honesta. Mulheres como ela, como Carly, no exigiam dinheiro em troca de sexo
abertamente, mas buscavam o mais rico e elevado status que um homem poderia lhes dai' - trocavam seus corpos por um sobrenome. Essa troca e os que participavam dela
o enjoavam.
       Ele no tinha iluses sobre mulheres ou sexo. Havia visto e vivido o bastante. Sua fortuna poderia lhe comprar qualquer mulher que quisesse, incluindo Carly.
Ela j tinha insinuado isso no jeito como olhou para sua boca. Ela nem tentara ser sutil! Ela o fitara de forma ousada. Se no estivessem na sala dela, aceitaria
a cantada, retirando a sua blusa e afagando os seus seios. O olhar dela o convidou a tirar a sua cala e se divertir, sem poder lhe negar isso.
       E na manh seguinte, sem dvida, ela aguardaria o seu pagamento - uma jia, um convite de uma loja para escolher algo caro... era assim no mundo dela. Eslava
perdendo muito tempo, ele se advertiu. A razo principal de tudo o que estava fazendo era a aquisio da Prt a Party, e no a inevitvel compra sexual de Carly
Carlisle, que no sabia, mas seria a primeira da lista a perder o emprego.
       Carly se surpreendeu quando o carro cinza, grande e elegante, encostou ao seu lado. Uma limusine, Lucy disse, e ela imaginara um veculo enorme, preto e ostentoso,
no um carro discreto. Mas a porta de trs se abriu e Ricardo saiu.
       - Essa  toda a sua bagagem?
       Ela ficou boquiaberta ao v-lo pegar a mala, e olhou para o chofer.
       - Charles est dirigindo, e sou perfeitamente capaz de carregar uma mala. - Ricardo lhe disse secamente depois do olhar incerto dela.
       - Minha mala est pesada - ela disse a ele, que a ignorou, pegou a mala e a ps no porta-malas como se fosse um travesseiro de penas.
       Ele vestia uma camiseta preta e cala casual de cor bege. Os msculos do seu brao ficaram mais duros ao levantar a mala. Ele parecia mais com algum que
trabalhava ao ar livre do que atrs de uma mesa, ela notou, sem querer admitir a reao que tinha ao ver o seu corpo.
       Depois do que aconteceu quando imaginou coisas, agora mantinha os pensamentos sob controle, sem pensar no efeito que Ricardo causava nela. Ento, ele tinha
um corpo forte o suficiente para carregar as coisas como macho - e da? Disse a si mesma desapegadamente.
       Mas a viso das suas costas, cobertas de preto, arqueadas sobre o bagageiro, transformadas por pensa- , mentos rebeldes, viraram costas nuas em cima do seu
corpo nu. A imagem era to sensual que ela congelou onde' estava. Ento era verdade, era possvel mesmo perder a fora das pernas, Carly refletiu ao se sentar reta
na cadeira de trs do carro poderoso, entontecida e ciente de que seus pensamentos eram tudo menos direitos. Todas as aulas de postura na escola a condicionaram
a manter as costas sempre eretas.
       Ela tinha seu mrito, Ricardo admitiu, aquela postura calma, remota, que adotava, que gritava corra atrs de mim, certamente funcionaria com a maioria dos
homens. Pena que ele no era como a maioria. Ele abriu a maleta de onde retirou alguns papis. Assim que se livraram do trfego da cidade, o carro ganhou velocidade.
Carly ficou contente que Ricardo estava envolvido no seu trabalho porque isso a deixava livre para pensar no dela ao invs de ter que conversar educadamente com
ele.
       Como os clientes estavam usando o prprio iate como local do evento, no havia nenhuma construo de marquise que precisasse acompanhar. O chef do cliente
e seus cozinheiros estavam sendo apoiados por outro chef classe A que ela providenciara. J estavam todos no iate. Os menus e os arranjos florais tinham sido escolhidos.
       A chegada e coordenao do cabeleireiro, maquiador c estilista da anfitri tambm eram responsabilidade de Carly, alm de outras centenas de pequenos detalhes
essenciais.
       Ela tinha uma pilha de papis coloridos e codificados na sua maleta, a maioria continha informaes que ela j decorara.
       - Voc  bem melhor do que eu nisso - Lucy disse a ela melancolicamente.
       Carly sorriu, mas sabia que era verdade.
       Carly mudou de posio no encosto da cadeira. Era ridculo que a presena de Ricardo tivesse tamanho impacto sobre ela fisicamente. O seu autocontrole no
estava funcionando. A sensualidade bruta havia derrubado as suas barreiras, deixando um rastro de ateno feminina por onde passou. A sua cala jeans, normalmente
confortvel, parecia muito justa, colada  pele de forma ertica, como se ela estivesse sendo apalpada pelas mos masculinas poderosas para as quais no conseguia
olhar.
       Sentia o calor crescer dentro dela. Chamas ardendo!; sob a pele sensvel. Cruzou e descruzou as pernas. O seu brao roou nos seios, por acidente, e ela pde
sentir;! como queimavam e pulsavam. Isso era loucura. Parecia que um outro e indesejado alter ego se instalara dentro dela. E, o pior, parecia que controlaria o
seu corpo! Ou ser que fora sempre assim, mas precisou conhecer Ri- j cardo Salvatore para saber disso? Isso era definitivamente louco. Percebeu, aliviada, que chegaram
ao aeroporto. O carro diminuiu a velocidade e entrou num porto privativo. Oficiais se aproximaram do carro.
       - Seu passaporte, por favor - Ricardo pediu a Carly.
       Ela no estava preparada para essa formalidade, e demorou a encontrar o passaporte e entreg-lo a Ricardo.   ! Quando ele o pegou, ela deixou a bolsa cair,
inundando  o banco de couro do carro cora moedas, batom e vrios  outros pequenos itens pessoais. Com o rosto corado, ela retirou o cinto e tentou catar tudo to
rpido quanto podia, mas o batom saiu de seu alcance com o movimento do carro.
       Para o seu desnimo, o batom rolou para perto da coxa de Ricardo, e ela no poderia pegar sem toc-lo. Ela umedeceu os lbios.
!
       - Voc poderia me passar o meu batom, por favor? Voc est sentado sobre ele - ela disse a Ricardo.
       -O qu?
       Olhou para ela sem compreender.
       - Meu batom! - Carly repetiu. - Caiu da minha bolsa, e agora est...
       Ela indicou com o olhar a cadeira de couro, e conseguiu ao mesmo tempo manter os olhos longe das pernas dele.
       A respirao dele estava exaltada quando se abaixou para pegar o tubo. Ela se aproximou para peg-lo, sem notar o buraco que o motorista no pde evitar por
causa de um outro veculo. O movimento violento do carro empurrou o corpo dela contra o de Ricardo. O ar saiu de seus pulmes com o impacto, deixando-a quase deitada
sobre ele, com o rosto enterrado na blusa dele e a mo cm seu brao.
       Uma sensao estranha a invadiu. O cheiro dele de homem, a textura da camisa, o peito duro debaixo da bochecha dela e a maciez dos plos de seu peito. Os
lentos e pesados batimentos de seu corao...
       Na sua mente, imagens indesejadas se formavam. Um homem - Ricardo - a carregava nos braos, o torso dele desnudo, a pele morna sob o toque dos seus dedos.
Ela podia sentir o ardor do desejo por ele. E seus dedos apertaram o brao dele automaticamente, suas unhas mergulharam na sua carne.
       Abruptamente, Carly voltou  realidade e para a humilhante conscincia de seus atos. A face queimava, soltou o brao de Ricardo e se afastou.
       Quando ela retomou ao seu assento, Ricardo mudou de posio tambm, para esconder o monte de msculo que se amontoava na frente da sua cala. Notou que tinha
subestimado o efeito que Carly teria sobre ele. Uma coisa era reconhecer para si mesmo que desejava lev-la para a cama, mas outra era admitir que seu desejo era
mais urgente do que imaginou e, pior, ameaava o seu autocontrole. Ele, simplesmente, no queria esse impulso forte de necessidade, essa vontade de devor-la, de
respirar seu perfume e sentir seu corpo, seu gosto e penetr-la...
       A dor em seu corpo se intensificou, e teve de usar o subterfgio de abrir o jornal e se ocupar com a leitura para esconder esse fato.
       - Obrigado, Charles.
       Carly no teve tempo de fazer mais nada alm de sorrir em gratido ao chofer antes que um comissrio de bordo a levasse ao jatinho particular, enquanto Ricardo
falava com o seu piloto - o seu piloto, Carly percebeu.
       Sempre ouvira Lucy se maravilhar com o luxo de viajar no jatinho particular de seus clientes mais ricos, mas essa seria a primeira vez que ela viveria essa
experincia. O interior do jato parecia mais com um apartamento. Tons de bege e cinza faziam fundo para as cadeiras de couro preto e o comissrio indicava discretamente
o quarto e um banheiro atrs dos assentos.
       - A cozinha fica atrs da cabine e h outro lavatrio por l. - Ele interrompeu as explicaes para dizer formalmente:
       - Boa tarde, senhor.
       Carly se virou e viu Ricardo na entrada do avio.
       - Bom dia, Eddie. Como vo Sally e o novo beb? Havia sentimento genuno em sua voz que tocou o corao de Carly.
       - Esto todos bem. Sally ficou muito emocionada porque o senhor trouxe de avio os pais dela para o nascimento do beb. Ela j estava se acostumando com a
idia de que no viriam.
       Ricardo mudou de assunto.
       - Fil nos disse que teremos um timo vo, tanto para Nice quanto para Nova York.
       Ele se voltou para Carly.
       - Eu preciso trabalhar, mas, por favor, fique  vontade para pedir a Eddie o que precisar.
       - Gostaria de se sentar, madame, at decolarmos? Eddie sugeriu educadamente, indicando uma das poltronas.
       Obedientemente, Carly se sentou.
       - Talvez eu possa lhe servir uma taa de champanhe? - o comissrio disse, depois explicou como fechar o cinto de segurana, usar o telefone e ligar o seu
laptop, se quisesse.
       - Eu tenho um timo champanhe Cristal.
       Carly no se conteve e soltou um pequeno riso desdenhoso.
       - gua est bem - disse enfaticamente.
       Da sua mesa do outro lado da cabine, Ricardo cerrou as sobrancelhas. Porque ela recusara o champanhe? Ela, certamente, no teve problema em beb-lo quando
a viu no CoralPnk.
       Ao agradecer Eddie pela gua, Carly abriu o seu prprio laptop. Ricardo no era o nico que tinha trabalho a fazer. Cinco minutos depois, Carly se envolveu
com a leitura de seus e-mails, mas no tanto a ponto de no perceber a presena de Ricardo. No se esquecera do efeito perturbador que aqueles poucos segundos de
intimidade fsica no carro tiveram sobre ela. Os msculos do seu estmago se contraram, em rejeio  resposta de seu corpo, sua boca secou.
       Eddie disse que o avio tinha um quarto mobiliado... A dor dentro dela ficou mais forte e comeou a se espalhar. O jato decolou e Carly segurou a respirao,
forando-se a no pensar sobre Ricardo.
       - Gostaria de saber mais sobre como funcionam certos aspectos da Prt a Party.
       Obedientemente, Carly colocou de lado a lista que estava estudando. Ricardo era, afinal, um cliente em potencial.
       - Se eu contratasse a Prt a Party para organizar um evento para mim, quem seria responsvel por estabelecer os custos?
       - Eu - Carly respondeu prontamente,
       - E voc faria isso procurando os fornecedores sozinha? Ou outra pessoa, como a Lucy, por exemplo, contrata fornecedores?
       -Normalmente, sou eu. J estamos no ramo h tempo suficiente para termos fornecedores que contratamos
       regularmente. Mas, s vezes, um cliente quer usar um fornecedor especfico de comida, ou de flores ou de msica. Quando isso acontece, podemos negociar com
eles cm nome do cliente ou, o cliente pode negociar direta-mente com eles, se preferir. No segundo caso, o cliente fica responsvel por pagar o fornecedor. Quando
ns ficamos responsveis pelo oramento e pela conta, sabemos exatamente quanto tudo vai custar, o que nem sempre acontece quando o cliente contrata o fornecedor.
       - Presumo que vocs obtenham bons preos dos seus fornecedores regulares?
       - Claro, e repassamos aos clientes no nosso preo final pelo evento. Mas o desconto no  o nico critrio que usamos quando selecionamos fornecedores. Qualidade,
credibilidade e exclusividade frequentemente so mais importantes para os nossos clientes do que preo baixo.
       - O que voc faz quando fornecedores lhe oferecem algo para que voc os selecione?
       Carly no conseguiu olhar para ele, e comeou a sentir a face queimar. Desde que Nick entrou na empresa, ela recebeu vrias propostas de fornecedores que
insistiam que Nick lhes havia prometido trabalho. O prprio Nick tentou pression-la a contrat-los, mas Carly se recusou. Ela sabia que Lucy jamais autorizaria
prticas desonestas, mas ela no foi capaz de dizer  amiga o que seu marido fazia para no mago-la. E, certamente, no poderia comentar nada com Ricardo, um potencial
cliente.
       - Ns... eu... eu deixo claro que no aceitamos suborno e que esto perdendo tempo - ela disse, consciente de que no dizia totalmente a verdade.
       Ricardo olhou para ela, mas ela se recusou a retribuir o olhar, a sua linguagem corporal refletia a culpa e a mentira que acabara de contar.
       Gorjetas dos fornecedores deveriam adicionar um grande bnus ao salrio de Carly, Ricardo pensou cruelmente.
       Ele se surpreendeu por ela no se aproveitar de estarem sozinhos no avio para se mostrar disponvel. E isso o incomodava? Ele deu com os ombros. No mesmo.
Ele simplesmente presumiu que ela exibiria as suas habilidades para benefcio dele.
       Ele reconhecia os convites sutis que mulheres como ela eram capazes de dar, como se aproximar ao lhe mostrar algo para que sinta seu perfume - que ele ainda
no reconhecera, apenas percebeu que combinava com ela. Ser que era um perfume de marca? Feito sob encomenda? Caro! Criado exclusivamente para ela? Muito caro!
Feito por um perfumista de primeira linha? Muito caro e pago por um homem rico e apaixonado!
       Pelo menos ela no tinha feito plstica nos seios. Percebeu isso quando caiu sobre ele. Mas ela usava um suti simples, sem costura e sem frescura. Com certeza,
algo estranho numa mulher que queria conquistar um homem? E desnecessrio, a julgar pela excelente forma e firmeza daquilo que a me natureza lhe havia dado generosamente.
       Se ela se inclinasse para ele agora, ele acariciaria os seios com as mos, e ainda levantaria a sua blusa para explorar a textura e o formato de seus seios
nus, com os dedos e com os lbios.
       Ele queria saber se a produo dela havia chegado ao ponto de uma depilao bem cavada,  brasileira. Ele pessoalmente no era f desse visual, mas conhecia
homens que exigiam de suas amantes at mesmo a depilado total. Ele preferia algo mais natural, mais sensual. E da tinha cabelos grossos, abundantes, limpos e brilhantes
- que o fazia desejar toc-los. Ele se moveu desconfortavelmente ao tentar mudar a direo de seus pensamentos
       - Pousaremos em alguns minutos.
       Carly sorriu para o comissrio e guardou seus papis. Ficaria feliz em deixar o avio, no por medo de viajar, mas por causa das suas fantasias sexuais. L
estava ela de novo! Pensando em sexo! E tudo porque... Por qu? Porque secretamente desejava ir para cama com Ricardo? Seria bom ter a chance, ela zombou de si mesma.
Mas e se ele lhe desse a chance?
       A primeira coisa que notou ao descer do avio foi um grupo de pedintes, ignorados pelos passantes. Crianas magras e sujas, com roupas esfarrapadas. O mais
novo nem tinha idade para andar. Ricardo foi pegar o carro de aluguel e pediu que esperasse onde estava. Ela viu uma lanchonete ao sair do aeroporto e teve uma idia.
No havia a regra de ouro de dar comida ao invs de dinheiro porque o dinheiro poderia ser tirado deles?
       Arrastando a mala, correu  lanchonete. Quando retornou, no despertou interesse nas crianas. As carinhas murchas e olhos sem emoo derreteram o seu corao.
Quando ela lhes ofereceu comida, mozinha como pequenas garras a pegaram.
       - Euros - as crianas mais velha exigiram, mas ela fez que no com a cabea. Ela podia ver pessoas a recriminando com o olhar, sem dvida, pensando que assim
ela os incentivava a pedir esmolas. Seu celular tocou. Carly sentiu ansiedade e desespero embrulharem seu estmago quando viu que era sua me adotiva quem ligava
- no conseguia pensar nela de outra forma, pois estava presa aos pais adotivos por culpa e obrigao mais do que amor. Culpa por no am-los, e porque ela estava
viva enquanto a filha deles de sangue estava morta.
       Fenella infernizou a sua infncia, e a sua morte por overdose no foi um choque para ela tanto quanto para os pais - como poderia, se vrias vezes Fenella
apareceu em seu apartamento para extorquir dinheiro para seu vcio?
       E claro que Fenella era a filha amada e valorizada, enquanto ela... Impediu esses pensamentos. Ela era uma adulta agora, e no uma criana. Soube o que estava
errado em poucos minutos: seus pais adotivos fizeram uma despesa de muitas mil libras que no podiam pagar. Como gastaram tanto? Carly se sentiu enjoada. Fez uma
conta mental e suspirou aliviada. Tinha apenas o suficiente para cobrir aquelas despesas.
       - No se preocupe, cuidarei de tudo - ela prometeu, lutando para no se entristecer por ver uma quantia grande jogada fora. Ao fim da ligao, voltou-se para
a maleta e seus olhos se arregalaram por no encontr-la.
       Carly tentou no entrar em pnico ao ver Ricardo vindo em sua direo.
       - O carro est ali.
       Ele havia ficado com a sua bagagem de mo e seu laptop.
       - Onde est a sua mala?
       A sua boca secou em pnico.
       - Eu ...er... sumiu - ela lhe disse, desconfortavelmente, sabendo que s podia ser culpa dela, e que seu alo de caridade saiu pela culatra. - Sumiu. Acho
que roubaram.
       Ricardo entendeu a sua mensagem pouco sutil. Perder a sua bolsa era uma maneira de comear a renovar o seu guarda-roupa. O que ser que ela fez com a mala?
Armazenou?
       - Ento, agora voc no tem nenhuma roupa para vestir? - ele disse solidrio. Ele faria o seu jogo por enquanto, ao menos para ver o seu modo de agir. Carly
expirou estremecida, aliviada por ele estar levando tudo numa boa.
       - No, nada alm da minha roupa do corpo - e, graas  ligao que acabara de receber, no poderia pagar pelo que perdera, percebeu com tristeza.
       - Irritante, eu sei. Mas ao menos poder receber seguro das suas roupas mais tarde - ele disse friamente e a observou. Tinha de admitir que ela fingia muito
bem - com aquele suspiro e aquela piscadela que pedia uma  resposta.
       - Voc tem seguro, imagino?
       - Tenho - Carly disse.
       Mas o seguro no lhe permitiria repor as suas roupas de grife, ela se deu conta.
       - Ento, no h nenhum problema, h? - Ricardo disse suavemente - Afinal, voc est num dos melhores lugares do mundo para compras, no est?
       - Tenho certeza de que tambm  um dos mais caros - Carly concordou ironicamente. - Preciso ir a uma delegacia fazer um boletim de ocorrncia, suponho. -
Ricardo ouvia atenciosamente. Ela se saa muito bem.
       - Duvido que isso sirva para alguma coisa, e voc pode dar queixa por telefone quando chegar ao vilarejo, se desejar.
       Ele tinha pressa em chegar, e ela estava atrasando a viagem, Carly notou devido as suas palavras. E ele era um potencial cliente. Ento, o que faria agora?
No daria para manter a promessa aos pais adotivos e, ao mesmo tempo, repor o guarda-roupa. Nenhum de seus investimentos poderia ser regalado rapidamente, e detestaria
trazer mais despesas  empresa por causa do que perdera - especialmente, quando havia um problema de fluxo de caixa.
       E esse no era um bom momento de se lembrar que sempre aconselhava Jules e Lucy a no ter cartes de crdito como ela.
       Ela tinha algum dinheiro para despesas pessoais, provavelmente, apenas o suficiente para comprar algumas rocinhas, reconheceu ironicamente.
       O que significava...
       O qu?! Era sbado, o seu banco estaria fechado.
       Poderia conseguir um emprstimo aqui, com o seu francs limitado? No era uma boa idia. Ligar para Jules, explicar o que ocorrera, e pedir dinheiro emprestado?
Se ela conseguisse encontrar Jules! Mas Jules, provavelmente, contaria a Lucy, que insistiria em mandar dinheiro da empresa. Poderia pedir a outra pessoa para lhe
ajudar? Quem? Um dos fornecedores? Ou... olhou, sem certeza, para Ricardo ao segui-lo para o carro.
       No havia nada que detestasse mais do que dever favor. At mesmo pedir dinheiro emprestado era contra seus princpios. Se fosse dinheiro para si mesma, preferiria
passar fome a pedir emprestado. Mas no era. E o seu compromisso com seu trabalho era mais forte do que seu orgulho.
       Ricardo olhou para Carly ao chegar no carro. Era bvio que ela esperava que se oferecesse para repor as suas roupas. Pobre menina - como poderia sobreviver
sem a bagagem e apenas o que vestia? No poderia - e como ela estava ali em parte por sua causa, naturalmente que ele, um homem rico, deveria lhe oferecer um guarda-roupa
apropriado. Como no agiu assim, observou qual seria o prximo passo dela.
       Ser que Saint Tropez teria brechs? Lojas de caridade? Carly se perguntava bem preocupada ao agradecer Ricardo por lhe abrir a porta. Certamente teria. As
francesas eram descoladas nesses assuntos.
       - Algo errado? - Ricardo perguntou suavemente.
       Ficou tentada a admitir que tudo ia mal, embora duvidasse que ele se espantasse com uma conta de quatro mil libras. Ela optou por ser discreta, e disse calmamente:
       - No esperava que voc fosse dirigindo. Pensava que usaria um chofer.
       O tpico pensamento de mulheres da sua laia.
       - Mesmo os bilionrios, s vezes, gostam de economizar - ele disse secamente, antes de dizer a verdade. - Gosto de dirigir, cresci em Npoles, e se voc consegue
dirigir l e sobreviver, dirige em qualquer lugar.
       O carro era simples e forte, mas para a felicidade de Carly o ar-condicionado funcionava bem.
       Pararam num engarrafamento, na calada, um moo estendeu a mo e ofereceu um pssego a uma linda moa. Enquanto Carly a observava, a menina, sem notas nada
alm do menino, segurou a mo dele entre as suas e, sem desviar dos olhos dele, mordeu a frua madura, o sumo escorreu sobre eles.
       Aquela cena, to sensual e ntima, imediatamente fez Carly voltar o seu olhar para Ricardo. Ser que poderia ler em seus olhos que imaginara como seria aquela
cena
       com ele lhe oferecendo o pssego? Se o suco escorresse na pele dela, ser que ele o teria provado com a lngua? Ser que ele? Ela estremeceu, gotas de suor
inundaram sua testa, e o corpo se pressionou contra o cinto de segurana, quando Ricardo acelerou o carro.
       Qual era problema com ele? Ricardo se repreendeu silenciosamente. No era estpido o suficiente para cair no truque de seduo mais velho do mundo. Veja meus
lbios, observe minha boca, imagine...
       Aqueles olhos malditos o faziam perder o controle. Como ela conseguia faz-los brilhar de desejo quando estava ali a servio? Que inferno, quase o convenceu
de que a cena com o pssego a deixou louca por ele como se fosse o ltimo homem sobre a Terra. No que ele precisasse ser persuadido. Queria pensar que ela o desejava.
       CAPTULO QUATRO
       - Onde ficaremos? - Carly perguntou a Ricardo com esperana de que seria perto da cidade e do porto. Ela precisaria de acesso fcil para lidar com os forneci;:
dores, ir ao banco e comprar roupas.
       - Vila Mimosa - Ricardo respondeu. - Na verdade, fica fora de Saint Tropez, no alto da montanha, com vista para o mar. No gosto de lugares da moda super-movimentados.
Invariavelmente, qualquer pequena propaganda de TV atrai multides que destroem todo charme de um lugar. Eu gosto de privacidade e, pessoal mente, prefiro qualidade
 quantidade sempre.
       - Ah, sim, eu tambm - Carly concordou imediatamente. - Mas eu realmente preciso chegar a Saint Tropez com facilidade.
       - Ah, voc est pensando em repor as roupas perdeu - Ricardo disse amavelmente.
       Carly no conseguiu conter o riso.
       - Tambm, mas estava pensando mais no contato com os fornecedores.
       - Hmm. Pensei que essa viagem era para voc fazer contato comigo - Ricardo disse baixinho.
       Droga, ele se xingou mentalmente, quando notou que1 Carly percebera a cantada. Por que dissera isso? Por que Fio esperou que ela desse em cima dele? Agora
saberia que ele estava receptivo!
       Ricardo acabara de lhe passar uma cantada! Uma mistura de prazer e excitao percorreu as suas veias. Cuidado, ela se preveniu. Lembre-se de que voc no
quer perder o controle. Por outro lado, talvez estivesse cautelosa demais, o seu senso comum lhe dizia que um homem como Ricardo no estaria interessado em compromisso.
O que era perfeito para ela que no queria se apaixonar, mas se perguntava - admitiria pela primeira vez - como seria fazer sexo com um homem que certamente seria
um amante como nenhum outro? Por que no poderia ser irresponsvel apenas uma vez?
       - Bem, quero fazer tudo para agrad-lo.
       Carly nem conseguia acreditar no que disse. Palavras provocantes com certeza.
       Ricardo olhou para ela. Assim estava melhor! O olhar dele era inconfundvel, Carly notou. O seu corao acelerou e o desejo percorreu seu corpo como mel quente.
       - Chegamos.
       - O qu? Ah, sim.
       Ela corou. Ricardo ficou maravilhado ao parar o carro. Os mamilos dela pressionavam o tecido da camiseta, num sinal claro de excitao.
       Ridculo, de repente ele a desejava como se fosse a sua primeira vez.
       Poderia pedir a ajuda dele logo, Carly decidiu. Porque assim que entrassem na casa... o que aconteceria?
       Ela estava esperando que a levasse para a cama? Seus pensamentos tanto a chocavam como a deleitavam. BJ havia urgncia! De repente, queria acabar logo com
o problema do emprstimo e a dificuldade em lhe pedir!' isso. Para deixar espao para flertarem e irem para  cama?
       Seus pensamentos lhe causavam estranhamento. Precisava se acostumar a eles. Mas no os abandonaria no ?
       Ento, deveria comear pelo comeo. Pigarreou e inspirou fundo:
       - Ricardo... Eu... ara...
       A voz enroscada dela cumpria bem seu papel, Ricardo pensou, ao esperar que continuasse.
       - Eu me sinto muito mal sobre isso, mas...
       - Sim - ele a encorajou quando ela gaguejou.
       Afinal, quanto mais cedo acabasse a farsa, mais rpido poderia matar a sede de possu-la, que j se tornara um anseio selvagem, onipotente e onipresente.
       Carly ficou grata pela gentileza do encorajamento de Ricardo.
       - Preciso repor algumas peas que estavam na mala. No quero preocupar Lucy - afinal  a minha obrigao lidar com as contas e... sei como  isso - o seu
rosto estava em chamas - gostaria de saber se voc pode me emprestar dinheiro, apenas temporariamente, claro.
       Por que pensara que isso seria uma boa idia? Carly se perguntou, sentindo-se muito envergonhada. Ao se ouvir, sentiu horror pelo que estava fazendo. E se
ele recusasse o pedido? O que pensaria dela?
       - Eu me sinto mal em pedir - admitiu honestamente.o - mas no tenho escolha.
       Verdade? No possua uma conta bancria? Um carto de crdito? A habilidade de ir a um banco?
       -  apenas um emprstimo, eu lhe pagarei, claro.
       Com certeza - e com juros.
       Muitas respostas possveis se apresentaram a ele, mas no final decidiu optar pela mais inacreditvel, j que Carly era to insensvel.
       Ento, ele sorriu e depois lhe disse suavemente, segurando a sua mo:
       - Ser um prazer ajud-la. De quanto precisa?
       Ela olhou para ele estarrecida, levemente corada, boquiaberta, como se no acreditasse na sua sorte.
       Esse ato herico merecia um prmio generoso, Ricardo pensou ironicamente.
       - Espere! Tive uma idia melhor! - Mas claro que ela tivera essa idia primeiro que ele.
       - Por que no vamos juntos a Saint Tropez amanh, e voc pode escolher tudo o que precisa.
       Por alguma razo, ela no ficou to feliz quanto ele imaginara. Ricardo fizera uma proposta maravilhosa, mas ela no tinha certeza se poderia aceitar, Carly
pensou ao lhe agradecer:
       -  muita generosidade sua.
       - Tenho prazer era ajudar - Ricardo garantiu, antes de acrescentar: - Venha, vamos entrar.
       Carly estava acostumada a lugares belos e magnificentes, mas Vila Mimosa era de tirar o flego. Localizava-se num morro com uma vista inesquecvel para o
Mediterrneo.
       Da sacada do quarto, ela podia ver os jardins perfeitos aps a linda piscina. E apesar de j terem chegado h algumas horas, ela continuava indo ver a vista.
       A senhora francesa que os recebeu avisou que era a . empregada, mas que no morava na casa. Carly deve ter ficado surpresa com a informao, porque logo Ricardo
lhe explicou que ou tinha a sua equipe de funcionrios pessoais para atend-lo, ou preferia no ter ningum.
       - Meus funcionrios sabem como gosto das coisas e sabem que aprecio a minha privacidade. Est no meio da tarde, e tenho alguns negcios a cumprir - ele disse.
- Podemos nos encontrar s seis? Eu prefiro jantar aqui, posso pedir que entreguem alguma coisa - acrescentou mansamente.
       O corao de Carly acelerou com as possveis conseqncias de jantarem a ss.
       - Perfeito - ela respondeu - preocupada em ter revelado entusiasmo no olhar.
       Ele disse s seis, e agora eram cinco. Ela no tinha como se trocar, mas com certeza se arrumaria.
       Meia hora depois, aps o banho, ainda enrolada no roupo que encontrara no banheiro, ouviu uma batida na porta. Ela abriu e Ricardo entrou, trazendo taas
de champanhe.
       - Preparei um Bellini. Espero que goste.
       - Ah, sim, gosto.
       Ao contrrio dela, ele estava vestido com cala de linho escura e camisa de linho branca. Seus ps morenos em sandlias de couro.
       Ele veio at onde ela estava sentada, colocou um copo sobre o criado-mudo e lhe entregou o outro.
       - Experimente - disse a ela.
       Beber do copo que ele segurava no seria uma experincia to ntima, seria? E por que no conseguia parar de olhar para os dedos dele? Tentou se focar em
outra coisa, mas a nica outra coisa em que se focar era o que estava bem na sua linha de viso: um volume enorme na cala dele. E o pior, ela no conseguia desviar
os olhos.
       -  maravilhoso - ela disse apressadamente, tomando um gole e virando o rosto.-No havia me dado conta da hora. Preciso me vestir.
       Ele deu com os ombros.
       - Pode ficar como est. Espero que goste de lagosta.
       - Eu adoro - ela disse verdadeiramente.
       - Espero que o servio gourmet que entregou a comida seja bom como falam. Pensei que poderamos comer l fora na varanda.
       Estava claro que queria que o seguisse. No teria escolhido um roupo de banho como vestimenta para o jantar, mas parecia no ter alternativa.
       - Eu fiquei grata pela sua gentileza com o dinheiro - ela disse.
       - timo. Talvez mais tarde voc possa me demonstrar o quanto, hein?
       Ricardo a observava cinicamente, enquanto ela lhe! deu um olhar chocado, que logo se transformou numa nvoa de excitao em seus olhos escuros. Mas o cinismo
no o impedia de quer-la. Na verdade, ele passara as ltimas horas pensando em satisfazer a sua vontade. E, por isso, acabou vindo ao quarto dela.
       Ser que Ricardo estava lhe dizendo o que pensou que estava? Carly se perguntou confusa. Ou ser que estava deixando a sua imaginao tomar conta?
       Ao menos Jules e Lucy ficariam felizes de saber que entregaria a sua virgindade. Entregar essa era uma palavra to emotiva, uma palavra to sensual. E, irresponsavelmente,
ela estava querendo se entregar ao prazer com Ricardo,
       - Ou voc prefere comear agora?
       Os olhos de Carly se arregalaram ao v-lo se aproximar e abaixar a cabea em direo a ela, com a mo de leve sobre o seu rosto.
       Ela nunca tinha sido beijada daquela forma antes. No houve nenhum outro contato alm dos lbios e dos dedos a acariciar o rosto dela. A sua boca se movia
com fora sobre a dela, e Carly, instintivamente, fez o mesmo, aproximando-se  medida que a lngua dele se aprofundava na sua boca, possuindo-a completamente.
       Ela levantou os braos para abra-lo, mas ele a impediu, segurando os seus ombros, soltando a sua boca e afastando-se dela.
       Enquanto ela o olhava, confusa, ele desamarrou o cinto do roupo e o retirou em um movimento brusco, deixando-a completamente nua.
       A nica coisa que a cobria era o rubor do seu corpo. O olhar dele percorreu seu corpo rapidamente, como uma guia faz com sua presa. Foi dos ombros aos seios
arredondados, pesados de excitao, a pele clara e sedosa se contrastava com a aurola rosada de onde os seus mamilos rijos se empinavam avidamente.
       As costelas formavam a curva fina da sua cintura e, abaixo, se abriam as suas ancas de onde pernas muito longas e bem torneadas se estendiam. Uma cobertura
de cachos escuros formava um tringulo protetor sobre os lbios do seu rgo sexual.
       Sensaes diferentes o tomaram, mas no fundo eram apenas o mais antigo e poderoso dos desejos masculinos. O seu olhar se fixou nela como se seu corpo fosse
um im do qual no conseguia se afastar.
       Ele a queria como nunca quis nenhuma outra mulher antes. O seu rgo sexual doa da excitao rpida e intensa. Ele queria tom-la imediatamente, brutalmente,
penetrando-a e preenchendo-a, como se assim pudesse se livrar do desejo que sentia por ela. E ao mesmo tempo, queria saborear a experincia de possu-la.
       Carly se sentiu como uma virgem oferecida a um sulto - consciente da sua nudez, e ao mesmo tempo excitada por ser vista daquele jeito. Ser que era pelo
poder que obteve sobre ele ao saber que a desejava?
       O volume entre as pernas dele aumentou de tamanho, fazendo-a querer muito toc-lo e acarici-lo. Carly passou a lngua nos seus lbios. Nenhum homem a olhou
como Ricardo. Com tamanho calor de desejo que ela poderia jurar que a pele dele queimava junto  sua. Mas nenhum outro homem a vira assim - totalmente nua, vulnervel,
completamente revelada. Ela sentia o pulsar da excitao em seu corpo.
       Ricardo lhe entregou o copo, que ela pegou com insegurana.
       - Voc tem um corpo lindo - ele lhe disse, sem emoo. - Fico tentado a lhe pedir que permanea assim para que eu continue tendo o prazer de apreci-la, mas
no tenho certeza que teria autocontrole para tanto.
       Ele se abaixou para pegar o seu roupo e o entregou a ela. Quando ela se inclinou para segur-lo, ele abaixou a cabea-e tomou um mamilo rijo em sua boca.
As dores que sentia em seu corpo poderiam ser causadas pela boca em seu seio? Ela gemeu e teve medo de desmaiar. As suas pernas estavam muito bambas, e quando ele
parou, desejou que continuasse, mas ele a vestiu com o roupo novamente, rapidamente e sem cerimnia como quando o removeu.
       - Mais vinho?
       Ela deveria? Carly viu o copo vazio.
       - No, no mais - ela disse firmemente, notando que a bebida j lhe subira  cabea.
       Foi maravilhoso comer ao ar livre no ptio vazio. O ar da noite era leve e perfumado, a brisa suave e quente acariciava o rosto de Carly, e a lua estava cheia
sobre eles.
       Ela deu um gemido sensual ao reconhecer que a memria daqueles minutos no quarto deixara uma marca ertica em seu corpo.
       - Mais lagosta?
       Carly fez que no com a cabea.
       - No? - Ricardo questionou suavemente. - Ento, est totalmente satisfeita?
       Ele estendeu a mo sobre a mesa, segurou a mo dela o a acariciou de leve.
       Por que a sua garganta se contraiu? Carly se perguntou sem capacidade de falar.
       Ela era muito esperta, Ricardo reconheceu. Obviamente, sabia por experincia que os homens gostavam de caar. Insinuou que estava disponvel, mas agora deixava
que ele ditasse o ritmo.
       Ele soltou a mo dela e se levantou. Carly olhou para ele, insegura. Ricardo sorriu para ela e lhe estendeu a mo. Ofegante, ela se levantou. Levando-a pela
mo, ele foi at o muro baixo que separava o terrao do resto do jardim.
       - Espere - Carly protestou, antes de chegarem. Ele a observou ao retirar o roupo. Quis fazer aquilo
       durante toda a refeio, lembrando-se de como a sua nudez atrara o olhar dele antes. Ela nunca soube do seu potencial ertico, mas agora sentia o ar da noite
tocar sua pele com a apreciao de Ricardo.
       Ele parecia ofegante e excitado. Ele a segurou, aprisionando-a entre o seu corpo e um amontoado de gernios nas paredes, a sua mo estava na curva da cintura
dela, uma boca se enlaando  outra,
       Carly se derreteu sobre ele, seus lbios se abrind num convite, seus braos o envolvendo. A lngua dela dura e pontuda, se enroscou na dela em movimentos
bruscos que a fizeram estremecer de prazer.
       Ela queria mais, preencher toda a sua cavidade mida da at que ela no agentasse mais. Ela gemeu de prazer e arqueou o seu corpo junto ao dele enquanto
abria os; botes de sua blusa.
       Ela agia como todas as mulheres que viram nele um ''> futuro fcil, Ricardo disse a si mesmo. Mas as suas { mos ainda deslizavam pelo corpo dela em direo
aos | pesados seios; os seus dedos procuravam os seus mamilos firmes e avolumados como dois dedais.
       Ela gemeu quando ele brincou com a lngua em seus mamilos, acariciando-os, enquanto os dedos dela abriam o seu zper.
       Ele achou que ela o tocaria imediatamente, mas, ao invs disso, ela se esfregou nele, sensualmente, emitindo sons de prazer.
       A altura dela propiciava um encaixe perfeito entre ,' eles, como se fossem feitos um para o outro. Ele soltou os seios dela enquanto ela os esfregava na sua
pele, a mo dele massageou as suas costas at descer pela espinha dorsal, envolver o seu bumbum, segurar as suas ancas. As suas mos escorregaram mais ainda, e seu
dedo entrou na dobra entre as suas pernas. Ele no conseguia ver como os seus lbios vaginais estavam prontos, mas  podia senti-los. Mergulhou os dedos na umidade
do seu rgo sexual.
       Ela fez um som gutural e se moveu contra ele, o movimento do corpo dela o pressionava enquanto ele enfiava a lngua na cavidade macia da sua boca.
       Ela sentiu uma presso entre as pernas, olhou para baixo e viu a cabea grande e inchada do seu pnis. Os dedos dele acariciavam o seu centro mido, entrando
mais intimamente. Quanto mais excitada ela se sentia, gemidos vidos o convidavam a ir mais fundo. Os dedos dela apenas circulavam o contorno duro do seu rgo sexual,
como se ela estivesse com medo de segur-lo. Ou simplesmente queria tortur-lo porque sabia o quanto ele a desejava?
       Pensou em puni-la e se divertir com isso, ao massagear o seu clitris e sentir todo o seu corpo pular e estremecer. Os dedos dela o seguravam, exploravam,
seu toque era frio perto do calor dele. Ele tinha que possu-la.
       Carly choramingou de prazer e agarrou o seu rosto com as mos, pressionando a boca apaixonadamente sobre a dele. Tudo que queria pelo resto da vida era isso,
era ele. Abruptamente, ela se afastou. O seu corao batia irregularmente com o choque que seus pensamentos o sentimentos lhe causaram. Ela se sentiu abatida e enjoada
e reconheceu o perigo que corria. Como aconteceu? Como passou de desej-lo sexualmente a desej-lo como seu homem?
       - O que foi?
       Ela estava muito envolvida em seus pensamentos! para ouvir a frustrao na voz de Ricardo.
       - Desculpe-me... no sei se isso  uma boa idia. Ricardo no acreditou em si mesmo, furioso. Como foi to otrio para deix-la engan-lo de forma to inteligente?
Permitiu excit-lo at nada importar a no ser possu-la.
       - Ento, o que tornaria isso uma boa idia. - Ricardo alfinetou ao segur-la pelo brao e sacudi-la to forte: que ela quase caiu. - Ou devo perguntar quanto
custaria para que se tornasse uma boa idia? Cinco mil? Dez? j Carta branca num carto de crdito?
       Carly ficou em choque.
       - E corta essa - Ricardo disse - j sabia o que; queria do comeo. Nick Blayne deixou claro, no que ; ele precisasse. Estava bvio quando lhe vi naquela
boate, deixando-se apalpar pelo marido de outra.
       Uma lenta e dolorosa paralisia tomava conta de seu corpo.
       - Vamos, responda. Claro que a promessa de um \ emprstimo no seria suficiente. Ento, o que quer? Um i novo guarda-roupa de marca? Um diamante Cartier?
Nick me disse que voc seria capaz de retirar o melhor proveito financeiro de um relacionamento.
       A raiva ardeu dentro dela.
       - Com certeza, sou capaz de saber como ele tira i proveito da empresa e de Lucy - Carly resumiu.
       A humilhao chamuscava a sua pele ao absorver o que Ricardo lhe disse.
       - Bem? - Ricardo perguntou novamente, ignorando a raiva dela - Quanto?
       - Nada - Carly disse orgulhosamente. - Voc pde me ter por nada, Ricardo. Por nenhuma razo alm do meu desejo por voc, por nada alm do benefcio para
mim de transar com voc,
       - O qu? Ele lhe deu um olhar descrente - sei que  uma pssima mentira! Voc quis parar.
       Sim, ela quis, mas no pela razo que ele sugeriu ao insult-la. E agora, certamente, no lhe diria o porqu.
       - Voc est to enganado a meu respeito. Eu nunca leria, nunca - ela parou quando viu o seu olhar orgulhoso.
       - E o dinheiro que me pediu emprestado?
       O dinheiro que pediu emprestado a ele? Claro, isso a comprometeu.
       - Voc no entende,  apenas um emprstimo. Eu o pagarei de volta - ela disse baixinho.
       Ricardo estava implacvel.
       - Ah, entendo. Vamos ver. Voc finge perder a sua mala, depois d em cima de mim, esperando que eu morda a isca. Da voc imediatamente sai fora, pensando
que eu vou desej-la tanto que farei qualquer coisa por voc. No  difcil enxergar - a boca dele se contorcia em desdm.
       Ela pensou que sabia o que era ser humilhada e exposta ao escrnio, mas estava errada. Embora, o pior fosse saber o que ele pensava sobre ela.
       Ela tentou se defender, protestando:
       - Voc est enganado! Mas ele a desafiou:
       - Sobre o qu? Sobre voc dar em cima de mim? - Ele balanou a cabea. - Acho que no. No que voc no tenha aproveitado tambm, ento no finja que no.
Nenhuma mulher fica to molhada como voc ficou e...
       Era demais. Carly reagiu imediatamente e instintivamente como uma fmea ferida. Ela levantou a mo, mas, antes de continuar, Ricardo agarrou o seu pulso de
forma dolorosa.
       - Se quiser jogar sujo, timo - ele disse suavemente - mas lembre-se de que eu cresci nas ruas. Se me bater, prometo que vou revidar. - Quando ele viu seu
rosto, ele riu. - No, no bato em mulheres, mas h outras formas de punio.
       - Voc  um brbaro - Carly sussurrou tremendo. - E voc no tem esse direito, est totalmente enganado - as lgrimas a cegavam, mas ela no deixaria que
a visse chorar.
       - Eu s pedi dinheiro emprestado para no preocupar a Lucy.
       - Sim, claro. Ponha a culpa nos outros. Mulheres como voc so boas nisso.
       Carly ouviu o bastante.
       - Voc no sabe nada sobre mulheres como eu.
       - Pelo contrrio, eu sei bem - Ricardo a interrompeu bruscamente. - Por exemplo, sei que foi criada em bero de ouro, que seus pais so ricos e influentes,
mas que voc no tem como se sustentar. Voc tambm estudou numa das melhores escolas do pas. Resumindo, voc pensa que tem direito a ter tudo do melhor e acredita
ser superior queles que no nasceram com as mesmas vantagens. Voc espera ganhar passagem de primeira classe na vida, de preferncia paga por outra pessoa. Voc
 uma aproveitadora, exploradora, uma caa-nqueis.
       Algo - uma bolha de dor ou de gargalhadas histricas - estava apertando o seu peito e a sua garganta.
       - E sei que voc  um misgino, preconceituoso e mal informado. E como eu disse, voc no sabe nada sobre mim - ela lhe disse, tremendo, antes de dar a volta
nos calcanhares e sair andando.
       Sozinha na segurana de seu quarto, entregou-se aos tremores do susto e se segurou em uma cadeira para se equilibrar. Um dia, talvez, ela se lembraria desse
momento com ironia e, talvez, at com gargalhadas. Porque ele estava completamente errado sobre ela.
       Mas, por enquanto... ela s estava muito grata por lhe mostrar como poderia ter cado no perigo das emoes que sempre temera, e por destruir qualquer vestgio
desses sentimentos. Ao menos, estava livre de qualquer sentimento por ele, com exceo da fria.
       Se fosse possvel, deixaria o vilarejo rapidamente. Mas tinha que pensar em Lucy e na empresa, e Carly fora ensinada, desde cedo, a carregar o peso da responsabilidade
e da gratido. Teria de ficar, lembrar-se por que eles estavam ali e se comportar com a maior cortesia profissional junto a ele.
       E de resto, preferiria ficar nua a lhe pedir um trapo para se cobrir, preferiria morrer de fome a aceitar uma migalha da mesa dele, e se matar a deix-lo
perceber o quanto ele a magoara.
       - Eu sei quem voc  - ele dissera.
       Mas, na verdade, no a conhecia em nada.
       A verdade era... A verdade era um segredo to doloroso que ela no compartilharia com ningum.
       CAPITULO CINCO
       Carly estava no porto, de culos escuros, recebendo as mercadorias com os chefs. Eram onze da manh, e estava acordada desde as cinco e meia. Para a sua sorte,
convencera um motorista de txi a traz-la bem cedo porque precisava escolher com Jeff, o florista, as flores mais frescas para a festa, e acompanhar os dois chefs
na compra dos produtos de que precisavam.
       Ela tentou no olhar mais para o lugar onde mantinha seu relgio Cartier. Gostava muito dele - no pelo valor monetrio, mas pelo que representava. O dono
da loja no demonstrou surpresa ou curiosidade quando ela penhorou o relgio em troca de um monte de euros. Quando chegasse em casa, ou retiraria dinheiro de algum
dos seus investimentos, ou pegaria um emprstimo para reaver o relgio. Ela detestava dever dinheiro, mas no havia nada que pudesse fazer.
       Assim que tivesse uma horinha livre, iria repor as roupas roubadas como pudesse. Isso no seria fcil. Havia vrias lojas da moda e butiques no caminho do
mercado, mas as peas mais baratas eram para adolescentes, enquanto as que lhe serviriam, estavam fora da sua faixa de preo.
       Por sorte, na volta do mercado de flores, encontrou uma barraca de camelo que vendia roupas casuais para turistas, onde comprou calas capri e camisetas.
Comprar calcinhas foi um pouco mais complicado, mas acabou encontrando uma loja pequena que recomendaram a ela, perto da rua George, onde comprou um pacote de calcinhas
brancas e um suti cor da pele.
       O porto estava cheio de iates de luxo brancos dos visitantes ricos, mas o iate dos clientes da Prt a Party parecia o mais caro e glamouroso de todos.
       Carly fizera um tour por ele mais cedo, guiada pela assistente pessoal da Mariella D'Argent, Sarah, que tambm ofereceu generosamente a sua pequena cabine
para Carly se trocar, e depois insistiu em lavar as roupas que usou na viagem na lavanderia do iate.
       -  uma pena que no somos do mesmo tamanho, se no poderia emprestar algo a voc - ela se lamentou quando ficou sabendo sobre a bagagem de Carly.
       - Mas a Mariella  do seu tamanho - acrescentou pensativa.
       - Tudo bem, talvez ela seja um pouco mais alta...
       - E pelo menos dois tamanhos abaixo do meu - Carly completou rindo.
       Mariella D'Argent, a cliente deles, foi uma modelo famosa e bem paga, antes de se casar com o seu marido e financiador. At agora, perto dos quarenta, continuava
linda e, mais ainda, mimada, Carly notou, depois de ouvir educadamente as suas demandas.
       - Hum, e adivinha o que ela faz para ficar assim - Sarah disse ao fazer careta. - Algum dia ela vai trocar as bolas, cheirar o Botox com aquele nariz reconstrudo
por plstica e injetar cocana nas rugas. E tambm h o risco de que ela pegue o Viagra dele enquanto ele toma o Prozac dela, quer dizer, isso se eles ainda dividissem
a mesma cama.
       Carly tentou no rir.
       - Bem, que tal uma dessas batas maravilhosas de algodo que esto na moda? Uma curtinha, usada com cala creme ou branca, e, talvez, um lindo cinto ficaria
timo. Ou uma canga amarrada na cintura, talvez? Esse  um estilo muito em alta agora. - Sarah sugeriu, prestativa.
       Carly balanou a cabea e sorriu, sabendo que os itens sugeridos, apesar do visual casual, eram caros demais para o seu oramento. Ela vira as batas que Sarah
descreveu no caminho para o porto naquela manh. Lindas, feitas de algodo sedoso, com lindos bordados e preos equivalentes a um ms de salrio!
       A festa comearia s dez da noite e, antes, os D'Argent ofereceriam um "pequeno" jantar em terra para cinqenta dos seus convidados.
       - Ento, o que acha disso?
       Cumprindo o seu dever, Carly deu ateno ao florista que lhe mostrava o efeito criado com flores e espelhos para fazer a pequena rea de recepo parecer
maior.
       - Impressionante, Jeff - disse verdadeiramente.
       A equipe de construo estava terminando rapidamente de erguer a estrutura da tenda, de tecido creme com um design em preto para combinar com cores escolhidas
por Mariella D'Argent para a festa: creme, preto e cinza. Atualmente, ruiva, ela ficaria magnfica em qualquer ambiente com essas cores!
       Ao ver o tecido, Carly teve a idia de persuadir algum dos funcionrios a lhe dar um pedao. Enrolado na cintura dela, ficaria lindo - mas talvez muito bvio?
Por outro lado, vestindo isso ela certamente desapareceria no ambiente!
       Um sorriso travesso enfeitou seu rosto, e foi assim que Ricardo a viu quando chegou de carro ao porto. Ao acordar, pensou que Carly ainda estava dormindo,
e s perto do meio-dia, quando decidiu procur-la, descobriu que havia deixado o vilarejo sem ele. Sentiu uma mistura de emoes por isso, entre as quais, o mais
perturbador sentimento de posse masculino: o cime.
       Isso tudo porque ela o excitou? Ela estava longe de ser a primeira mulher a fazer isso, e nunca foi possessivo com as outras! Bem no fundo, Ricardo tinha
conscincia do efeito poderoso sobre as suas emoes que ela causava. Ela provocava a sua ira, e no saa do seu pensamento.
       Ele ainda estava a vrios metros, quando Carly sentiu sua presena, alertada pelo latejar do seu corpo, que a fez virar, apreensiva.
       Com calas de linho de cor natural e camisa de linho branca, culos escuros, ele estava em casa no ambiente caro de Saint Tropez e Carly no ficou surpresa
em ver vrias mulheres pararem para apreci-lo enquanto ele andava em sua direo.
       - Como voc chegou aqui?
       A pergunta foi curta e grossa.
       - Chamei um txi.
       As sobrancelhas dele se cerraram.
       - Voc poderia ter me pedido para traz-la.
       Ela lhe deu um olhar enraivecido, e virou as costas sem responder.
       Imediatamente, ele a segurou pelo brao.
       - Eu disse.
       - Ouvi o que disse - Carly o interrompeu - e para a sua informao viria a p se fosse preciso em vez de pedir a sua ajuda.
       Uma voz interior a relembrou que ela decidira trat-lo com profissionalismo.
       - Seu orgulho ferido no vai lev-la a lugar nenhum comigo, Carly - ele disse. - Vejo que conseguiu comprar roupas - acrescentou secamente.
       De forma alguma ela lhe diria que o txi e as roupas custaram quase todo o valor da penhora do relgio, e que restava na bolsa apenas o suficiente para um
caf e um sanduche. Ela se afastou dele. Uma pequena comoo na sada do iate a fez voltar o olhar para Mariella D'Argent, cercada por vrios dos seus funcionrios
pessoais e vindo em direo a eles.
       A ex-modelo estava maravilhosa. Vestia cala capri justa, de cintura baixa, que revelava a barriga lisa e os ossos da bacia, e um contrastante top de gola
rul que deslizava sobre os seios perfeitos, embora estranhamente rijos, sem suti. Um grande chapu de palha e culos escuros enormes protegiam seu rosto do sol.
Nos ps, sandlias de salto alto muito macias.
       Ela ignorou Carly, e sorriu calorosamente para Ricardo, exclamando entusiasmada:
       - Ricardo, querido, que maravilha. No sabia que estava aqui em Saint Tropez, Voc precisa se juntar a ns hoje  noite. Faremos uma pequena festa para inaugurar
o iate.
       Carly viu Ricardo sorrir ao aceitar o convite, sem dizer que j pretendia estar presente.
       - E voc tem que vir ao jantar que faremos primeiro
       - para poucos convidados selecionados.
       Nas costas de Mariella, Sarah olhou para Carly e fez careta.
       - O que est fazendo agora? - Mariella perguntou.
       - Vamos para a praia Nikki. Porque no vem tambm?
       - Acho que no, Mariella. - Carly ouviu Ricardo responder com firmeza.
       - Acho que superei a fase de pagar um preo inflado para comprar urna garrafa de champanhe e derramar sobre o peito igualmente inflado de alguma modelo.
       Mariella deu uma gargalhada, um feito impressionante, pois nenhum de seus msculos faciais se mexeu, Carly notou, e depois se recriminou por ser to venenosa.
       - Isso no vai agrad-la - Sarah disse a Carly quando se aproximou. - E ela j est irritada por que a revista "Hello!" no vai mais escrever duas pginas
sobre a festa. Quem  o gato, por falar nisso? - sussurrou olhando para Ricardo.
       - Um potencial cliente - Carly respondeu. - Ele quer ver como a gente trabalha.
       - Hum... - ele certamente alegrou o dia de Mariella. Quer apostar que ela j est planejando como lev-lo  cabine, e escolhendo a lingerie que usar?
       - Acho que ela no ter muito trabalho - Carly disse suavemente - eles so da mesma laia.
       Ento, por que estava sentindo tanta dor ao pensar nos dois juntos?
       Era frustrao, apenas, ela se convenceu, ao continuar ignorando Ricardo com as costas voltadas para ele. Porque depois que o desejo percorreu as suas veias,
quando ele veio at ela, no agentaria encar-lo.
       Da mesa em que estava, na cafeteria do porto, Ricardo tinha uma viso panormica do iate e de todas as operaes orquestradas por Carly.
       Na noite passada, ele ficou com muita raiva para prever como ela reagiria s acusaes que lhe fez, no imaginava que ela se esconderia por trs de uma fachada
de educao e profissionalismo. Se por um lado ela lhe dava toda a oportunidade de testemunhar os preparativos do evento e perguntar o que quisesse, por outro, deixava
claro que se arrependeu de cada segundo que passaram juntos.
       A sua encenao de uma mulher cuja moral inquestionvel fora ofendida era impressionante, ele admitiu. Mas, para a infelicidade dela, ele sabia que no era
assim. Era irritante que as informaes financeiras da Prt a Party eram do ano anterior, o que significava que os nmeros a que tinha acesso estavam desatualizados.
Ele dera instrues para receber informaes mais atualizadas sobre as finanas, mas isso teria de ser feito discretamente. No queria alertar ningum sobre a sua
inteno de adquirir a empresa.
       Ele pegou o jornal esquecido sobre a mesa e o abriu. O italiano era a sua primeira lngua, mas ele era fluente em muitas outras, inclusive francs. Comeou
a folhe-lo quando uma fotografia sentimental lhe chamou a ateno. Com as sobrancelhas cerradas, ele viu, descrente. Um " anjo da misericrdia", era como descrevia
a moa que distribua sanduches para crianas de rua. A mulher era definitivamente Carly. Ele tambm reconheceu o aeroporto e a mala - sendo levada por um homem.
Fechou o jornal, com um gosto amargo na boca.
       Est bem, talvez, apenas talvez, a mala dela tivesse mesmo sido roubada. E o ato de caridade ele percebeu a mo dela estendida em direo s crianas menores
e mais fracas, assegurando que recebessem a comida que distribua. Sabia desde menino o que era ter de pedir comida.
       Uma limusine encostou-se  frente de Carly, e vrias pessoas desceram. Um deles, ele reconheceu como o maior violinista clssico da atualidade, contratado
para tocar enquanto os convidados chegavam. Carly se apresentou a ele e a sua equipe. O violinista, diferentemente dos outros funcionrios, foi convidado a participar
da
       festa mais tarde, e foi hospedado num luxuoso quarto de hotel em Saint Tropez pago pelos D'Argent. Naturalmente, o msico queria saber onde tocaria e eficientemente
Carly respondia s perguntas.
       Por dentro, ainda se sentia mal com o choque e a tristeza pelas acusaes de Ricardo, mas estava ali para fazer seu trabalho e no para ceder s emoes.
E ainda, tinha muita experincia em esconder a dor da humilhao, graas ao seu passado. Seus pais adotivos a procuravam por dinheiro, mas foi  filha e no a ela
que deram amor.
       Ricardo se levantou e foi em direo a Carly.
       - Vou voltar ao vilarejo em breve. Voc com certeza vai precisar de uma carona para poder se arrumar para a festa. Se precisar de uma carona
       - No preciso - Carly disse logo, sem levantar o olhar de uma das contas que conferia.
       - Pare de bancar a injustiada, Carly - Ricardo disse grosseiramente -, no me comove.
       - No quero discutir.
       - Voc pensou que tinha me enganado, e no gostou de ser desmascarada.
       - No. Eu no gostei de pensar que havia algo desejvel em voc.
       - Mas voc me desejou, no foi?
       - Voc vai me dar licena, Sr. Salvatore, mas tenho trabalho a fazer.
       Mesmo sem olhar, soube quando ele se foi.
       - Como vo as coisas?
       Carly deu a Sarah, a assistente, um sorriso um pouco perturbado.
       - Tudo bem, at agora s houve um desentendimento entre os chefs.
       Sarah riu.
       - Voc tem sorte - ela disse - isso  pouco quando os D'Argent esto envolvidos. Nada supera o quanto ela briga com ele. Voc encontrou algo para vestir?
       Carly fez que no com a cabea.
       - No tive tempo - ela disse verdadeiramente.
       - Ser que isso resolve? - Sarah perguntou, mostrando a cesta que trouxera, cheia de roupas.
       - So roupas que Mariella me disse para jogar fora | h muito tempo - seriam perfeitas para voc essa noite - disse pegando um monte de tecido de seda preto
do topo do cesto.
       - E um tipo de top com pantalonas em uma pea s. A seda fina deu gua na boca de Carly.
       - Tem certeza de que Mariella no vai se incomodar? - Carly se preocupou
       - Duvido que ela note. Principalmente, depois do champanhe e da cocana - Sarah respondeu.
       -  bem transparente - Carly hesitou.
       - Voc pode usar algo embaixo - embora Mariella no usasse nada. Ah, e vai precisar de sapatos altos - deve ser capaz de encontr-los no mercado enquanto
eles jantam. E pode usar a minha cabine para se trocar.
       Carly lhe deu um olhar agradecido.
       - Estava me perguntando como conseguiria tempo para isso - ela admitiu - no me arriscaria a deixar os chefs sozinhos por muito tempo, e prometi ao Jeff que
no deixaria ningum tocar nas suas plantas,!
       Sarah riu e balanou a cabea.
       - Quando o meu prncipe me salvar de tudo isso? - Sarah suspirou.
       CAPITULO SEIS
       - Aqui vm eles...
       Carly deu a Sarah um sorriso distrado, enquanto ambas observavam a longa fila de limusines que traziam os convidados dos D'Argent.
       Carly vestira a roupa preta que Sarah lhe dera, e estava desconfortvel com o quanto era reveladora. Nem mesmo as roupas de baixo, cor da pele, disfaravam
o efeito das camadas de tecido transparente ao redor de seu corpo, revelando a cada movimento o brilho sensual da sua pele.
       Se tivesse escolha, teria vestido outra coisa. Sarah quis ser gentil, mas aquelas roupas no eram discretas e adequadas ao trabalho. E as outras, eram to
inadequadas quanto estas.
       Ao se aproximarem do porto, as pessoas olhavam para ela, em especial os homens que lhe davam olhares ousados e lascivos.
       Dois lees de chcara vestidos a carter verificavam os convites antes de permitir a entrada  rea restrita, onde garons uniformizados ofereciam coquetis
de champanhe aos convidados. Os copos estavam dispostos em bandejas brancas e os coquetis eram de cor cinza.
       - O que  isso? - Carly sussurrou ao maitre.
       - Champanhe, licor e corante - ele disse secamente - Mariella D'Argent exigiu que os drinques fossem cinza!
       Antes do retorno dos D'Argent, Carly fizera uma inspeo rpida nas reas de recepo do iate para se certificar de que tudo estava nos devidos lugares. Particularmente,
achou exageradas as milhares de luzes sob o cho de vidro, mas os decoradores lhe garantiram que eram discretas perto do pedido de outros clientes.
       O violinista comeou a tocar, os convidados do jantar retornaram, e Mariella foi vestir sua roupa especial para a festa. Chegou um grupo de senhores com suas
namoradinhas jovens, que usavam vestidos mnimos e justos, excessivamente bordados, e cambaleavam nos sapatos altos. Eram todas loiras oxigenadas. Carly suprimiu
um suspiro. Mais convidados chegavam e Carly reconheceu as celebridades: uma atriz famosa, a filha de um astro pop, algumas ex-modelos acompanhadas de belos homens.
       Mas Ricardo no havia chegado ainda. No que estivesse procurando por ele!
       - Preciso ir, devo ficar de prontido, caso Mariella necessite de mim - Sarah sussurrou.
       Fazendo sim com a cabea, Carly continuou a monitorar discretamente quem chegava.
       - Os coquetis vo acabar a qualquer momento - o maitre avisou.
       Levou mais de uma hora at todos chegarem, e a essa altura Carly estava no andar de baixo, no salo principal, cuidando dos procedimentos e evitando Mariella,
com medo de ela se opor a Carly vestir suas roupas descartadas.
       Drogas corriam soltas, e o som das risadas crescia  medida que faziam efeito. Alguns convidados j comeavam a se comportar mal por causa disso. Um magnata
da mdia agarrou uma garota quase na frente de Carly, e comeou a acariciar as suas partes ntimas, enquanto a prpria menina o encorajava.
       Esse estilo de vida no a deixava confortvel, Carly refletiu com repulsa. Ela no sabia como algum poderia sentir prazer com algo to destrutivo.
       As drogas eram uma maldio na opinio dela, pensou, com os olhos escurecidos ao se lembrar da triste que causam.
       Ela sentiu uma batida no seu brao e, ao virar, viu u senhor devor-la com os olhos.
       - Venha comigo - ordenou, bbado.
       - Desculpe-me, no sou uma convidada, estou trabalhando - Carly lhe disse educadamente, tentando s libertar dele.
       - timo, ento trabalhe para mim na cama - ele respondeu. - Pago bem, viu?
       Carly se sentiu enjoada. Era assim que os homens tratavam as mulheres, como algo que podiam comprar? Como um investimento para ser usado? Ou ela atraa homens
assim porque eles instintivamente sabiam de onde ela vinha?
       - Lixo!
       Ela reagiu como se tivesse sido esfaqueada ao ouvir novamente a palavra que a humilhara durante toda a infncia.
       - Voc  um lixo, sabia? Lixo. Na verdade, foi l que a encontraram, jogada no lixo, enjeitada, e  l que deveria ter ficado.
       Podia sentir o hlito quente do homem, ento, virou-se para exigir que a soltasse e ficou tensa quando viu Ricardo do outro lado do salo a observ-la.
       Ele sabia que tipo de mulher ela era, Ricardo se relembrou brutalmente, ento por que sentia cime ao ver outro homem tocando o brao de Carly com intimidade?
E por que diabos ele agora estava atravessando o salo para busc-la? Afinal, vira a companhia masculina dela agarr-la como se fosse sua propriedade. Mas o que
o fizera disparar no meio da multido no era solidariedade masculina, ou o desejo de alertar a vtima sobre quem ela era, no ? Ele se ridicularizou sarcasticamente.
       Na verdade, preferia no analisar por que a viso de outro homem a segurando o provocava. Em vez disso, preferiu canalizar sua raiva ao pensar que aquele
homem tinha to mau gosto para roupas - porque certamente comprara as que Carly vestia - quanto ela para homens. Eles se mereciam, e Carly merecia o que aconteceria
com ela por se vender a algum que tinha estampado na cara o canalha que era.
       Mas Carly no estava l para ter relaes com outro homem e pretendia relembr-la, em termos claros, que ele deveria ser sua prioridade. Como ousava rejeit-lo
e deixar aquele gordo suado colocar as mos sujas em cima dela? Onde estava seu orgulho? Seu amor prprio? Nunca lhe ocorrera que ela era inteligente o suficiente
para se sustentar sozinha em vez de se rebaixar se oferecendo a qualquer homem que lhe comprasse algumas roupas de grife?
       - Ei, voc!
       Carly fitou o homem de tom arrogante, ele e aquele que a segurava pertenciam  mesma turma de russos.
       - Quanto cobra?
       Ele j abrira a carteira e retirava dinheiro dela. Uni terceiro se juntou a eles, mais alto e magro, com ar de autoridade. Ele falou rispidamente com os outros
e, para alvio de Carly, eles a soltaram imediatamente.
       - Peo desculpas por meus compatriotas - espero que no pense que todos os russos so assim.
       Ele era charmoso e muito bonito, Carly reconheceu.
       - Claro que no - garantiu.
       - Est sozinha?
       Algum deu um empurro e ele a protegeu com o brao. Inesperadamente, Carly se sentiu uma mulher frgil e vulnervel. No estava acostumada a ser protegida.
       - Fao parte da empresa que est organizando o evento - explicou.
       - Ah, ento voc  a responsvel por essa festa maravilhosa?
       Ele era galanteador, alm de charmoso, Carly percebeu.
       - Em parte.
       - E voc est  bordo do iate?
       - No, eu... Carly parou de falar ao ver Sarah, e o maitre vindo em sua direo. - Por favor, me d licena, mas preciso voltar ao trabalho.
       - Hmm, Igor estava cantando voc. Mariella no vai gostar nada disso - Sarah avisou Carly, depois de lidarem com o maitre. - Ela j o havia escolhido como
um potencial marido. Agora ter seu plano destrudo porque certamente no  a nica interessada na sua fortuna. Meu Deus, detesto esses eventos - Sarah reclamou.
- No sei por que no peo as contas e vou para casa.
       - E por que no?
       - Digamos que h um homem l que no posso ter - Sarah disse, desolada - preciso de um drinque, volto j...
       Carly estava de costas, vendo Sarah se afastar, quando Ricardo finalmente conseguiu chegar perto dela.
       - Perdeu o seu admirador?
       Carly ficou tensa e depois se virou para olh-lo de frente. Antes que pudesse se defender, ele prosseguiu:
       - O que deu em voc para permitir que ele lhe comprasse essas roupas? Voc parece uma prostituta - disse sem pena - ou ser que a inteno era essa? Ele parecia
estar fazendo bom negcio ao vend-la aos amigos.
       O rosto de Carly ardeu de dio.
       - Voc  detestvel - ela disse - e saiba que...
       - Ricardo, querido, a est voc!
       Embora estivesse feliz de ter a ateno de Ricardo: desviada. Carly no desejava ver Mariella - especialmente quando percebeu como ela olhava para a sua roupa.
Felizmente, Sarah retornou logo, por sorte, percebera o que estava acontecendo e, imediatamente, veio socorrer Carly, dizendo:
       - Mariella! Carly no parou de elogi-la pela gentileza de livr-la de um constrangimento. Eu disse a ela que era tpico da sua parte ser to generosa, e
que voc entenderia como ela se sentia por ter a mala roubada. Eu sabia que voc no se importaria se eu a emprestasse essas roupas velhas que voc me disse para
doar. Lembra-se? Voc disse que elas eram muito grandes para voc...
       Ser que foi a voz falsa e melosa nos elogios de Sarah que desarmou a hostilidade no olhar de Mariella? Carly se perguntou amargamente. De repente, a dona
da festa: ficou toda sorrisos.
       - Claro, adoro ajudar as pessoas, todos sabem disso. Embora, ache que as minhas coisas so pequenas para voc, querida. Claro, porque sou muito magra - acrescentou
orgulhosa, antes de ignorar Carly e se dirigir a; Ricardo docemente:
       - Ricardo, por que no o apresento para algumas pessoas?
       Enquanto Mariella levava Ricardo dali, Sarah suspirou e se desculpou para Carly.
       - Espero que no tenha se importado com o que eu disse, mas ela parecia pronta para fazer um escndalo.
       - No, no me importei - Carly disse de verdade.
       Mas ela teria adorado ver a cara de Ricardo se Mariella tivesse chegado quando ele insultava as roupas dela. Embora ele no tivesse insultado apenas as roupas,
tambm ofendera Carly, no foi? Mas no se importava com o que ele pensava, Carly se assegurou. Afinal, sabia o quanto ele estava errado. Pelo menos assim, mesmo
que no conseguisse ignorar a sua atrao sexual por Ricardo, estaria longe do risco de uma ligao emocional com ele. No que houvesse risco quanto a isso!
       Parecia que a noite no terminaria nunca, Carly pensou, cansada. O ltimo convidado j se fora, mas ainda havia o pessoal da limpeza.
       - Olha, por que no vai para casa? No h mais nada para voc fazer aqui - Jeff, o florista, disse gentilmente.
       -  minha responsabilidade ficar at tudo estar arrumado - disse Carly.
       - Voc acha que mais algum alm de voc ficaria trabalhando esse tempo todo? - ele sorriu e balanou a cabea. - Somos perfeitamente capazes de arrumar o
que restou, e alm do mais... - ele olhou atrs dela, e ela se virou para ver o que era.
       O corao dela pulou no peito ao ver Ricardo descer do carro. A ltima vez que o encontrara na festa, ele conversava com uma linda ruiva que o convidou para
passar a noite cora ela. Ento, o que ele fazia ali agora? Por que ser que v-lo andando cheio de propsito at ela a deixava com as pernas bambas de fraqueza?
Ele a ofendera e, ainda assim, permitia-se que a sensualidade dele a abalasse!
       Talvez, devesse adotar uma atitude mais moderna. Afinal, j ouvira muitas mulheres dizerem abertamente que topavam fazer sexo com um homem sem nenhum tipo
de ligao emocional. Certamente, que esse tipo de relacionamento seria perfeito para ela.
       - J passa de trs da manh, e partiremos para Nova York bem cedo - ele disse brevemente.
       - Pode ir, Carly - Jeff disse - est tranqilo de terminar.
       Parecia que no teria escolha. Ela foi buscar a sacola com as suas compras modestas. Sentiu satisfao ao ver Ricardo cerrar as sobrancelhas ao peg-la da
mo dela.
       - Antes que diga alguma coisa - ela o advertiu friamente - no vendi meu corpo para comprar a bolsa e o que est dentro. O que houve com a ruiva, falando
nisso? - perguntou grosseiramente, enquanto iam para o carro. Seu orgulho ferido sobrepujou o fato de Ricardo ser um potencial cliente. - Ela no cumpriu as expectativas,
ou ser que voc no cumpriu as dela?
       - Nenhuma das duas coisas. Ela saiu com o homem com quem veio  festa, e mesmo se no tivesse, no corro esse tipo de risco com a minha sade - Ricardo respondeu
objetivamente.
       Ele abriu a porta do carro, mas Carly parou e perguntou com raiva:
       - O que quer dizer? Que eu corro esse risco? Descobrir que me julgou mal uma vez no foi suficiente para voc?
       Sem esperar pela resposta, ela entrou no carro, ignorando-o.
       Chegaram ao vilarejo. Carly abriu a porta e saiu sem esperar pela ajuda de Ricardo.
       A casa estava banhada numa luz rosa que vinha da iluminao que cercava a casa e os jardins. Cor-de-rosa - a cor do romance. Um sorriso apertado e doloroso
contorceu seus lbios.
       - Carly.
       Ela parou e voltou o olhar para Ricardo, que a alcanou.
       - Por que no me disse que a roupa era da Mariella?
       - Para no estragar a sua diverso. Voc com certeza estava se divertindo em pensar o pior de mim - respondeu, irritada.
       - Voc no pode me culpar por tirar concluses lgicas. Voc  uma mulher nos seus vinte anos, com uma carreira, portanto, logicamente, deve ter conta no
banco. E se tem, significa que tem cartes de crdito, emprstimos e vrias outras maneiras de conseguir dinheiro numa emergncia, como isso prova - ele apontou
para a sacola - e ainda assim voc preferiu me pedir um emprstimo.
       - Concluses lgicas? Voc j quase admitiu que as concluses a que chegou so fruto dos seus preconceitos e traumas. A verdade  que voc no sabe absolutamente
nada da minha vida. Se as mulheres com as quais se envolve trocam sexo por jias e roupas de grife, ento isso diz tanto sobre a sua conduta moral quanto a delas.
       -  mesmo? Bem, a minha opinio  que voc estava pronta a ir para a cama comigo at descobrir que sexo era a nica coisa que ganharia. E, milagrosamente
depois de saber disso, recuperou o dinheiro para repor as suas roupas roubadas. Ah, e um aviso. Aquela gangue russa  famosa por querer o mximo pelo dinheiro que
paga. Eles passaro voc de mo em mo at terem tudo que querem de voc. Talvez o pagamento no compense.
       Ningum nunca a fizera ter tanta raiva. Ela esqueceu a cautela e estourou.
       - Voc est muito enganado. A nica razo porque queria ir para a cama com voc  porque senti atrao por voc, mas para a minha sorte, preferi manter o
meu amor prprio. E lhe pedi dinheiro porque fiquei com a minha conta vazia graas a... a... um emprstimo que dei aos meus pais. No Lenho carto de crdito porque
no concordo com as altas taxas de juros que cobram, e no houve tempo de liberar nenhum dos meus investimentos.
       Ricardo fechou a cara. Ningum poderia fingir a fria que Carly demonstrava. Mas ele no desistiria.
       - Mas claro que voc encontrou dinheiro depois?
       - Sim, mas no vendendo meu corpo, como voc quer pensar.
       - No? Ento, como? - o cinismo na voz dele a deixou furiosa.
       - Se voc precisa saber, no que seja da sua conta, penhorei meu relgio - disse secamente.
       Ricardo sentiu como se gelo pingasse lentamente direto na sua corrente sangunea - ao notar que havia entendido tudo muito mal. Ele no se lembrava da ltima
vez que algum o fizera perder o equilbrio, e pensar que Carly conseguira provocou nele um coquetel de emoes. Olhou para o pulso vazio dela e depois para seu
rosto.
       - Voc disse que seus pais precisavam de um emprstimo? Certamente, voc poderia...
       - Eu no quero falar sobre isso - Carly o cortou rapidamente.
       Ricardo cerrou as sobrancelhas. Certamente, o tipo de mulher que pensou que fosse estaria se gabando do seu ato de altrusmo. Mas Carly virou para o outro
lado, incomodada e ansiosa por mudar de assunto. Por qu? Ricardo se perguntou. O que poderia haver de errado numa atitude generosa de emprestar dinheiro aos pais
para desencadear a hostilidade e o medo que ele percebia em seus olhos?
       Ela comeou a ir embora. Ele olhou novamente para o pulso dela. Sempre confiava nos seus instintos que agora lhe indicavam que Carly dissera a verdade. Ento,
era culpado de errar gravemente no seu julgamento. E, sem se importar com o que ela tinha feito ou no, seu corpo a desejava.
       Ele correu atrs dela, segurando seu brao. Imediata- ] mente, ficou tensa e exigiu: - Solte-me.
       - Ainda no. Voc no  a nica que leva a srio as  suas responsabilidades morais. Eu obviamente preciso lhe pedir desculpas.
       Ricardo estava lhe pedindo desculpas? Ele realmente I precisava - disse a si mesma com raiva. E ela devia se pedir desculpas por ser to estpida de ainda
desej-lo.
       - Sim, precisa, mas no aceito.
       Ela viu a surpresa se transformar em raiva na cara dele.
        - No? Mas voc me deseja, no ? - ele a provocou.
       - No - ela disse.
       Mas era tarde demais, ele a puxou contra si e abaixou a cabea para lhe dar um beijo ntimo e selvagem, antes que ela pudesse resistir. E, claro, no momento
que a boca dele a tocou, a sua reao a traiu. Ela tentou se afastar, mas ele a segurou. Os olhos dela se arregalaram ao notar nele o mesmo desejo que ela sentia.
       Ela fez um som desesperado de negao e anseio, e depois se entregou. A boca dele se movia rapidamente sobre a dela, seus lbios se abriram, vida por ser
possuda, as unhas se afundaram nos msculos duros dos braos dele, enquanto ela urrava de desejo.
       A noite de ontem se repetia, exceto que, dessa vez, ambos estavam vestidos. Vestira suas prprias roupas novamente, antes de supervisionar a limpeza no fim
da
       festa. Agora, estava louca para ficar nua e aberta para ele como estava na noite anterior.
       Seus dedos apertavam em espasmos o brao dele, seu corpo tomado por tremores de prazer. Ela queria a mo dele nos seus seios, em todo o seu corpo, tocando-a
como na noite passada. Apenas o anseio por seu toque a deixou lvida de desejo. Ela o queria l... l no fundo, dentro dela, penetrando-a com movimentos rpidos
e fortes, e a satisfazendo sem piedade.
       Ele podia sentir o hlito quente na sua garganta ao segur-la em seus braos. Viu a luz da lua se refletir sobre a pele dela, ao retirar sua blusa, e revelar
os seios, sombreados pela luz da noite. Com a ponta do polegar, massageou a pele rosa dos seus seios. Ela gemeu como fmea no cio.
       Ela o queria naquele instante. Ela o desejava completamente e fortemente como uma criatura ofegante de anseio. Ela queria que ele a preenchesse, inundasse
com o seu gozo, e que fizesse isso at ela se saciar por completo.
       Ela segurou a ereo que sabia que a estava esperando, acariciando seu rgo pontudo e rijo, estremecendo de antecipao, a ponta intumescida, quente e o
prolongamento grosso, cheio de veias escuras, com a pele estirada sobre o msculo duro, mas ainda assim liso ao toque.
       Na sua imaginao ela j podia sentir a primeira batida da cabea do seu pnis entre os lbios do seu sexo e contra o sensvel centro de prazer do seu clitris,
indo e vindo, mais e mais, at ficar quente e tmida de prazer, at no resistir mais, e Ricardo finalmente a penetrar.
       Como se tivesse dito isso alto, sentiu Ricardo arrancar suas roupas e pr as suas mos duras e firmes sobre a pele nua dela. A boca dele envolveu um mamilo
e o sugou com fora. Ela gemeu novamente em intenso prazer.
       A boca dele voltou  dela. Parecia que estava louca por aquilo, por ele, e que tinha esperado toda a vida para estar com ele. Ela se sentiu...
       Na mesma hora, ela ficou tensa e o empurrou. A voz dela engasgada com raiva de si mesma quando disse com firmeza:
       - No quero isso.
       - Sim, voc quer. Voc quer isso e me quer, e no pode negar! - Ricardo a desafiou enquanto lutava para controlar a sua respirao. E para racionalizar o
que acontecera, como se fosse possvel.
       Aquilo no era o que ele pretendia, mas quando a tocou, perdeu o controle de si mesmo e no foi capaz de parar.
       Carly inspirou fundo
       - No devemos.
       - No devemos o qu? - Ricardo perguntou - No devemos nos desejar?
       Carly virou a cabea para o outro lado e a sacudiu, atordoada.
       - Isso no pode acontecer de novo - ela lhe disse rapidamente.
       Confuso e frustrado, Ricardo relutou em deix-la ir embora. Eles se desejavam. Ento, por que ela se comportava daquela maneira? Sabia que estava determinado
a t-la, mais cedo ou mais tarde - e ele preferia que fosse mais cedo.
       Graas a Deus, Ricardo no a seguiu at o quarto. Porque ela sabia que se fizesse isso ela no resistiria. E ela precisava resistir porque ela o queria mais
do que era seguro.
       Por que ela sentia isso por ele? Por que ela o desejava mais do que qualquer outro homem que havia conhecido? Por que sabia que ele era diferente dos outros?
Porque, no fundo, ela sentia uma afinidade com ele? Por que, como ela, ele sofrera com a pobreza e com a privao de amor e cuidados?
       O abandono e a infelicidade da sua infncia a marcaram para sempre, e ela sabia que deveria ser o mesmo com ele. Nem mesmo Julia e Lucy, que pensavam saber
tudo sobre ela, conheciam a verdade sobre o incio de sua vida - como ela havia sido encontrada em farrapos, perto do lixo. Seus gritos alertaram um mendigo da sua
existncia. Ela fora um pedao de gente rejeitado, deixado ali para morrer. Enjeitada e mal-amada, at mesmo pela sua me. No a surpreendia que a me adotiva no
fora capaz de am-la tambm.
       CAPTULO SETE
       - Voc mencionou ontem que no tinha dinheiro na sua conta bancria porque teve de ajudar seus pais?
       Carly quase derrubou o copo d'gua que segurava. Trmula, colocou-o sobre a mesa. Eles embarcaram vrias horas mais tarde do que o planejado, apesar de Ricardo
no ter explicado a razo do atraso. Em breve, pousariam no aeroporto JFK para se dirigirem a Hamptons.
       Ela desviou o olhar para fora da janela, e disse a si mesma que no deveria se recriminar pela raiva por ter de ajud-los.
       - Eu... eu no deveria ter dito isso - admitiu, tensa. - E no teria lhe contado, se voc no tivesse me deixado furiosa.
       - Eu a julguei mal e peo desculpas. Um homem na minha posio fica muito desconfiado da inteno das outras pessoas. Por que teve de dar dinheiro aos seus
pais? Voc  filha nica?
       - Eu...eu tinha uma irm.
       A boca dela secou, e quis desesperadamente terminar aquela conversa.
       - Teve? - Ricardo perguntou, como ela esperava.
       - Sim. Ela... Fendia morreu h alguns meses-disse relutantemente.
       Ricardo podia sentir a resistncia s suas perguntas. Ele podia perceber o trauma dela, e ficou chocado que ela se mostrava to composta.
       - Desculpe-me, deve ter sido horrvel para voc. Carly olhou para ele.
       - Fenella e eu no ramos irms de verdade. Eu... os pais dela me adotaram quando eu era muito nova. Eles a adoravam e naturalmente ficaram devastados com
a sua morte - ela lhe contou num tom cauteloso.
       - Mas voc no ficou? - Ricardo deduziu.
       - Ns ramos muito diferentes e Fenella foi sempre a filha favorita. A adoo nem sempre funciona como as pessoas esperam.
       Carly afastou o olhar. Era bvio que ela escondia algo e no dava espao para que ele entrasse na sua vida pessoal.
       Surpreso, descobriu que no gostava do fato de no querer compartilhar com ele informaes da sua vida. O que havia nela que provocava a curiosidade de conhec-la
melhor? E ser que queria conhec-la melhor ou por inteiro?
       Sua curiosidade era apenas a de um empregador em potencial, ele se convenceu.
       - O que voc quis dizer com a adoo nem sempre funciona? No deu certo para voc? Voc no estava feliz com seus pais adotivos?
       - Por que voc me faz tantas perguntas? Ricardo podia sentir a ansiedade e o pnico na voz dela.
       - Talvez, por que eu queira saber mais sobre voc. Superficialmente, ele j sabia tudo o que precisava, mas o que estava em segredo despertava sua curiosidade.
Ela escondia algo dele, algo que transformava a mulher autoconfiante em uma muito mais vulnervel - e tambm muito determinada em negar essa vulnerabilidade. Ele
tinha uma intuio forte sobre essas coisas e sabia que no estava errado. Ento, o que era? Ele pretendia descobrir, mas o que a faria baixar a guarda?
       Ele a viu ficar lvida debaixo do seu olhar examinador.
       - Voc no respondeu a minha pergunta - ele lhe relembrou.
       - No, eu no estava feliz. - A maneira sinttica como ela respondeu demonstrou que no gostava da sua sondagem.
       - E os seus pais biolgicos?
       Ricardo viu imediatamente o efeito dramtico que essa pergunta teve. O rosto dela perdeu a cor, e ele pode ouvir uma inspirao profunda. Esperava que ela
se recusasse a responder, mas, ao contrrio, ela o fez rispidamente.
       - Minha me, provavelmente, era uma viciada em drogas. Morreu num incndio junto com duas outras mulheres. Ningum sabe quem meu pai era. Fui deixada para
morrer perto da lata de lixo de um hospital. Um mendigo me achou. Eu tinha apenas algumas semanas de vida. Eu tinha dez anos de idade e morava num orfanato quando
os pais de Fenella decidiram me adotar porque ela se sentia muito solitria. Ricardo estava srio.
       - Eles a adotaram por causa da filha?
       - Sim. Acho que esperavam que eu fosse mais domvel do que um cachorro e menos cara do que um pnei - Carly lhe disse ligeiramente. - Infelizmente, no funcionou.
Fenella naturalmente detestou ter de dividir os pais e os brinquedos com uma irm indesejada, e pediu que os pais me devolvessem. Acho que eles quiseram, mas era
tarde demais. Eu no podia tocar nada do que pertencia a Fenella, e nem mesmo comer junto com ela. Mais tarde, ns duas fomos mandadas para um internato. Foi l
que conheci Jules e Lucy. De alguma forma, a minha histria veio a pblico.
       - Voc quer dizer que ela contou para todo mundo? - Ricardo perguntou de pronto.
       - Ela era um ano mais velha que eu, ento j tinha o seu crculo de amigas na escola quando cheguei l. Ela era uma menina muito popular e era muito encantadora
quando queria. Rapidamente fui excluda.
       - Voc quer dizer que era intimidada?
       - Eu era diferente e no me encaixava - Carly continuou. - Mas para a minha sorte Lucy e Jules ficaram minhas amigas. Sem elas eu... - a sombra no seu olhar
fez Ricardo sentir um impulso protetor e raiva contra aqueles que a atormentaram.
       - O que houve com Fenella?
       Carly sacudiu a cabea. Era perturbador perceber o quanto lhe contara.
       Ela no lhe diria mais nada, Ricardo percebeu, ao v-la desviar o olhar para o seu laptop.
       Carly cerrou as sobrancelhas ao tentar ver os dados da conta bancria da empresa no computador. Responder s perguntas de Ricardo trouxera tantas lembranas
dolorosas. Realmente, acreditou que seria amada pelos pais adotivos e pela irm, e lhes dera o seu amor livremente. Ficou confusa quando viu seu amor ser rejeitado,
enquanto Fenella recebia o afeto da me. Ento, percebeu que havia uma diferena enorme de tratamento entre elas.
       Por isso, tentou ao mximo se parecer com Fenella, imitando seus trejeitos, presumindo que assim ganharia a aprovao dos pais. Mas isso fez Fenella detest-la
mais ainda.
       Agora, j adulta, no podia culpar os pais. Afinal, Fenella era a filha deles. Mas a experincia demonstrou o quanto amar era perigoso. A viso dos dados
 sua frente ficou borrada. Piscou os olhos com fora para poder se concentrar. De repente, quando os viu, ps os seus problemas de lado, ao notar que vrios cheques
de quantias elevadas foram debitados, quase esvaziando a conta da empresa.
       No conseguia entender como isso havia acontecido. Ela se orgulhava de controlar muito bem as finanas e, de acordo com os nmeros que tinha de cabea, a
conta deveria ter milhares de libras de crdito. Na verdade, a empresa precisaria desse dinheiro para pagar os fornecedores no fim do ms, e para ter capital para
funcionar at o pagamento dos clientes ser recebido. Ento, para que eram esses cheques? Ela no se lembrava de t-los assinado. A ansiedade e a intuio lhe deram
um calafrio. Seu corao se acelerou. Precisava ver aqueles cheques.
       Carly ficou totalmente imersa no trabalho. Muito rapidamente, na opinio de Ricardo. Ser que usava o trabalho para bloquear os problemas emocionais que tinha
dificuldade em resolver? Ela no dissera isso, mas ele imaginava que sofrera vrios traumas emocionais na infncia.
       O fato dele se preocupar com ela era um territrio emocional to novo para ele que demorou vrios segundos at perceber o perigo que corria. Quando percebeu,
disse a si mesmo que aquilo era passado, e que a nica coisa que queria era lev-la para a cama.
       Carly pediu cpias dos cheques, e at receb-los no poderia fazer mais nada.
       - Carly!
       Ela olhou para Ricardo, preocupada.
       - Espero que voc tenha ardido de desejo por mim na noite passada tanto quanto eu por voc.
       Sentiu a face corar.
       - Prefiro no falar sobre isso. J disse que no quero... tocar nesse assunto.
       A voz dela estava calma, mas a mo tremia. Ela se encolheu.
       - Por que no? Por que negar o que ambos queremos? H qumica entre ns e no faz sentido negar a sua existncia. E j que existe, talvez fosse melhor aproveit-la
em vez de ignor-la. Dessa forma, podemos matar essa sede de desejo de uma vez por todas.
       Sede de desejo. Trs palavras simples. Mas com o poder de mudar a sua vida para sempre. Se Ado tivesse sentido o mesmo que Carly, quando Eva lhe ofereceu
a ma, ser que teria pensado no que perderia ao recusar? Se ela fosse para a cama com Ricardo, no mudaria o mundo, mas ela mudaria. Ela teria coragem o suficiente?
Ou ser que passaria o resto da vida com esse desejo e sem saber como seria?
       - No quero ter um caso com voc - ela respondeu. Um caso envolveria se apaixonar, colocando-a numa situao em que seria eventualmente rejeitada e trocada
por outra. Todas as suas experincias sentimentais foram assim. Na casa dos pais adotivos e na escola. Mesmo com as melhores amigas, Lucy e Jules, sentia que elas
compartilhavam uma conexo maior por serem da mesma classe social, o que a exclua.
       - Mas voc quer dormir comigo - Ricardo adivinhou.
       O rosto dela queimava, mas conseguiu encar-lo.
       - Eu... acho que sim.
       Seus olhos refletiam o puro poder masculino.
       - Voc est me pedindo para tomar a deciso por voc?
       - Qual o propsito disso? Tenho certeza que um homem com sua experincia poderia encontrar algum que no precisasse ter a deciso delegada a voc.
       - Tenho certeza que sim - Ricardo disse secamente. - Mas no seria voc, que  quem eu quero. Mas j que tocou nesse assunto, quantos relacionamentos voc
teve?
       Ele a pegou de surpresa, furando suas barreiras.
       - Er... eu no... no me lembro - mentiu - e no  mesmo da sua conta, ?
       - Seria se dormssemos juntos - Ricardo disse.
       Como ela poderia lhe contar que era um homem diferente, especial, que nunca sentiu o que sentia por ele, e que isso era o suficiente para lhe dar medo? E
se no podia dizer isso, como falar que nunca fizera com ningum o que desejava fazer com ele?
       - A que horas chegaremos em Hamptons? - ela mudou de assunto.
       O olhar que ele lhe lanou quase destruiu o autocontrole dela.
       - Vai demorar para chegarmos l. Vamos ficar no meu apartamento, em Nova York, esta noite, e iremos para l amanh.
       - Mas no faz mais sentido irmos direto?
       - No. Voc parece bem agitada, Carly. Por que ser?
       - Por nenhuma razo. Quer dizer, no estou no. Por que estaria?
       - Talvez pense que no pode ficar sozinha comigo? - Ricardo sugeriu suavemente.
       Carly ouvira o suficiente.
       - No tem nada a ver com isso! S penso que no deveramos nos colocar numa situao em que...
       - Em qu? Em que ficar tentada a se oferecer a mim?  isso?
       - No! Ao menos - mas era exatamente o que ele disse, admitiu a si mesma. Exceto que no seu cenrio mental, era Ricardo quem se oferecia para ela, no o contrrio.
       Alguma coisa na maneira como ele disse aquilo tocou numa ferida aberta.
       - No gosto do que est querendo dizer - ela disse honestamente - entendo que muitas mulheres provavelmente se oferecem a voc por...
       - Porque sou muito rico - ele completou a frase que ela no quis terminar.
       A voz calma dele encobria a raiva, Carly notou. Ele no se preocupava com os assuntos sensveis para Carly, mas obviamente evitava os seus!
       - No era o que eu ia dizer.
       - Mentirosa! - Ricardo disse, acrescentando friamente. - Mas h outros componentes para o desejo sexual, no h? Por exemplo, h aqueles ligados aos sentidos
- a viso, o cheiro, o gosto... o toque...
       Carly podia sentir a reao do seu corpo a cada palavra que rolava da boca dele. Sim, ficava excitada ao v-lo, ao sentir seu cheiro e gosto... Ela contraiu
a regio do estmago para tentar controlar o desejo que a tomava. E o toque... ela tentou contrair mais ainda, mas j era tarde para conter o que sentia. E, sim,
o som da sua voz tambm...
       - E h o desejo que se relaciona com a personalidade, o status, o estilo de vida. Por exemplo - ele parou ao notar o comissrio de bordo vindo na direo
deles.
       Carly percebeu que ficou estremecida ao apenas ouvi-lo.
       - Chegaremos em meia hora. Querem outra bebida? Ou algo para comer?
       Carly fez que no com a cabea, sem ser capaz de falar. Ricardo arrancara dela confidncias, e agora as reaes emocionais comearam a aparecer - como se
tivesse arrancado um dente sem anestesia. Ela se sentiu enjoada, estremecida, e chocada.
       Talvez, Ricardo estivesse certo, e a nica maneira de superar o desejo que sentia por ele seria satisfazendo-o, e no tentando ignor-lo.
       Ricardo a observava, escondendo o olhar atrs do jornal que fingia ler. Ela sempre escapava do esteretipo que tentava projetar nela. Nenhuma outra mulher
demonstrara atrao sexual to grande por ele. E nenhuma outra o excitara a ponto de se tornar uma compulso.
       Estavam pousando, o jato perfurava as nuvens. Carly arrumou seus papis e apertou os cintos. Ela sempre fora uma pessoa que toma todas as precaues para
se resguardar. Mas no havia sido capaz de se proteger do que estava acontecendo com ela agora - na verdade, no queria se resguardar.
       - Ah, Rafael, a esta voc esta  a Senhorita Carlisle.
       O jovem mexicano sorriu para Carly.
       - Me chame de Carly, por favor - ela corrigiu Ricardo ao apertar a mo de Rafael.
       - Rafael e sua esposa, Dolores, cuidam do meu apartamento em Nova York.
       - Como vai Dolores, Rafael?
       - Vai muito bem, e disse que prepararia um jantar especial para voc. Comida italiana. Ela tambm disse que o orfanato vai muito bem e que voc deveria ser
chamado Santo Salvatore.
       Santo Salvatore? Carly se perguntou, ao ver Ricardo ficar srio.
       - Voc quer que eu pilote o helicptero at o apartamento? - Rafael perguntou.
       Ricardo balanou a cabea.
       - No, eu mesmo quero pilotar.
       Ricardo tinha um breve de piloto? Carly tentou no parecer to impressionada enquanto subia num tipo de buggy que os esperava. Ela nunca voara num helicptero
antes, e reconheceu que estava com um pouco de medo. Mas no quis dizer nada a Ricardo.
       - Vou buscar a bagagem - Ricardo disse, ajudando Carly a descer do buggy.
       - Amanh usaremos o helicptero para irmos a Hamptons. - Ricardo disse guiando Carly ao helicptero. - Ser mais fcil e rpido. Voc ter uma linda vista
de Nova York se sentar ao meu lado. - Tecnicamente Rafael deveria sentar-se a, pois  o co-piloto, mas...
       - Oh, ento ele precisa se sentar a - Carly insistiu rapidamente.
       - Voc parece apreensiva. No confia em mim?
       - Posso lhe assegurar que tenho interesse em continuar vivo!
       Ricardo estava certo quanto  vista de Nova York. Ela prendeu a respirao quando voaram entre dois prdios altos. Com os fones de ouvido ela podia ouvi-lo
comentar sobre a cidade - as linhas retas das ruas modernas e a curva da Broadway onde o velho e o novo se fundiam.
       - Ali  a Wall Street - Ricardo disse. - E ela se surpreendeu em ver como parecia pequena e estreita. Ele fez uma volta no helicptero e disse: - Vamos voar
sobre o Central Park em breve. Meu apartamento  no lado leste da cidade.
       As ruas dos dois lados do parque estavam lotadas de prdios que pareciam do sculo dezenove e Carly prendeu a respirao quando Ricardo se dirigiu a um deles
e pousou no teto.
       - Voc no deixa o helicptero aqui, deixa? - Carly perguntou depois que ele a ajudou a descer.
       - No, o Rafael o levar de volta. Ele pode levar a Dolores com ele e visitar a famlia no caminho de volta.
       Ele, certamente, era um empregador justo e benquisto. Carly pensou ao entrarem no elevador. Ricardo digitou um cdigo no painel e as portas se fecharam, prendendo-os
no que parecia uma bolha de privacidade muito ntima. Imediatamente, ela pensou que se ele a pegasse em seus braos, ela no resistiria.
       - No me olhe assim - Ricardo a advertiu, adivinhando seus pensamentos. - Eu no posso, no aqui, h uma cmera bem ali - disse, apontando para o teto.
       O elevador parou e as portas se abriram para um salo. Era espaoso, com apenas uma porta e paredes pintadas de cor creme para valorizar os quadros pendurados
nela.
       - Lucien Freud? - Carly questionou, reconhecendo o estilo imediatamente.
       - Sim. O trabalho dele tem uma crueza que me agrada.
       Os nus eram muito sugestivos, Carly admitiu.
       A porta do salo foi aberta, e Ricardo a deixou entrar primeiro. Ele tinha boas maneiras, que lhe pareciam naturais em vez de algo aprendido. Mas, pelo pouco
que sabia da sua histria, duvidava que ele tivesse aprendido bons modos nas ruas de Npoles.
       Uma mulher baixa, com cabelos escuros e olhos brilhantes estava em p no corredor, a esper-los.
       - Ah, Dolores. Voc recebeu a mensagem sobre a Senhorita Carlisle?
       - Sim, preparei o quarto de visitas para ela. A senhorita fez boa viagem?
       - Sim, claro, e por favor me chame de Carly.
       - Voc pode seguir a Dolores, ela lhe mostrar a sua sute - Ricardo disse a Carly, antes de perguntar. - A que horas o jantar ser servido, Dolores?
       - Oito e meia, se estiver bom para o senhor? E o Rafael disse que quer almoar cedo amanh, antes de ir para Hamptons?
       - Sim,  verdade. Eu preciso lhe avisar que talvez a senhorita Carlisle no venha para o jantar. So trs da tarde aqui, mas para ela so oito da noite.
       - Oh, meu Deus! Ento, talvez a senhorita queira comer algo agora? - Dolores perguntou a Carly.
       - No, estou bem - Carly garantiu.
       Ela tinha de entrar em contato com a agncia de Nova York com a qual dividiria a organizao do evento e ainda esperava ter tempo de dar um passeio na cidade.
Pensou em pedir recomendaes a Dolores sobre onde achar roupas que coubessem no seu oramento. Calas Jeans eram o uniforme universal, aceitveis em qualquer lugar,
mas no nos eventos chiques que estava supervisionando.
       Infelizmente, as roupas de estilistas famosos de Mariella no eram o tipo que lhe deixavam confortvel.
       - Ento, voc vai dormir na sute de hspedes e ter uma linda vista do parque. Venha ver, por favor.
       Obediente, Carly seguiu Dolores. O quarto era imenso, as janelas davam para o verde do parque.
       - Aqui tem uma mesa onde pode ligar seu computador - Dolores disse.
       Carly balanou a cabea.
       - E aqui est a televiso - ela abriu um painel de parede para revelar uma TV de tela plana, junto com estantes de DVDs e livros. - Veja, a TV sai para que
voc possa assisti-la da sua cama - Dolores mostrou mais esse detalhe, orgulhosa.
       - O closet e o banheiro esto aqui. O Sr. Salvatore renovou todo o apartamento ao se mudar para c, e tudo est no vinho.
       O closet tinha armrios recobertos de espelhos e um sof, enquanto o banheiro era quase um mini spa. Carly no pde evitar a comparaes com o banheiro bsico
do apartamento de Jules.
       - Tudo  maravilhoso - ela disse verdadeiramente a Dolores.
       - Sim, o Sr. Salvatore  um bom homem. Muito gentil - especialmente com as crianas. Quando ouviu que tinha um orfanato na nossa cidade natal sem dinheiro,
foi at l e passou um cheque gordo! - Dolores exultou.
       Carly telefonou para Lucy e depois para o co-organizador do evento em Nova York. Tudo estava sob controle, ela pensou ao bocejar. A cama parecia muito tentadora,
e ela estava cansada. Talvez uma hora de sono lhe fizesse bem.
       Eram apenas cinco da tarde em Nova York, e ainda havia mais trs horas at o jantar. Ela estava muito cansada para tomar banho, ento, depois de tirar os
sapatos e dobrar a colcha da cama, deitou-se e dormiu.
       CAPTULO OITO
       O barulho de uma porta se fechando a despertou. Tentou se lembrar onde estava, relutantemente acordando do sonho de estar deitada, nua, nos braos de Ricardo
enquanto ele a acariciava. Sentou-se e ps os ps no cho, consciente da dor na parte baixa do seu corpo. Ouviu algum andando pelo closet. Ricardo? O corao dela
pulou em antecipao, o desejo aqueceu o seu corpo.
       E se fosse ele querendo lhe provar que ela o desejava - seria impossvel negar, admitiu. Atravessou o quarto correndo em direo ao closet e abriu a porta.
Dolores estava acabando de fechar o armrio, e deu um sorriso caloroso para Carly.
       A dor profunda de desejo sexual com a qual aprendera a conviver se tornara um desespero brutal. Como que poucas horas na companhia de Ricardo a transformaram
num conjunto de nervos excitados e pele quente? Todo o seu corpo doa com a vontade do seu toque e de ser possuda por ele. Estava consumida pela febre do desejo.
S pensava em quanto teria de esperar. Agora se perguntava "quando" e no "se".
       - Pendurei todas as suas roupas para que no fiquem muito amarrotadas. Amanh posso coloc-las na
       mala de novo para voc. Tem alguma pea para eu lavar?
       O que Dolores quis dizer com todas as suas roupas?
       Havia uma maleta desconhecida no cho, da marca Louis Vuitton - Carly notou ao mesmo tempo horrorizada e fascinada - e ao lado uma frasqueira do mesmo conjunto.
Havia tambm um monte de papel de embrulho sobre o sof, e algumas caixas de sapato debaixo dele.
       - Dolores, acho que houve um erro - disse esmaecida - essas malas no so minhas.
       Dolores ficou confusa.
       - So, sim. O Rafael as retirou do avio, a pedido do Sr. Salvatore, para que no se perdessem.
       Um sentimento horrvel de descrena e raiva preencheu Carly. Cambaleando andou at a porta do armrio.
       No reconheceu nenhuma das roupas penduradas. Verificou a etiqueta da saia com as mos trmulas. Era do seu nmero e da sua cor favorita. Foi ao sof e abriu
as caixas de sapatos, as sandlias delicadas tambm eram do seu nmero.
       - H algo errado? - Dolores perguntou, preocupada.
       Carly colocou o sapato de volta na caixa e se levantou.
       - No, Dolores, est tudo bem. Mas claro que estava mentindo.
       Ela olhou cada roupa no armrio. Roupas caras, elegantes, de grife, em tecidos finos e nas suas cores favoritas: tons de creme, marrom e preto. Ela passou
a mo na franja de uma jaqueta Chanel, cor creme, bordada ; com fios de seda e contas brilhantes e coloridas. Vira exatamente a mesma jaqueta em Londres, e ficou
louca por ela. Combinaria perfeitamente com a cala de tecido de seda grosso pendurada ao lado. Ela sabia o preo da jaqueta porque foi tola de perguntar. Custava
mais do que costumava gastar com roupas em um ano, ainda mais em apenas um item. Ela fechou a porta do armrio com fora. Ele pensava que poderia fazer isso com
ela? Depois de tudo que lhe dissera? Depois do que pensara sobre ela? Ah, sim, ele disse que errou e se desculpou, mas...
       Dentro da sua cabea, de tempos passados, ela ouvia uma voz nervosa que insistia:
       - Diga obrigada  moa bondosa pelas lindas roupas que comprou para voc, Carly. Voc no  uma menina de sorte?  um vestido to bonito. Tenho certeza que
ficar muito grata quando se der conta da sorte que tem... no vai, Carly?
       Grata? Jurou a si mesma no seu aniversrio de dezoito anos que nunca mais se sentiria grata pela caridade dos outros. Que seria independente e se sustentaria
sozinha. E foi exatamente o que fez.
       Pagou a sua universidade com trabalhos duros e mal pagos - trabalhou em bares, com limpeza, como ajudante de enfermagem num abrigo para velhos - determinada
a ignorar a mesada depositada na sua conta bancria.
       A primeira coisa que fez quando os pais adotivos declararam a bancarrota financeira foi lhes devolver aquele dinheiro.
       - Dolores, preciso falar com Ricardo. Pode me dizer onde encontr-lo, por favor?
       - Ele est no escritrio. Mas no gosta de ser perturbado quando est l.
       Ele no gostava de ser perturbado? Bem, ele descobriria que ela tambm no. E o que ele fez a perturbou e a enfureceu muito!
       Dolores no queria lhe dizer onde era o escritrio, mas Carly insistiu. Ela bateu rpido na porta e, sem esperar, entrou.
       Ricardo estava sentado numa mesa do outro lado do escritrio. O sol da tarde entrando pelas janelas grandes atrs dele ofuscou seu olhar e deixou o rosto
dele em sombras.
       - Dolores encheu os armrios do meu quarto com roupas que pensou serem minhas.
       - Ah, sim. Que bom que voc me lembrou, quase me esqueci. Falei com o gerente da Barneys e abri uma conta l para que compre um vestido para o evento francs.
No quis me arriscar em escolher algo. Voc pode ir l amanh. Fica atrs do Hotel Pierre.
       - No! - Carly o interrompeu com raiva.
       - No o qu? - Ricardo perguntou, levantando-se da cadeira.
       Carly respirou fundo para se conter. Cada pequeno movimento dele a relembrava dos seus corpos juntos e de como ardia de desejo por ele. Ricardo se trocara
e vestia camiseta e cala jeans. Definitivamente, ficava bem de jeans. O anseio de seu corpo por ele a inundou - puro lquido de desejo feminino.
       - No, no vestirei as roupas que comprou.
       - Por que no? Voc come a comida que eu pago dorme na cama que eu pago. Por que vai recusar as roupas que comprei?
       - Voc sabe o porqu. Voc me acusou de tentar for-lo a...
       - Eu estava errado e j me desculpei.
       A voz dele estava tensa. Carly percebeu que ele no gostava de ser relembrado das suas faltas.
       - Sim, eu sei - Carly concordou relutantemente. .- Mas...
       - Mas o qu? No gostou das cores que escolhi? Do estilo?
       - Voc as escolheu? Quando? Voc no teve tempo!
       Ele sacudiu os ombros.
       - Eu me planejei para ter tempo.
       - Como? - Carly o desafiou.
       - Fui para Saint Tropez hoje de manh antes de partirmos,
       Carly o fitou. Ele estava inventando... debochando dela.
       - Como sabia o meu nmero?
       - Sou homem - disse secamente - toquei seu corpo, segurei-o prximo do meu. Voc tem seios grandes, mas uma cintura fina. Posso cobrir a sua cintura com as
mos, as curvas do seu quadril so como as ancas de uma mulher devem ser - devo continuar?
       - No - Carly disse numa voz engasgada - no vou vesti-las, no aceito caridade.
       - Caridade - Ricardo cerrou as sobrancelhas, percebendo a angstia na voz dela e se perguntando porque usara a palavra caridade.
       - E eu no vou sair com uma mulher que no tem nada para vestir alm de uma cala jeans!
       - Voc no est saindo comigo. Estou aqui a trabalho.
       - Talvez, mas pode ser que sejamos fotografados juntos por algum que no sabe disso.
       - Voc  um metido - Carly acusou.
       - No, sou realista! Pensava que voc era totalmente profissional, mas me enganei.
       - O que quer dizer?
       - Deveria ter visto o bvio. Se fosse to profissional quanto parece, aceitaria se vestir de acordo com a sua funo, em vez de se comportar como uma virgem
enraivecida. Especialmente, porque ns dois sabemos que isso voc no .
       Ele podia pensar que no, mas ela sabia a verdade.
       - E foi s por isso que comprou as roupas?
       - E que outra razo poderia haver? - ele a provocou.
       - Voc j deixou bem claro que pensa que sexo  algo que pode comprar - ela respondeu. - Mas eu no quero e no posso ser comprada, Ricardo.
       Ele estava muito bravo, ela percebeu, o orgulho ferido da mesma forma que o seu quando abriu as portas daquele armrio. timo!
       -Voc est fazendo uma tempestade em copo d'gua. Apenas lhe dei roupas que espero que as mulheres que me acompanham vistam. S isso. Se a sua mala no tivesse
sido roubada, isso no seria necessrio, mas foi. Se a fizer se sentir melhor, pense nas roupas como um emprstimo, como um uniforme exigido. E quanto a me pagar
com sexo - acho que sou capaz de reconhecer quando uma mulher me deseja, Carly.
       No havia nada que ela pudesse dizer quanto a isso.
       - J  quase hora do jantar, espero que esteja com fome. Dolores se orgulha muito da sua culinria - ele disse friamente, mudando de assunto.
       Carly olhou para baixo.
       - No estou com apetite.
       No por comida, mas talvez por ele? Ah, isso era outra histria. Por ele o seu apetite estava grande. Desejava pelo seu toque, seu gosto, por ele em carne
e osso. Podia sentir o corpo se contorcer com apetite sexual.
       Um sentimento de desespero e dor a preencheu. Ela no queria se sentir assim por nenhum homem, menos ainda por algum como ele.
       Ricardo viu a sua cabea baixa. Ela parecia cansada e vulnervel, e ele sentiu uma indesejada compaixo por ela e vontade de proteg-la.
       O nico interesse dele por ela - exceto pelo desejo sexual - deveria ser por causa da Prt a Party, Ricardo se relembrou. No queria envolvimentos emocionais
na sua vida. Um dia teria um filho, um herdeiro, mas quando esse dia chegasse, no faria isso atravs do casamento, com os riscos financeiros envolvidos, mas com
uma barriga de aluguel. Com procedimentos modernos, nem precisaria conhecer a mulher.
       - Se quiser, Dolores pode lhe servir o jantar no quarto - ele disse bruscamente.
       Carly cerrou os olhos para no demonstrar seus sentimentos. Se na noite passada ela no o tivesse impedido de continuar, naquela noite estariam juntos, e
comida seria a ltima coisa na mente deles. Ainda poderia acontecer, s precisava demonstrar o que estava sentindo. Algumas mulheres no tinham escrpulos em mostrar
aos homens o que queriam, ento, por que ela deveria ter?
       Ela estremeceu, pois sabia a resposta da sua prpria pergunta.
       CAPITULO NOVE
       Ela j se acostumara ao movimento do helicptero e perdera o medo. Eles deixaram Nova York para trs. Os carros l embaixo pareciam de brinquedo. Voava sozinha
com Ricardo dessa vez, mas ele no estava fazendo comentrios sobre a vista como antes.
       Tentou se convencer de que estava satisfeita com a atitude profissional dele e seu distanciamento. Ser que ele chegara a alguma concluso sobre se contrataria
ou no a Prt a Party? Ela esperava que sim. Eles realmente precisavam fechar negcio.
       Ela recebera cpias dos cheques por e-mail, confirmando o que j suspeitava. Todos os cheques tinham duas assinaturas, a dela e a de Nick, como era necessrio
pelos termos da empresa. Somente Carly sabia que no assinara os cheques, portanto, algum falsificara a sua assinatura. Algum? S poderia ter sido Nick. Lucy era
a nica outra pessoa com acesso aos tales de cheque.
       Mesmo sem conferir as contas, por causa do dinheiro que Nick retirara, Carly sabia que o balano do fim do ano refletiria a perda de meio milho de libras.
       Os termos do banco diziam que quando a conta entrasse no negativo Lucy teria que cobri-la com dinheiro da sua fortuna pessoal. Eles j estavam no ramo h
trs
       anos, e Carly tinha enorme orgulho de cuidar to bem das contas que isso nunca acontecera. At agora.
       Meio milho de libras. Ela no tinha idia de quanto dinheiro Lucy tinha, mas suspeitava que Nick soubesse. E desconfiava que ele tomara essa deciso maquiavlica
de retirar dinheiro atravs da empresa porque sabia que Marcus nunca concordaria em lhe dar essa quantia.
       Mas entender a situao era uma coisa, saber o que fazer era outra. O certo era contar a Lucy o que descobriu, porque a carta branca que Nick tinha no lhe
dava o direito de falsificar assinatura para retirar mais. Mas Nick era o marido de Lucy. Ela, certamente, se sentiria humilhada e magoada se Carly lhe dissesse
que ele estava roubando o dinheiro dela. E se Lucy se recusasse a acreditar nela e Nick insistisse que no assinou o nome de Carly? Seria melhor alertar primeiro
Marcus sobre o que estava acontecendo? Carly se sentiu dividida entre a lealdade por Lucy e o medo que sentia dela.
       Mentalmente, arquivou o problema e se focou em questes mais urgentes. Ela entrara em contato com a sua equivalente na empresa de organizao de eventos em
Nova York, e eles garantiram que tudo sairia como o planejado.
       - Quase houve um problema com os fornecedores de comida. Os diretores da revista nos pediram apenas comida vegan, coordenada por cores, mas depois ligaram
dizendo que uma editora famosa s comia caviar de Beluga, e tinham que t-lo no menu.
       Carly se compadeceu da sua colega. Todos sabiam como aquela editora britnica dirigia as tendncias de importantes crculos da moda em Nova York. Apenas t-la
no evento era uma grande conquista. E claro que Carly concordava com a sua colega - era essencial servir o caviar, mesmo que quebrasse a combinao de cores.
       - Serviremos coquetis de champanhe na entrada - pssego e ruibarbo com pimenta. Contratamos um chef que gosta de misturar texturas e sabores. Ele  muito
avant-garde. Virgnia quer tudo exclusivo, mas simples. Por isso, ela quis fazer o evento em Hamptons.
       Carly continuou a ouvir com empatia. Apenas os mais ricos entre os ricos podiam ter o estilo de vida "simples" de Hamptons. Ela lera que era uma rea preservada
para os tradicionalmente ricos - ou pelo menos era assim at a mdia e o mundo da moda descobri-la.
       A revista insistiu que o evento deveria ser de muita classe, e Carly suspeitava que fora por isso que eles haviam sido contratados. Lucy no era do tipo que
gostava de se gabar que seu pai era um duque, mas o fato  que ela era muito bem relacionada socialmente.
       - Os talheres foram emprestados da Cristoffle e as taas so Baccarat, mas muito bsicas, claro.
       - Claro - Carly concordou, rezando para que tudo tivesse seguro.
       Ela pensara que conhecia o luxo, mas se enganara, como lhe provou a visita  loja Barneys. A loja exclusiva ultrapassava tudo que j havia visto e a fez se
perguntar quem teria dinheiro para fazer compras ali. Uma vendedora elegante lhe ofereceu ajuda, e Carly sofreu ao ver uma variedade de vestidos caros - no dava
para cham-los de outra coisa - antes de conseguir fugir ao dizer que no tinha mais tempo de escolher.
       Qualquer vestido daqueles seria perfeito para o baile de aniversrio no castelo francs, mas um em particular se sobressaiu do resto - um tubinho de seda
verde-claro, com vrias camadas da mais fina seda, o tecido esvoaava ao menor movimento do ar. Carly no queria nem se atrever a experiment-lo, mas a vendedora
insistiu e no lhe deu escolha.
       -  perfeito para voc - disse a Carly, que concordou mentalmente, mas fez que no com a cabea e o retirou do corpo.
       O evento em Hamptons comearia s quatro da tarde e iria at s oito da noite. Uma casa fora alugada para a ocasio, com grandes gramados e praia particular.
       Carly quis se vestir apropriadamente para a ocasio, pelo fato de ser contratada como apoio e estar representando Lucy. Para isso, teve de concordar em usar
uma das roupas que Ricardo comprara para ela. Calas de linho brancas da marca Chloe com uma blusa de tric em azul e branco que quase mostrava os ombros, sandlias
rasteirinhas, simples, mas caras, na cor bege. E para acomodar toda a documentao que levava, comprara em Nova York uma grande bolsa de palha vermelha, no da Barneys,
onde se limitou a suspirar ao ver o lindo mostrurio de bolsas, mas de uma loja de departamento em liquidao. Duas pulseiras Perspex da moda, seus pequenos brincos
de ouro e seus bons e velhos culos escuros da Oliver Peoples completavam a sua produo. Estava curiosa para ver o que Ricardo vestiria. Ouviu falar que uma variao
do tradicional jeans vermelho desbotado se tornara a marca dos visitantes de Hamptons. Mas ficou impressionada ao ver que ele usava um clssico da roupa casual italiana,
como se quisesse anunciar a sua nacionalidade: uma mistura de branco e bege em algodo e linho - e ele conseguiu se vestir assim sem parecer desleixado ou super
produzido, um feito em si. Ps morenos em sandlias de couro, um toque cru e masculino que a relembrou como era perigosamente msculo - e a deixou muito consciente
da presena dele tambm, admitiu, ao disfarar o impulso de fit-lo.
       Quanto mais tempo passavam juntos, mais era forada a aceitar o quanto ele a excitava. Mesmo agora, sentada ao seu lado em silncio, podia sentir o desejo
crescer no seu corpo e atorment-la. J no dava mais. Por que ela no admitia? Se ele lhe pedisse que fosse a sua cama hoje  noite para fazerem amor at o amanhecer,
ela no recusaria. E por que deveria? Talvez, passasse o resto da vida tentando achar novamente um homem que a fizesse se sentir assim.
       E sexo sem amor era certamente como... como o qu? Como usque sem gua? Puro? Com o seu sabor e fora acentuados por no ser alterado por nada? Por que o
sexo no deveria ser assim? Por que no poderia ser uma experincia pura, intensa e nica?
       O que ela tinha que se perguntar era, se no fosse para a cama com Ricardo, anos depois, ela se elogiaria ou se criticaria? Ela sentiria que ganhou ou que
perdeu? Ela ansiaria por ter a oportunidade novamente ou...?
       O que ela estava tentando fazer? Persuadir-se a ir para a cama com ele? Este papel no seria de Ricardo? Ele parecia capaz de tudo para conseguir o que queria,
fosse uma mulher ou um negcio. Ricardo jogava para ganhar. Se realmente a quisesse, ele a convenceria - e j teria feito isso a essa altura! Como se ela precisasse
ser persuadida!
       Mas por que ela o desejava tanto? No era por causa do seu dinheiro, com certeza. E no era por amor. O amor trazia o risco da dor. Ento, era pelo homem
mesmo? A sensao de aperto dentro de seu corpo revelava a verdade. Todos esses anos acreditando que no se interessava por sexo. Ela sempre disse a si mesma que
nada a induziria a adotar uma atitude casual com o sexo, como tantas mulheres que conhecia e que achava repugnantes. E isso caiu por terra com a fora do seu desejo,
comparvel com uma represa que estoura e inunda o canal seco.
       Ela teve um terrvel impulso de se voltar para Ricardo e pedir que desse meia volta com o helicptero. Para lev-la de volta ao apartamento dele, em Nova
York,  cama dele, para que ela descobrisse o que era mais sensual e ertico, Ricardo ou suas fantasias.
       Quando a balana mudou de lado? Ricardo se perguntou brutalmente ao tentar lutar contra a mensagem de desejo enviada pelo seu corpo. Quando a atrao por
Carly passou a ocupar mais a sua mente do que a compra da Prt a Party? Quando abandonara a regra de nunca deixar o desejo por uma mulher o controlar? Ele no sabia.
Apenas sabia que, ao v-la mais cedo no apartamento, teve de lutar contra a necessidade de abra-la e beij-la at provocar nela a mesma paixo que sentira antes
- at o corpo dela ficar malevel e vido, desejoso do seu toque, e a sua respirao demonstrasse a mesma excitao que a dele.
       Eles j quase chegavam ao destino, podiam ver a pista de pouso. Era tarde para voltarem agora. Hampton do leste. Dinheiro novo e em grande quantidade - pelo
menos era a informao que Carly tinha e foi no que pensou quando um homem bonito, de uniforme, a ajudou a descer do helicptero. Ele vestia bermuda amarelo-canrio
e camisa plo azul berrante, era todo msculos e tinha dentes muito brancos. O que havia nesses homens perfeitos que era to anti-sptico e nada sexy? E foi impresso
ou o sorriso brilhante murchou quando soube que ela estava ali a trabalho? Ao seu lado, Ricardo era recebido efusivamente por uma linda moa, tambm uniformizada.
       Ento, esse era o estilo de entretenimento de negcios em Nova York. Claro que tudo estava muito bem organizado, excelente e profissional - at mesmo nos
       pacotes que receberam ao entrar que, Carly j sabia, continham um mapa da casa e seu jardim, um cronograma dos eventos da tarde e um bilhete para que seus
convidados pudessem retirar a sacola de brindes ao sair, evitando mesas superlotadas e visitantes, insatisfeitos deixando para trs presentes rejeitados.
       Ricardo certamente recebia tratamento de luxo, Carly notou, ao ver a anfitri dele ainda lhe dando ateno, enquanto o seu desaparecera. Ele segurava um copo
de vinho pela metade e afastou o olhar da acompanhante para olhar o fundo da taa.
       Se Ricardo fosse um copo de encorpado e saboroso vinho tinto, ela o beberia em um grande gole e no com goles delicados. Ela sentiria a sua textura, rolando-o
na sua lngua antes de permitir que ele derretesse o corpo dela em lquido de prazer. Inspiraria o seu cheiro acentuado e saborearia o seu gosto almiscarado to
singular. Preencheria todos os seus sentidos com ele, e ento...
       Corada, Carly se esforou para pr os pensamentos em ordem. Ricardo no era vinho, era um homem. E v-lo sorrir para uma moa que estava claramente flertando
com ele, deixou Carly morta de cime.
       Ela estava ali a trabalho, relembrou-se, e depois virou as costas para Ricardo e foi  recepo principal.
       Eles foram os primeiros a chegar e Carly queria verificar com os organizadores do evento de Nova York, e com os clientes, se tudo estava saindo como o planejado.
Garons e garonetes, vestidos em estilo havaiano e camisetas com estampas de capas da revista, j circulavam com bandejas de bebidas. Quando Carly chegou ao pavilho
principal, um guarda a parou e ela lhe mostrou o convite e o crach. Uma vez dentro, encontrou a relaes pblicas da revista, Luella Klein, e a sua equivalente
na produtora de Nova York conversando.
       - Amei as camisetas que aqueles homens esto vestindo! - Luella disse de forma dramtica.
       - Foi idia de Jules - Carly sorriu.
       - Lindo e maneiro. Fizemos as sacolas de brinde com o mesmo tecido!
       Carly balanou a cabea. Usar as capas passadas da revista como tema do evento fora o resultado de uma reunio de criao que tiveram quando foram chamadas
para produzir a festa.
       Para conseguir que o menu fosse organizado nas cores que representam a revista, Carly teve a brilhante idia de chamar uma escola de gourmets para demonstrar
o talento de seus alunos. Ela estava torcendo para que o resultado sasse to bom quanto os pratos que prepararam como exemplos.
       - Pode parecer bobo, mas sempre tive uma queda por italianos
       - Desculpem-me, mas tenho que ir - Carly disse. A moa que passara os ltimos quinze minutos atrs
       da ateno de Ricardo quase furou a grama com o sapato carssimo quando ele a deixou falando sozinha, e foi em direo a Carly -justo uma mulher que conversava
com os fornecedores de comida! Ressentida, ela debochou, pensando que a cala de linho branca de sua concorrente fazia jus s suas pernas longas que, como diriam
os homens, encostavam-se s axilas.
       Carly sorriu em agradecimento  equipe do restaurante, j eram quase nove horas e a maioria dos convidados j havia partido. Os clientes lhe contaram o quanto
estavam satisfeitos com o evento. Soube tambm que a agncia em Nova York certamente contrataria a Prt a Party novamente. Em tudo, um evento de sucesso. Mas, na
opinio de Carly, no foram horas muito excitantes. Mas no estava aqui por beneficio prprio, estava? Carly se lembrou ao despachar os garons e se perguntou quanto
tempo levaria para poder ir embora com Ricardo.
       Dois homens - executivos de uma grande empresa de Relaes Pblicas de Nova York para os quais ela fora apresentada antes - se aproximaram. Ela se forou
a abrir um largo sorriso profissional.
       - Belo evento - um deles disse em aprovao - Harvey achou muito bacana, no achou, Harv?
       - Sim - o outro concordou - muito bacana! Ricardo aumentou a velocidade dos seus passos.
       Toda vez que cedia  necessidade de procurar por Carly durante a festa, ele a via rodeada de homens. No gostava nada disso!
       - Desculpem-me por acabar com a festa - disse ao se aproximar do trio.
       Imediatamente, os outros homens se afastaram, deixando um vazio ao lado de Carly que Ricardo logo preencheu. Ele ficou de p bloqueando os dois homens e qualquer
um que quisesse se aproximar de Carly.
       - J viu tudo que queria? - Carly perguntou feliz. Toda a tarde ela se relembrou que tinha de impressionar Ricardo com as habilidades da Prt a Party para
que ele contratasse a empresa.
       Ricardo ficou tentado a dizer de forma direta que ela era aquilo que ele mais queria ver - preferencialmente nua, na cama dele e com aquele olhar de quem
o deseja loucamente. Em vez disso, balanou a cabea e perguntou:
       - Quando vai poder ir embora?
       Sua colega de Nova York garantira que ela no precisava ficar.
       - Estou pronta para ir.
       - timo, ento vamos.
       Carly no queria se mexer, o corpo de Ricardo estava to prximo dela que se virasse na sua direo, ficariam corpo a corpo... como amantes.
       - O que houve? Est sentindo falta dos seus novos amigos? Quer que eu os chame de volta?
       Em vez de se voltar na direo dele, Carly deu um passo para trs.
       - No, no quero - ela disse baixinho. - E sobre o que est acontecendo comigo, apenas queria no desejar tanto ir para a cama com voc!
       Ela virou as costas para ele e se dirigiu para o heliporto, tremendo por ter lhe dito como se sentia. Seu corpo e sua face queimavam, por razes diferentes.
O rosto queimava de vergonha e o corpo ardia porque o que lhe dissera era verdade.
       Ricardo segurou o seu brao e ficou frente a frente com ela.
       - Isso  uma confisso ou um convite? - ele perguntou suavemente.
       Carly se forou a encar-lo e respondeu calmamente:
       - Os dois!
       Ricardo no se lembrava de quantas mulheres se ofereceram a ele na vida, mas nenhuma admitira o desejo por ele de forma simples e direta.
       - Isso  uma mudana enorme de atitude. O que houve?
       - Eu me dei conta do quanto me arrependeria se morresse sem o conhecer.
       - Sem me conhecer? - a voz dele soou sarcstica. Juntos, andaram para o heliporto.
       - Sem fazer sexo com voc - Carly se corrigiu. - Obviamente no preciso mencionar que  s sexo o que queremos.
       - H menos de vinte e quatro horas voc estava morta de raiva porque lhe comprei roupas, e agora quer ir para a cama comigo?
       - Fiquei furiosa porque pensei que subentenderia que eu poderia ser comprada. Mas escolher livremente transar com voc  algo completamente diferente.
       -  mesmo? No lhe ocorreu que eu ficaria igualmente insultado pela sugesto de que eu precisava comprar uma mulher para dormir comigo? - ele a desafiou.
       Ao falar abertamente sobre o seu desejo, ela o sensibilizou como ningum conseguira antes, e o deixou preocupado com o seu envolvimento emocional. E, ao mesmo
tempo, sentiu-se desafiado quando ela determinou que no se envolveriam emocionalmente. Uma mulher desejava se oferecer fisicamente a ele e no se envolver? No
deveria ter se deleitado com a notcia em vez de ficar indignado? Zombou de si mesmo, despistando. Ele, certamente, no a recusaria.
       Carly queria saber o que ele pensava. Ser que estava chocado com o que ela disse? Desestimulado? Indiferente? Ser que ela deveria ter sido menos direta
e cria do uma oportunidade para ele dar em cima dela se quisesse?
       Ricardo foi falar com a equipe que cuidava dos helicpteros, estacionados longe do heliporto. Ela sentiu a contrao da sua barriga quando ele voltou.
       - Mais cedo eu a observava - ele disse suavemente - imaginando como seria ter suas longas pernas me envolvendo enquanto eu a tomo. Como voc gosta? Diga me!
       Prazer estarrecedor percorreu o seu corpo, prazer: quente, doce e intoxicante. Uma sensao de abertura desejo a deixou tonta e sem ar. Ricardo percebeu que
olhar dela, brilhando em antecipao, estava lhe deixando mais excitado do que pensava possvel.
       - Hora de ir - ele disse, mostrando o helicptero.
       - Voc ficou calada, mudou de idia? - Ricardo provocou Carly ao pousar no prdio de Nova York.
       - Sobre o qu? Ter dito que o desejo? Ou sobre o fato de que o desejo?
       Ser que ela sabia que a melodia de sua voz aumentava o desejo masculino, deixando-o mais excitado? Ricardo se perguntou ao olhar para ela.
       - Qualquer um dos dois.
       Carly fez que no com a cabea. Ela passara a maior parte da viagem olhando disfaradamente para Ricardo, imaginado toc-lo, senti-lo, permitindo que a fantasia
guiasse seus pensamentos.
       Primeiro, ela o tocaria com a ponta dos dedos, passando-os no contorno do seu corpo, depois o acariciaria com as mos para sentir a fora de seus msculos
e a maciez de sua pele. E, finalmente, com a boca e a lngua, exploraria cada parte dele.
       O calor que constantemente percorria o seu corpo estava fervendo agora, ela pulsava por inteiro com a urgncia que sentia no apenas no meio das pernas e
nos seios, mas em todo lugar - nos dedos, nos lbios, em tudo.
       - Eu disse mais do que devia - ela admitiu.
       - Sim - Ricardo acrescentou friamente - voc disse. Os outros homens da sua vida no preferiram tomar a iniciativa?
       Houve um pequeno salto quando o helicptero pousou. Ela esperou em silncio Ricardo descer e vir ajud-la. Acima deles, as estrelas brilhavam no cu escuro,
mas no compeliam com o brilho e a cor dos arranha-cus de Nova York.
       Quando a ajudou a descer do helicptero, as mos dele pareciam frias e remotas. Ele a estava rejeitando? Ser que ela entendera mal, e ele s estava fingindo
que a desejava?
       Ele a soltou e ela no teve outra opo, seno ir na frente em direo  porta. Ricardo a deixou ativar o elevador. Em poucos segundos chegaram  entrada
do apartamento e abriram a porta.
       - Dolores e Rafael esto fora, num evento de famlia - disse a ela.
       Carly balanou a cabea. A decepo lhe causava frio e enjo. Percebeu como era irnico. Se algum lhe descrevesse essa situao, esperaria vergonha e humilhao,
e no a decepo que estava sentindo.
       Passou anos a se dizer que tinha direito a ter orgulho, mas isso no fizera efeito na sua psique como imaginara. Eles estavam no grande salo quadrado. Eram
quase oito horas. Ela deu as costas para Ricardo, preparando-se para uma noite de insnia.
       - Para c.
       O brao de Ricardo se fechou sobre o antebrao dela e, imediatamente, sua pele se eriou.
       O corredor, coberto de pinturas modernistas, era pouco familiar. No fim, havia portas duplas. Ricardo abriu uma delas sem solt-la. Em silncio, ela adentrou
a escurido a sua frente. Ricardo a soltou, e ela ouviu o barulho da porta se fechando.
       Ela o sentiu atrs dela, esperou que ligasse as luzes, mas no escuro mesmo, ele a tomou em seus braos.
       CAPTULO DEZ
       Agora voc pode dizer que me deseja.
       A voz dele soava rouca de desejo. Um tremor de surpresa e deleite explodiu dentro dela. Sentiu-se estremecer de excitao ao ser pega nos braos e ser beijada
com grande apetite sexual.
       A reao dela ao seu toque parecia uma onda gigante a carregar o seu corpo. No tinha nenhuma defesa contra ele e nem queria ter.
       A lngua dele, determinada e exigente, logo se meteu entre seus lbios sem preliminares. O pequeno grito dela de prazer se misturou aos sons dele de necessidade
galopante de satisfazer seu anseio. As mos dele arrancaram sua blusa e puxaram para baixo seu suti.
       Carly gemeu quando Ricardo olhou para os seus mamilos e gemeu mais forte ainda quando ele acariciou um deles com a ponta dos dedos at que estivesse duro
e dolorido de prazer. Sem perceber, Carly encostou na cintura na dele, e fez o mesmo movimento intenso de vai e vem que ele fazia com a lngua entre os seus lbios.
       - No - ele a advertiu - quer que eu perca o controle e a tome aqui?
       Lev-la ao quarto sem toc-la j havia testado o seu controle ao limite. E agora...
       - Quero - disse rapidamente, com a voz embargada - eu quero que me tome quando e onde quiser, mas quero agora mais que nunca, Ricardo, agora!
       Ser que ela se deu conta de como destruiu o seu autocontrole ao gemer e dizer aquelas palavras de anseio?
       - Agora? - ele repetiu.
       Os olhos dele, j acostumados com a escurido, viam a cor clara dos seios dela. Ele tocou os mamilos com os dedos e viu todo o seu corpo estremecer de prazer.
Ele sentiu os msculos da garganta se apertarem. Abaixou a cabea e colocou o seio dela na boca, experimentando a sensao do seio inchado lhe preenchendo a boca,
antes de passar a lngua no seu mamilo. Todo o tempo tentando manter a sanidade, tentando se conter para no rasgar as roupas dela, empurr-la contra a parede e
penetr-la o mais fundo que pudesse.
       Carly ouviu gemidos e demorou a perceber que vinham dela, sentiu-se num escorregador sem conseguir impedir o mergulho no seu prprio prazer. E sem querer
parar.
       Relutante, Ricardo soltou da boca o seu mamilo, e voltou a acarici-lo como os dedos.
       - O que deseja? - ele perguntou suavemente. - Voc tem uma posio favorita? Quer cuidar da camisinha ou quer que eu faa isso?
       Carly olhou para ele e respirou fundo
       - Acho que  o momento de saber que eu no tenho nenhuma experincia - ela disse cuidadosamente.
       - O qu?
       Ela no soube se a aspereza da voz dele veio por raiva ou descrena.
       - O que quer dizer?
       Carly engoliu a seco, e disse com a voz baixa:
       - Na verdade... que eu ainda sou virgem
       - O qu? Est brincando, no est?
       Carly balanou a cabea. Ele a soltou e se afastou, olhando-a por uma eternidade.
       - No consigo entender porque voc ainda  virgem.
       - Na verdade, h vrias razes - Carly respondeu com dignidade. - Primeiro, no houve a oportunidade na hora certa e com o homem certo antes - ela explicou.
       A revelao dela era a ltima coisa que Ricardo esperava. Se ela manteve a sua virgindade at agora, por que estava lhe oferecendo de bandeja? Ser que pensava
que sentiria algum tipo de responsabilidade moral? Ser que era isso? Ou ser que estava preparando alguma armadilha? Ser que usaria chantagem emocional para transformar
a intimidade fsica em algo mais?
       Se ele tivesse algum juzo deveria mand-la de volta para o quarto dela j, mas de alguma forma, parte dele reagiu ao que ouviu com um jorro primitivo de
possesso masculina.
       Ele gostou da exclusividade de ser seu primeiro amante, de saber que a marca da sensualidade que deixaria nela a acompanharia para o resto da vida, e, se
a experincia fosse realmente prazerosa, ela a valorizaria para sempre. Sem contar que no poderia compar-lo com ningum. Ser que ele era to vaidoso assim? To
inseguro? Ricardo sorriu por saber que no.
       - Com certeza, voc no age como uma virgem - ele disse.
       Provavelmente, porque, quando estava perto dele, ela no pensava que era. Na privacidade dos seus pensamentos, ela j tinha ultrapassado os limites da virgindade.
       - Talvez eu devesse ter lhe dito antes - Carly disse.
       Ricardo olhou para ela incrdulo.
       - Voc no acha que ficaria bvio com o tipo de intimidade que eu planejava...
       Ele viu a excitao brilhar nos olhos dela, e se amaldioou por seu corpo responder de imediato.
       - Voc tem certeza que  isso que quer? Um relacionamento que...?
       - Eu no quero um relacionamento, apenas quero fazer sexo com voc.
       - Apenas sexo? - Ricardo questionou, sem saber se acreditava.
       - Sim, mas se voc no quiser... - ela acrescentou com leveza.
       Ningum desafiara Ricardo dessa forma.
       - Voc vai me implorar para eu parar - ele disse com a boca encostada na dela.
       Ele apenas passou de leve os lbios sobre os seus. Um toque de pluma que a faz querer mais. Os lbios dela colaram nos dele, desejando que os abrisse com
a lngua, como fizera antes.
       Um tremor de prazer a tomou quando ele finalmente enfiou a lngua profundamente na maciez da sua boca.
       As mos dele seguraram a sua cabea, e a lngua penetrou mais fundo, enrolando-se na dela. Ela sentiu a batida forte do corao dele contra o seu peito.
       Ele a segurou contra o seu corpo, to prxima que ela podia sentir a sua ereo. E ela queria senti-la. E mais, queria v-la, toc-la e experiment-la em
si.
       Ela se sentiu entontecida e fraca de desejo. Todo o corpo tremia de prazer quando Ricardo segurou os seus seios com as palmas das mos e circulou os mamilos
com a ponta dos dedos. Crculos lentos, delicados que a deixaram louca. Ela inspirou fundo e sentiu uma presso na parte de baixo do corpo. Sem conseguir se conter,
ela tocou a ereo dele, imitando as carcias de Ricardo, fazendo crculos com os dedos na ponta do seu rgo sexual. Depois acariciou todo o contorno da ereo
por cima da roupa dele. Seu pnis parecia grande e grosso. Os dedos dela estremeceram, assim como seu corpo.
       Para a sua surpresa, Ricardo a soltou. Ela o fitou na escurido.
       - Preciso de um banho, e voc vem comigo.
       Ele a pegou pela mo e a levou pela escurido para um closet, acendendo as luzes ao chegar l.
       -  uma sala de banho, ento devemos nos despir aqui mesmo.
       Despir. A boca dela ficou seca. Mas Ricardo se virou para o outro lado e j tirava as roupas. Impressionada, Carly o observava, a curiosidade dela dilatou
suas pupilas e, quando Ricardo a olhou, viu nos seus olhos o brilho do desejo, assim como sentiu a excitao se erigindo com firmeza na base dos seus pelos encaracolados.
       As pernas de Carly ficaram bambas, Com os dedos trmulos, tirou as roupas, hesitando ao chegar na calcinha de seda transparente, que mal cobria o seu sexo.
       Ricardo entrou na sala de banho, e Carly o seguiu.
       Ao toque de um boto, jatos de gua morna em abundncia os molharam.
       - Voc realmente precisa disso? - Ricardo estava na sua frente, com um dedo preso no elstico da calcinha, enquanto o dedo acariciava sensualmente a sua
pele nua. Jorros de prazer percorreram o corpo dela.
       Ele se inclinou e passou a ponta da lngua sobre os seus lbios. Carly deu um suspiro voluptuoso e aproximou o corpo do dele. O toque leve dele percorreu
toda a borda da sua calcinha lentamente e repetidas vezes.
       - Hum...
       Ela podia sentir o fogo crescer no meio das pernas. O dedo de Ricardo escorregou ao lado da calcinha. Ela comeou a tremer. A mo dele foi para trs, abaixando
a calcinha e a retirando do caminho. As pernas dela estavam to moles que mal conseguia levant-las para retirar a pea.
       Meio confusa, comeou a se ensaboar e ficou tensa quando ele disse:
       - Esse  meu trabalho e meu prazer.
       A espuma do sabo fez as mos dele deslizar sensualmente sobre a sua pele: pelos seios, completamente sensveis ao seu toque, pela barriga, onde a sua mo
espalmada a deixou molhada de prazer, pelas ndegas, que ele ensaboou com um movimento longo. Deixou uma mo na parte de trs da sua coxa, enquanto um dos dedos
a acariciava entre as pernas e depois ao longo dos seus lbios vaginais.
       Carly se entregou s carcias, o corpo vibrando de prazer. Levada pelo instinto, segurou-o com a mo, acariciando avidamente toda a extenso do seu rgo
sexual, depois explorou a ponta intumescida da sua ereo "com os dedos. Agora, Ricardo era quem tremia. Depois, ligaram os jatos de gua novamente, que lavaram
a espuma dos seus corpos.
       Ela sempre se achou muito pesada para ser carregada no colo, mas Ricardo, mais uma vez, provou que estava errada, pois, aps sec-la com a toalha, carregou-a
no colo.
       O quarto estava banhado com uma luz suave quando Ricardo a deitou na cama e abaixou a cabea na direo da sua.
       - Ainda quer fazer isso?- ele perguntou encostado nos seus lbios.
       - Sim - ela sussurrou - e voc?
       Pela primeira vez, desde que o conhecera, viu humor verdadeiro nos seus olhos.
       - Meu desejo est totalmente evidente.
       - O meu tambm - Carly disse, com a voz rouca. As mos dele tocaram os seus seios.
       - Voc quer dizer evidente aqui? - ele murmurou, o dedo acariciando o seu mamilo - ou bem aqui? - ele percorreu a extenso do seu sexo, o que a fez gemer
de prazer. A sua excitao continha mil pontos de prazer e parecia que Ricardo havia percorrido cada um deles. Depois, ele acariciou o seu clitris, rtmica e deliberadamente.
       Imediatamente, o corpo dela se contorceu em splica, o olhar fixo no dele. Os olhos de Ricardo brilhavam com o fogo do desejo. Ele beijou o seu pescoo e
depois o colo, deslizando a mo at os cabelos dela e apoiando a parte de trs da sua cabea. Ela j ansiava pela boca dele sobre a sua.
       A garganta dela se apertou, tremores de prazer percorreram o seu corpo quando ele seguiu com a lngua a linha dos seus seios e circulou cada mamilo. Um suspiro
de desejo borbulhou na sua garganta. Os lbios dele se fecharam sobre um mamilo e com a lngua o massageou. Ela ficou ofegante, segurando-o pelos cabelos ao se contorcer
embaixo dele, sem ser capaz de conter os jorros de prazer que a mo e a boca dele provocavam.
       Involuntariamente, as suas pernas se abriram, os msculos do corpo se contraram ao sentir a mo de Ricardo deslizar sobre ela e parar nos cachos que cobriam
o seu sexo. O calor percorreu todo o corpo e se concentrou debaixo da mo dele. O desejo pulsava onde ele a tocava. Ela pensara que sabia o que era teso, mas conhecia
apenas a sua sombra. Aquilo que sentia a tomava e acabava com as suas foras.
       Ela sentiu Ricardo dedilhar a abertura embaixo de I seus plos. Um gemido suplicante saiu de seus lbios e a fez elevar o corpo em direo a ele.
       O fogo em seus olhos cresceu. Mas no tanto quanto o fogo dentro dela. Tremores selvagens de excitao tomaram conta dela quando ele partiu os lbios do seu
sexo e comeou a acarici-la.
       O calor do desejo a preencheu, a cabea caiu sobre o  ;. travesseiro. A cintura dela se balanava freneticamente com o toque do dedo dele ao ser passado em
toda a extenso dela, parando deliberadamente no seu clitris duro.
       Nenhuma mulher se entregava ao prazer com ele daquela forma, Ricardo reconheceu. No sabia se conseguiria controlar a sua prpria excitao por mais tempo.
J Ela estava quente e molhada, os lbios debaixo dos dedos dele se abriam e ofereciam a ele o presente do seu sexo.
       Uma onda de desejo o inundou. Ele no queria apenas senti-la, queria v-la tambm. Carly protestou ao ver Ricardo se mover, mas, para seu alvio, a mo dele
|j continuava sobre o rgo sexual dela e o corpo dele continuava excitado. Mas os seus olhos ainda o questionavam ansiosamente. Ricardo sentou-se e respondeu:
       - Eu quero v-la. Quero ver o seu sexo se inundar de prazer e ficar aberto ao meu toque.
       Ela pensou em impedi-lo, mas mudou de idia quando o sentiu acarici-la novamente. Mas dessa vez... dessa vez ele a acariciou abrindo os seu lbios vaginais,
expondo a parte molhada e rija do seu corpo para o seu olhar e seu toque. A cabea dela caiu para trs e seu corpo foi tomado de imenso prazer. A presso do dedo
dele sobre o seu clitris a fez gritar de excitao. Ele abaixou a cabea e passou a lngua sobre os seus recantos. Por toda a extenso, Carly sentiu um tremor de
deleite enquanto a sua lngua a pressionava e acariciava, provocando sensaes que ela nunca soube que existiam.
       Ricardo no se controlaria por muito mais tempo. Ele notou ao ver seu corpo pulsar e se excitar ao provar o gosto dela. Ele enfiou a lngua na abertura molhada
dela e ouviu um gemido de prazer. Pressionou o clitris com batidas rpidas da lngua e deslizou um dedo lentamente dentro dela. Imediatamente, os msculos dela
se fecharam sobre o seu dedo, causando um impulso selvagem de urgncia em satisfazer o seu desejo masculino.
       Ele sentia o seu pulso forte, suor pingava em sua testa, mas se obrigou a ir devagar. Um dedo, depois dois, esperando que o corpo dela se acomodasse e respondesse
s suas carcias.
       Ela se mexia com urgncia contra ele. O corpo dela excitado e vido ao se impulsionar contra ele.
       Freneticamente, Carly estendeu a mo e tocou o corpo de Ricardo, seus dedos o envolvendo, movendo-se sobre ele.
       Ele era to quente e liso, sua pele deslizava com facilidade e fluidez sobre a ponta da ereo. O corpo dela se contorceu de excitao e prendeu o ar em seus
pulmes em expectativa.
       Ainda a acarici-la, Ricardo a puxou para perto dele, acomodando-se dentro dela lentamente, os msculos dele doam com a presso que exerciam porque no a
penetrou de uma vez. Ao poucos, os msculos dela se fecharam sobre ele, fazendo-o tremer de desejo violentamente. Ele a penetrou mais profundamente, e depois mais
profundamente, enquanto Carly apertava os ombros dele com as unhas - no de dor, mas de anseio por mais.
       Sem se conter, ela disse o que queria, as palavras saam roucas e estremecidas, ao implorar
       - Mais Ricardo, mais fundo - combinando os pedidos e o movimento do seu corpo embaixo do dele.
       - Assim? Quanto mais fundo? Esse tanto?
       Ela arfava com as investidas de Ricardo, levada pelo anseio de ser preenchida por ele e chegar ao clmax.
       - Hum, sim, mais... mais fundo... de novo...
       Os clamores dela soavam para Ricardo como uma msica sensual que se fundia com a respirao dos dois, proporcional  variao do desejo e da satisfao. A
resposta do corpo dela acabou com a sua inteno de permanecer em controle.
       O seu prprio anseio de penetr-la mais fundo e mais forte, possu-la por inteiro, tomou conta dele. As investidas mais poderosas traziam mais prazer a ambos.
E os movimentos dele combinavam com o movimento rtmico das ancas de Carly e com os sons de seu prazer crescente.
       Ela se agarrou a ele, beijando seu pescoo e seus ombros, depois arranhou de leve os seu braos, num xtase de prazer que levou ambos ao limite.
       Era demais para ele. Os msculos do seu pescoo ficaram tensos ao tentar adiar o clmax, mas era tarde demais. O seu corpo j exigia o jorro de prazer.
       Carly murmurou vrias palavras de desejo quando as fortes propulses de Ricardo a levaram ao auge do prazer, o seu corpo de repente se contorceu numa exploso
de contraes do xtase final.
       Chegou ao fim.
       Cuidadosamente, Ricardo rolou para o lado e a abraou.
       Carly ficou deitada junto dele, tentando recuperar o flego, o corpo ainda trmulo. Lgrimas borraram a sua viso, embora no soubesse porque chorava. O prazer
fora maior do que imaginara. Ricardo estava de frente para ela, o seu brao descansava pesado, mas muito docemente, sobre ela, segurando-a perto dele.
       - Voc est bem?
       - Acho que sim - ela disse estremecida - ainda estou tentando voltar ao cho. Eu no sabia que seria to... - ela parou
       - To o qu? - Ricardo perguntou.
       - To intenso. No quando... quando ns no... quando no envolve amor - ela finalmente disse.
       Ela sentiu Ricardo se aproximar, e antes de poder dizer algo, ele a abraou e a beijou, lentamente e muito docemente.
       Eram seis da tarde, e o parque estava silencioso. Ricardo deixou Carly dormindo, saindo de mansinho para no despert-la. Ele acordara vrias vezes durante
a noite, silenciosamente ouvindo a sua respirao e observando-a, ao fazer isso, revivia os momentos de prazer que compartilharam. Tentava entender a relao com
ela.
       Ele j fizera sexo antes e foi bom, mas nunca nada se aproximara da maneira como se sentiu com Carly. A palavra "intenso" foi apropriada para descrever seus
sentimentos. Por qu? Por que o seu corpo, a sua pele, o seu anseio eram to diferentes? Por causa da sua virgindade? No, porque quando fizeram amor novamente de
manh a experincia fora ainda mais intensa. E Carly < deixou claro que no se arrependera. A sua virgindade foi levada em conta, mas no foi a causa dessa diferena.
       Ento, o que acontecera que o fez acordar durante a noite para ver se ela ainda estava l? O que ela tinha que fazia todo o seu corpo se contrair de possesso
com o medo de perd-la?
       Foi a intensidade do prazer que compartilharam? Ou algo nela amolecera o seu corao? Ele no sabia. Mas o que quer que fosse causara uma grande revoluo
na sua cabea. Agora, em vez de pensar em como escapar e tocar a sua vida adiante - como fazia com as aquisies de empresas - ele se perguntava como poderia prolongar
o tempo deles juntos. Olhou para o relgio. Em breve, ela acordaria e queria estar l quando isso acontecesse.
       - Carly?
       Relutantemente, ela abriu os olhos. Acordara uma hora atrs e se perguntou onde Ricardo tinha ido. Depois, tomou banho, escovou os dentes, voltou para a cama
e dormiu profundamente de novo. Ricardo estava sentado ao seu lado, completamente vestido. Ela se levantou com dificuldade e notou com vergonha que estava nua.
       - Precisamos .viajar para a Frana  tarde - Ricardo a relembrou.
       - Ah sim, claro. Eu...
       Ela inspirou brevemente ao ter a boca tomada pelo beijo de Ricardo. Automaticamente se agarrou aos seus ombros e o abraou ao sentir a lngua dele possuindo
a sua boca. O seu corpo j o desejava, atrado por ele como uma mariposa pelo fogo.
       Ele retirou a boca. Ela se alongou sensualmente, ao ver o desejo acender nos olhos dele, enquanto se esbaldava nela com o olhar, apreciando seu brilho caloroso.
As mos dele a acariciaram nos ombros e deslizaram pelas costas, parando na cintura. O dedo moveu-se vagarosamente sobre a sua barriga. Carcias leves, frustrantes
que a fizeram se contorcer em direo a ele, exigindo mais.
       - Tire a minha roupa!
       A ordem soou instvel, como os dedos dela ao tocar a pele dele embaixo da blusa e sentir os seus msculos quentes.
       A tarefa poderia ter sido mais fcil se Ricardo no tivesse atrapalhado ao beij-la e acarici-la enquanto ela tentava terminar. Mas, finalmente, tirou a
blusa dele e foi premiada com a suco firme do seu seio.
       Sensaes a inundaram, doces ondas de prazer. E as carcias da lngua dele e o delicado raspar dos seus dentes sobre o seu mamilo a fizeram implorar por mais.
       No fim, ele mesmo terminou de se despir, tirando as roupas com pressa, e depois a ergueu para posicion-la sobre ele. Percebeu os olhos dela se dilatando
e continuou a observ-la ao acariciar a parte mida do seu corpo.
       Ela gemeu imediatamente, o corpo tenso de desejo. Ricardo se levantou para tocar com a lngua um mamilo, depois o outro. A excitao o tomou quando a luz
da manh iluminou os seios molhados e intumescidos de Carly.
       Ele tocou seu clitris e o massageou de forma rtmica. Carly se contorceu com o seu toque, o anseio por ele escureceu os seus olhos. Ela o segurou com a mo,
posicionou-se sobre ele, e lentamente se afundou sobre ele, fazendo-o penetr-la.
       Ricardo ficou imvel, quase sem respirar, sem resistir ao prazer de ver o corpo dela se abrir e seus msculos o envolver.
       Carly experimentou mover o seu corpo, arfando em contentamento ao sentir excitao. Ela se mexeu novamente, vida e exigente por prazer. Ricardo respondeu
ao seu anseio, segurando-se na sua cintura enquanto ela tomava o controle, deixando-a ter o quanto quisesse dele e, para o seu deleite, ela quis mais.
       Ela gozou rapidamente, violentamente, um pouco antes de Ricardo, numa srie de espasmos intensos que a deixaram sem fora. Ricardo se encarregou de coloc-la
ao seu lado e abraar o seu corpo trmulo com o dele. Os seus braos a envolveram com segurana.
       CAPTULO ONZE
       - Devo ficar no castelo para o caso de algo sair errado.
       Eles chegaram na Frana fazia duas horas. Ainda estavam na Mercedes alugada no aeroporto, quando Ricardo pediu a Carly para ficar com ele na casa que alugara
em vez de no castelo, o local da festa.
       - Se algo sair errado, voc pode chegar l em poucos minutos - garantiu.
       Ele tinha razo, e ela tambm queria estar com ele. Como, em to pouco tempo, pode ficar viciada por ele, sem conseguir suportar a sua ausncia?
       - Como est se sentindo? Est bem? - as perguntas e a doura em sua voz a surpreenderam.
       - Eu... eu estou bem. No acredito que nunca percebi o quanto o sexo pode se tornar uma compulso.
       Ricardo cerrou a sobrancelha. No era o que queria ouvir.
       - No foi apenas sexo para voc, foi? - ele a desafiou.
       Carly no queria olhar para ele. Pontadas de advertncia lhe subiram  cabea, trazendo  tona as suas defesas.
       - Por que voc est dizendo isso?
       - Uma mulher no chega a sua idade ainda virgem a no ser que tenha trauma de sexo, ou queira esperar para se sentir atrada pelo parceiro emocionalmente
tanto quanto sexualmente.
       - No  verdade. A nica razo de no ter feito sexo antes  porque queria evitar um envolvimento emocional, no o contrrio.
       Ricardo percebeu o pnico em sua voz. No importava se soasse fora de moda, mas por instinto, Ricardo achava que ela deveria ter emoes profundas por ele
para ter feito o que fez. Por causa da sua virgindade, a sua lgica masculina no conseguia acreditar que fosse diferente.
       - Seres humanos podem ter emoes, sabe? - disse ironicamente. - Mas suponho que tenha medo de ser vulnervel emocionalmente por causa do que sofreu quando
criana. Seus pais adotivos a rejeitaram e no lhe deram amor.
       Carly era muito inteligente para negar.
       - Posso ter sido uma criana carente, mas no serei uma mulher carente.
       - H uma grande diferena entre ser carente emocionalmente e amar algum.
       - Talvez. Ou como certas pessoas so geneticamente mais vulnerveis ao vcio em drogas, outras, podem ser geneticamente mais vulnerveis s emoes. Eu prefiro
no testar a minha resistncia.
       - Como a sua irm adotiva morreu? A pergunta a pegou de surpresa.
       - Ela era viciada em drogas. Morreu de overdose de herona. Ela comeou a usar drogas na escola. Estava um ano a minha frente e andava com outra turma. Eu...
nunca me interessei. Eu disse a voc que a minha me morreu com outras trs mulheres num incndio. Provavelmente, eram todas viciadas. Eu nunca... Eu no podia...
Eu sei que os meus pais adotivos me culparam pelo vcio da minha irm. Minha me adotiva chegou a dizer isso. Disse que ao me trazer para as suas vidas trouxe tambm
a maldio das drogas.
       - Besteira, eles queriam culpar algum e acharam voc.
       - Talvez, mas ainda me sinto culpada. Eles a amavam, e no a mini, e agora ela est morta. Tudo que lhes restou sou eu. Eu fao o que posso para ajud-los
em retribuio a tudo o que me deram.
       - Tudo o que lhe deram? Como o qu?
       - Uma chance de viver uma vida normal. Minha educao. Sem isso teria acabado na rua me prostituindo, como a minha me provavelmente fez.
       - No - Ricardo disse firmemente. - Voc nunca teria feito isso. De alguma maneira, teria achado uma forma de se libertar.
       Carly sentiu lgrimas inundarem os olhos. Lgrimas de emoo?
       - Quero voc, Carly e no apenas fisicamente. Voc toca as minhas emoes e me enche de deleite. Quando voc no est comigo, sinto a sua falta. Voc se tornou
parte integral do meu prazer na vida, ou da minha felicidade se preferir. Eu queria explorar com voc o que est acontecendo conosco. Confio o suficiente em voc
para lhe dizer isso e declarar que emocionalmente eu tambm estou vulnervel.  realmente to difcil para voc fazer o mesmo?
       - No sei o que dizer - ela admitiu agitada.
       - Ento no diga nada - Ricardo disse - apenas se permita sentir. E quando estamos juntos voc sente, no sente, Carly?
       - Eu... eu sei que quando fazemos sexo eu sinto muito prazer.
       Ela respondeu com exatido, mas no tinha certeza de nada. Apenas em conversar com ele seu corpo latejava de desejo. Parecia que se passara uma vida desde
que transaram, quando, na verdade, foram menos de vinte e quatro horas. Ela j ansiava pela oportunidade de passarem mais tempo a ss. Suas pernas estavam bambas,
e teve que ajustar a postura na cadeira para amenizar a pulsao do desejo dentro dela.
       Sentiu o olhar de Ricardo. Virou-se para ele. Ele sabia o que ela estava sentindo! Ele pegou a mo dela e a ps sobre o seu corpo. Ela no lhe dera a resposta
que queria, mas seria o suficiente por enquanto. Se a reao sexual dela por ele fosse a sua rea de vulnerabilidade, ento teria de usar isso par tentar derrubar
as suas barreiras emocionais.
       Ricardo estava excitado!
       - No - Ricardo disse com o toque de Carly sobre ele -, seno terei de parar. O banco de trs do carro no tem espao suficiente para o que quero fazer com
voc.
       - O que quer fazer? - Carly o encorajou com a voz rouca.
       Ela sentiu a hesitao e o choque em acreditar que poderia ser to desejvel.
       - Quero afastar as suas pernas na minha frente, com o seu corpo nu e vido... como estava na primeira vez. Quero comear pelos ps, tocando cada centmetro,
provando cada centmetro. Quero lhe proporcionar um orgasmo com a mo e a boca, e ver voc gemer de prazer comigo.
       Carly soltou um gemido
       - Pare com isso - ela pediu suavemente. - Eu no consigo...
       - Espere a - ele disse suavemente -, voc acha  que  diferente para mim?
       Sexo sem emoo! Ricardo sabia que estava pensando muito sobre Carly e se entregando demais. Ela no sabia o que era sexo sem emoo, disse a si mesma. Ela
j dissera que estava simplesmente tentando se proteger j para no se magoar como aconteceu na sua infncia. E por causa disso estava se recusando a admitir o quanto
as emoes deles estavam perigosamente envolvidas na relao. Afinal, ela se oferecera completamente como sua mulher, e ele a possura dessa forma.
       Os nmeros nos quais ele estava trabalhando para comprar a Prt a Party estavam sobre a mesa da cafeteria onde eles pararam. Ele olhava para eles, enquanto
Carly estava no banheiro, e j no ligava mais para a compra da empresa. Na verdade, a nica aquisio que queria fazer agora era o direito exclusivo sobre Carly,
preferencialmente, com um contrato permanente e indissolvel de unio.
       Onde estaria ela? Relaxou ao v-la vindo na sua direo. Dois homens em outra mesa a olhavam e, imediatamente, ele quis se levantar para marcar seu territrio.
       - Precisamos passar numa farmcia - ele disse, pedindo a conta com um sinal.
       Quando o olhou preocupada, ele explicou:
       - Camisinhas.
       - Ah! - Carly corou.
       - No que eu pense que haja algum risco de sade para ns dois, mas presumo que voc no esteja protegida contra gravidez, no ?
       - Sim. Quer dizer, no, no estou protegida. Carly confirmou envergonhada. Como poderia ter se esquecido de algo to importante como isso?
       O castelo do roqueiro famoso e sua linda mulher americana ficava no vale do Loire, um dos distritos de vinicultura. Carly j vira fotos do castelo numa matria
sobre o roqueiro e sua famlia, e sabia que sua esposa bem nascida selecionou os melhores restauradores de antiguidades para reformar o castelo e transform-lo numa
casa moderna. Um salo de baile, similar ao de Versalhes, era o destaque do trabalho de restaurao.
       Esse evento era o maior dos trs que acompanharam. Quinhentas celebridades foram convidadas, do mundo da msica, do cinema, da moda e de famlias abastadas.
       Alm do jantar de seis pratos, um menu organizado por um dos chefs mais famosos do mundo, a esposa do roqueiro escolheu ter mgicos andando entre as mesas
e realizando truques. As cores temticas eram creme, dourado e preto. Ela insistiu que as flores no tivessem nenhum perfume porque queria ter a tenda principal
perfumada apenas com velas da sua fragrncia de ambiente favorita.
       A tenda era preta e ornamentada nas cores creme e ouro, as cadeiras de jantar eram creme com fitas pretas, e o cho parecia ter papel de seda dourado amassado
sob vidro.
       A casa que Ricardo alugou ficava numa cidadezinha pitoresca, a alguns quilmetros de distncia do castelo, s margens do rio Loire. Era uma casa de pedra
cor de mel, alta e estreita, em rua de paraleleppedo, com o prprio quintal, e uma varanda no segundo andar com vista para o rio. Na chegada, Madame Bouton os esperava
para se apresentar e explicar que viria todas as manhs para a limpeza e que poderia trazer a comida que quisessem.
       - Que olhar  esse? - Ricardo quis saber quando a Madame se retirou.
       - Estou louca de desejo por voc - Carly disse simplesmente.
       Uma sensao como se tivesse levado um soco no peito o arrebatou. Sentiu emoes desconhecidas que lhe advertiram do perigo. Mas foi s olhar em seus olhos,
ver a sua boca...
       Eles nem chegaram a sair da cozinha. Nem mesmo tiraram toda a roupa. O sexo foi intenso e imediato. As mos de Ricardo a seguraram pelas ndegas, e ele a
ps sobre a mesa. Carly o entrelaou firmemente com as pernas.
       Ela esperou por isso o dia todo - pensando nele, fantasiando, desejando-o - e a sensao da boca dele em seu seio nu a levou a um pico de excitao que pensou
que gozaria instantaneamente.
       Mas, como percebeu, ainda tinha muito a aprender com Ricardo sobre os prazeres do sexo. Muito mais! Ele adiou o clmax at Carly gritar de frustrao, ento,
ele finalmente atendeu aos seus pedidos e a intensidade do orgasmo que se seguiu a deixou lvida e trmula sobre ele.
       Vestida com bermuda jeans, camiseta e chapu para se proteger do sol, Carly ouvia os clientes discutirem o evento.
       - Gostei muito do interior da tenda, mas no estou muito satisfeita com as flores. Acho que quero mud-las - Angelina Forrester lhe informou. - Gosto do efeito
dramtico do preto, talvez pudssemos mudar as toalhas da mesa para a cor creme e as flores para preto. Sabe, um visual oriental. Meio passional e perigoso!
       O corao de Carly se partiu ao pensar nas despesas que tiveram para cumprir a exigncia inicial de Angelina por flores sem perfume.
       - Que inferno, para Angelina faz diferena a cor das flores?
       O roqueiro parecia nervoso, e Carly podia ver um tom rosado de raiva brotar na pele perfeita da sua esposa.
       - E se adicionssemos uma ou duas flores escuras para dar dramaticidade  decorao das mesas? - Carly sugeriu com calma, decidindo que usaria flores artificiais
ou tingidas, caso ela concordasse com a sugesto. No haveria tempo de comprar flores pretas para amanh  noite!
       - Bem... tenho que ver como ficaria... - Angelina hesitou.
       O roqueiro famoso disse com crueza:
       - Tudo isso porque mudou de idia com relao ao seu vestido!
       A colorao rosada da pele de Angelina se escureceu. Discretamente, Carly pediu licena, explicando que tinha que falar com os responsveis pelo entretenimento.
       Com os braos cruzados sobre a blusa preta e com as longas pernas vestidas por cala de algodo, Ricardo estava encostado numa parede a observ-la.
       Ela tinha timas habilidades em administrar pessoas, e era capaz de estabelecer uma ligao verdadeira com quem trabalhava. Tratava a todos com respeito,
e em troca eles estavam sempre prontos a ouvi-la. Mas ele no a queria como funcionria e, sim, permanente e exclusivamente como sua mulher. Admitiu que se apaixonara
completamente por ela.
       Ele ouviu uma exploso de risadas do grupo majoritariamente masculino em volta de Carly e, imediatamente, seus msculos se contraram de cime. Ele estava
no meio do caminho em direo a ela, quando Carly notou sua presena, alertada pelo silncio de todos de que algo estava acontecendo.
       Virou-se e, ao ver Ricardo andando na sua direo, o corao se contraiu de desejo dentro dela, todo o seu corpo se amoleceu com o prazer de apenas v-lo.
       - Pensei que estivesse pronta para o almoo.
       - Sim, estou. Deve ter uma cantina para funcionrios em algum lugar aqui.
       Ricardo balanou a cabea, levou-a pelo brao para longe dos outros, e disse:
       - Aqui no. Pensei num local com mais privacidade.
       Ela sabia que ele podia sentir a acelerao do seu corao porque o dedo dele estava sobre o seu pulso.
       - Sim! - ela disse.
       As roupas deles ficaram abandonadas no cho do quarto - a camisa de Ricardo e a blusa dela, a cala dele e a bermuda dela e as cuecas bsicas dele, o suti
dela e, finalmente, a calcinha de seda com lacinho dos lados que ele lhe dera ontem. Um presente que traria prazer a ambos, ele disse sedutoramente.
       Eles ficaram l, nus, as mos de Ricardo a acariciando aps o momento de luxria com a cpula urgente.
       - Voc est calada - Ricardo murmurou.
       - Estou apenas pensando como isso  perfeito e como estou feliz - Carly admitiu.
       Ricardo olhou para ela e depois envolveu o rosto dela com as mos e a beijou.
       - Ento, voc j admite que temos algo especial, que no  apenas sexo? - ele disse suavemente.
       Ele segurou sua mo e entrelaou os dedos nos seus, : passando-lhe segurana. Ela lutou tanto para admitir o ; que sentia, mas hoje, deitada ali com ele,
sabia que no poderia mais esconder o seu amor.
       - Ricardo, eu... eu... me sinto emocionalmente ligada a voc.
       - Emocionalmente ligada a mim? - Ricardo a questionou, balanando a cabea ao continuar docemente - a palavra" amor"  to difcil de ser dita? Ou voc quer
que eu a diga primeiro?
       Sem esperar pela resposta, ele a beijou suavemente, e disse;
       - Eu-a-amo-Carly - entremeando as palavras com beijos.
       No poderia haver maior felicidade, maior senso de relacionamento, maior conscincia de ser amada, Carly percebeu ao permitir que ele entrasse em seu corao.
       - Ricardo, temos que nos vestir.
       - Por qu?
       - Preciso trabalhar - lembrou a ele, tentando soar convincente.
       - Hmmm...
       Ricardo passou a mo nos seus cabelos e beijou a sua parte sensvel atrs da orelha. Mas, ao se lembrar do trabalho, ela tambm se lembrou de que Nick forjou
a sua assinatura nos cheques.
       - O que saiu errado?
       - Nada est errado. O que o faz pensar assim?
       - Voc est ansiosa e tensa, e est evitando me olhar nos olhos - Ricardo completou com ironia. - E eu pensava que voc tinha me deixado atravessar as suas
barreiras.
       - No tem nada a ver com isso - Carly assegurou.
       - Ento o que ?
       No havia motivo em tentar fingir que no estava preocupada.
       -  algo que no tem a ver comigo, Ricardo.
       - Algo com a empresa? - ele adivinhou. Carly fez que sim com a cabea.
       - Voc  um potencial cliente e... Ele a olhou nos olhos.
       - Achei que j tnhamos ultrapassado tudo isso. O que temos um com o outro vem primeiro do que a nossa lealdade com outras pessoas e outras coisas. Certamente,
voc sabe que pode confiar em mim.
       - Sim.
       - Ento, qual  o problema? Hesitando, ela comeou a explicar.
       - Voc quer dizer que Nick falsificou a sua assinatura para roubar da prpria mulher? - disse sem acreditar.
       - No sei se foi por isso, mas parece que sim. Estou muito preocupada com o que devo fazer. Se eu contar a Lucy, ela ficar magoada e, talvez, no acredite
em mim. Entrei em contato com o banco e pedi para no autorizarem mais nenhum cheque, isso deve impedi-lo de retirar mais dinheiro.
       - Quanto ele retirou?
       - Muito. Na verdade, tanto que a empresa no ser vivel at o fim do ano, a no ser que Lucy compense pelo que foi tirado com seu dinheiro.
       - Ento, at l a empresa  uma presa fcil para qualquer predador  espreita?
       - Bem, suponho que sim. Embora no tivesse pensado nisso - Carly admitiu. - A minha preocupao  com Lucy e como isso vai afet-la.
       - Bem, voc fez o que podia at agora. Se eu fosse voc, esqueceria isso at ns voltarmos a Londres.
       Estranho como a pequena palavra " ns" podia significar tanto, Carly pensou, ao ser abraada novamente por Ricardo.
       Ricardo sentiu os seus msculos do estmago se contrarem ao perceber os mamilos de Carly responderem  carcia lenta da ponta do seu dedo. Ele podia ver
os msculos da barriga dela se tensionarem, e a maneira familiar como isso abria o caminho para o seu sexo.
       Carly fechou os olhos e se entregou ao que sentia, tentando se segurar ao prazer como uma criana tenta tocar o arco-ris. Ela levantou a cabea e beijou
o pescoo de Ricardo, passando a lngua sobre ele at a ponta da orelha.
       Eles fizeram amor uma vez, mas no foi o suficiente. Ela sussurrou para Ricardo que queria mais, a sua voz cheia de prazer e desejo, o seu corpo trmulo de
expectativa. No momento em que ele a tocou, ela afastou as pernas num convite vido e depois murmurou em apreciao quando Ricardo separou os lbios do seu sexo
com os dedos e comeou a acarici-la.
       - E o que me diz disso? - ele perguntou, colocando-a sobre ele com a boca entre as pernas dela. O corao de Carly bateu forte contra o peito. Ela queria
mas no tinha ousado pedir aquele tipo de intimidade. Mas agora, com ele debaixo dela, explorando o centro mido do seu corpo e segurando-o aberto para percorr-lo
por completo com a lngua, ela s podia tremer de prazer.
       A lngua dele pressionou contra o seu clitris, deixando-o quente e inchado de prazer, enquanto os seus dedos penetravam nela, encontrando um ponto de prazer
que ainda no conhecia.
       Sem conseguir se conter, estendeu a mo para toc-lo, circulando a cabea do rgo sexual dele com a lngua, enquanto os seus dedos acariciavam a extenso
da sua ereo. Ousadamente, com os dedos da mo livre, ela tocava mais embaixo.
       Ela ouvia seus gemidos, todo o corpo dele se contraiu, e essa resposta a deixou mais excitada. Ela podia sentir as batidas vigorosas nela, os dedos dele dentro
dela a levaram ao orgasmo de forma intensa e imediata.
       O corpo dela ainda estava formigando e tremendo, quando ele mudou de posio e a penetrou intensamente. Imediatamente, os msculos dela o envolveram, e as
pequenas ondas de prazer se tornaram grandes contraes incontrolveis.
       - Eu o amo tanto - Carly sussurrou, deitada nos braos de Ricardo. - Nunca pensei que pudesse me sentir assim. Recebendo amor e amando tanto e muito, muito
feliz.
       CAPTULO DOZE
       Carly entrou na casa com um sorriso. Era hora do almoo e o baile comearia em breve. Deveria estar disponvel para resolver qualquer problema na festa do
castelo, mas, em vez disso se rendeu  sugesto de Ricardo de passarem mais algumas horas juntos.
       Ricardo foi estacionar o carro, prometendo que voltaria em breve. Qualquer momento longe dele agora era tempo demais, pensou ao pr o po que compraram na
mesa da cozinha.
       Sem se conter, entrou no quarto que Ricardo usava para trabalhar. O que acontecia com os apaixonados que tinham tamanha compulso de compartilhar o espao
pessoal um do outro? Ela se tornara to sensvel a tudo dele que tinha certeza que podia sentir o calor de seu corpo no ar. Rindo de si mesma, passou a mo na cadeira
onde ele normalmente se sentava. Havia papis sobre a mesa, e ela ficou olhando para eles de forma ausente at ver a letra dele. E, ento, ela se deu conta do que
estava vendo. Ficou tensa e pegou o papel para ler mais de perto, enquanto seu corao batia descompassado anunciando a morte do seu amor.
       Ricardo cerrou as sobrancelhas ao notar o silncio na casa. Chamou por Carly, que desceu  sala, mas esperou que ele entrasse no outro cmodo antes de confront-lo.
       Com os papis ainda nas mos como um escudo, ela o acusou amargamente:
       - Voc mentiu sobre ser um potencial cliente da Prt a Party. Voc no quer nos contratar, voc quer nos comprar.
       - Eu estava considerando essa hiptese, sim - Ricardo concordou, no mesmo tom.
       - Voc me usou! Voc me enganou deliberadamente com as perguntas que fez! - A voz dela estava alterada e acusatria, os olhos arregalados no rosto empalidecido.
       - As nicas perguntas que fiz foram as mesmas que qualquer pessoa que quisesse contratar a Prt a Party faria.
       - Voc fingiu me querer... me amar... porque...
       - No Carly, voc no deve pensar assim. Quando ele se aproximou, ela recuou.
       - Sim, originalmente, planejei tirar o mximo de informaes de voc sobre a empresa, isso  uma prtica comum de negcios, mas...
       - Voc me chamou de caa-nqueis. Mas isso nem se compara ao que voc . Voc me usou. Voc me fez crer que me amava, quando o tempo todo o que queria era
a empresa.
       - Carly isso no  verdade. A potencial compra da Prt a Party, e o meu amor por voc so coisas completamente diferentes, sim, de incio eu pensei em conhecer
as vulnerabilidades da empresa atravs de voc, mas eu lhe garanto que isso era a ltima coisa na minha mente quando nos apaixonamos. E na verdade, por causa disso,
eu...
       - No acredito em voc - Carly o cortou - pensei que podia confiar em voc. Seno no teria lhe contado nada sobre Lucy e Nick. Eu facilitei tudo para voc,
no foi? Por causa da minha estupidez, a Lucy vai perder a empresa. Todo esse tempo, pensei que voc era verdadeiro, que se importava comigo, mas tudo o que queria
era a Prt a Party.
       - No  assim. Quando me confidenciou aquilo foi como seu amante, e posso garantir que pode confiar em mim...
       - Confiar em voc - Carly o interrompeu furiosamente. - Como? Voc perdeu toda a minha confiana, Ricardo. Voc sabe como foi difcil para eu admitir que
o amava, mas voc no se preocupou comigo, no ? Desde que conseguisse o que queria. E voc me queria vulnervel. A nica coisa que lhe preocupa  ganhar seu prximo
bilho, nada mais. Eu o odeio pelo que fez comigo e mais ainda pelo que vai fazer com Lucy.
       - Carly, voc est enganada. Pensei em comprar a Prt a Party, mas quando a conheci a nica aquisio que queria era o seu amor.
       Os msculos dela doam de tenso. E mesmo sabendo que ele mentia, era incrvel como ela queria acreditar nele. No era -toa o seu medo do amor, se isso era
o que esse sentimento fazia s pessoas. Como ela ainda desejava-o sabendo o que fizera?
       - Voc est mentindo, Ricardo - ela disse. - Se no estivesse planejando a aquisio, por que aqueles papis estavam sobre a sua mesa?
       - Estava estudando a melhor maneira de faz-la parar de se preocupar com a Lucy - ele disse suavemente.
       Carly lhe deu um sorriso cnico:
       - Claro e, sem dvida, pensou que a melhor maneira de fazer isso era atravs da compra da empresa. Voc pode ter me feito de boba, Ricardo, mas no pretendo
continuar assim.
       - Voc est entendendo tudo errado. Mas posso ver que agora voc est muito triste para ouvir a voz da razo...
       - Ouvir a voz da razo? Ou ouvir mais mentiras? Voc traiu a minha confiana!
       Carly podia sentir a angstia na sua prpria voz, entregando o quanto ela estava magoada e o quanto ela o amava.
       - A confiana tem de ser recproca, Carly. Confiei que voc teria f em mim e no meu amor por voc. Aqueles papis estavam na minha mesa porque estava tentando
ajudar a Lucy, sem beneficiar o maldito marido dela. Estava fazendo isso por voc. Porque a amo, e vi como voc estava triste e preocupada com essa situao.
       Carly olhava para ele em total descrena,
       - Voc ainda espera que eu acredite nisso - disse com desdm.
       - Por que no?  a verdade. E se voc me amasse, confiaria em mim e aceitaria isso.
       Lgrimas ardiam nos olhos e a garganta se apertou de dor. Esse era o pior tipo de chantagem emocional e sangue frio, e ela no cairia nessa de novo.
       - Ento, obviamente eu no o amo - ela disse, espertamente - porque eu no confio em voc e no aceito isso. Por que qualquer mulher deveria confiar no que
um homem diz? Veja a forma como Nick enganou a Lucy. Acabou, Ricardo, e teria sido melhor para mim se nunca tivesse comeado.
       Carly olhou para o espelho, desolada. Detestava o fato do vestido que usaria na festa ter sido comprado por Ricardo na Barneys. Bem, depois daquela noite,
poderia ficar com tudo que lhe dera. Incluindo o seu corao?
       Ela estava muito perto de perder o controle, advertiu-se, e no podia fazer isso. Ainda tinha um trabalho a realizar, afinal. O dia havia sido muito longo.
Felizmente, ela conseguiu a aprovao de Angelina para as flores, mesmo com o florista furioso pela mudana de planos repentina.
       Os convidados que chegaram cedo comearam a aparecer no castelo, querendo ver a decorao da tenda e exigindo saber de antemo onde se sentariam para o jantar.
       Pessoalmente, Carly achou que Angelina ou um de seus assistentes deveria lidar com isso, mas a banda de rock do marido havia chegado, e isso ocasionou uma
festa improvisada.
       - Posso apostar que  tudo sexo, drogas e rock'n'roll por aqui, - Um dos contratados para o entretenimento disse a Carly secamente, apontando com a cabea
o castelo.
       Discreta, Carly no respondeu. Mas sabia que a revista que cobriria o evento contratara jornalistas especiais com direito exclusivo de reportagem para proteger
os convidados de qualquer intrometimento da imprensa rival.
       Por fora, Carly se conduzia calma e profissionalmente, por dentro passava por um tumulto emocional. Ricardo a usara e, mesmo sabendo o que deveria fazer em
prol .do amor-prprio, ainda o desejava. Se lhe fosse dada a chance, preferiria no ter visto aqueles papis. Como ainda podia am-lo? No sabia, mas a nica coisa
clara era que o amava.
       Ela levou as suas coisas para um quarto separado, e teria sado da casa se pudesse. Como parecia impossvel conseguir um txi, teria de ir para a festa com
Ricardo. Ela no sabia como agentaria, mas seria obrigada a isso.
       Ricardo esperava por Carly no andar de baixo. Ela teria idia de como ele se sentia aps tudo o que ouvira? Ela realmente achava que a vulnerabilidade e dor
estavam apenas do lado dela? Machucava-o pensar que a magoara, mas tambm se ressentiu por ela no ter aceitado suas explicaes.
       Viu a porta do quarto se abrir e Carly descer na direo dele. Ela estava to linda que sua garganta se fechou ao v-la. O rosto de Carly estava plido e
triste, parecia que estivera chorando. Ele queria se aproximar, peg-la em seus braos e no solt-la nunca mais, mas sabia que o rejeitaria.
       Finalmente, os convidados acabaram de jantar. A qualquer momento, a dana comearia. A cabea de Carly doa, ela estava ansiosa pelo fim da festa. No agentava
olhar para Ricardo. Eles estavam sentados numa mesa perto da entrada. Ela no poderia danar porque estava ali como funcionria e no como convidada, mas tambm
no arriscaria danar com ele no seu estado vulnervel.
       Os seus sentimentos eram as dores da morte do seu amor por ele, ela se garantiu. Apenas se sentia assim porque sabia que depois daquela noite nunca mais o
veria. Sentiria falta do sexo com ele, apenas isso. Ela se levantou da mesa e disse: J- Preciso verificar se a equipe do bar tem tudo o que precisa.
       Ele mostrou que escutou com a cabea, mas no respondeu com palavras. Ela adiou a volta ao mximo, esperando que quando retornasse Ricardo j tivesse ido
embora, entretanto, quando retomou, a primeira coisa que fez foi procurar ansiosamente por ele, como se estivesse com medo que no estivesse mais l. Como poderia
passar o resto da vida sem ele?
       - Os fogos vo comear - Ricardo disse, antes de Carly se sentar.
       Na finalizao da festa, uma queima de fogos de artifcio fora sincronizada com a msica mais famosa da banda de rock, e a julgar pela recepo calorosa do
pblico, valeu a pena o tempo gasto com a organizao do evento.
       Carly assistiu  queima dos fogos atravs dos olhos embaados de lgrimas, imvel ao lado de Ricardo, louca para toc-lo, mas se recusando a isso.
       Apesar do que ele fez, ainda o amava, e a dor por ter sentimentos por ele era to grande quanto a que ele lhe causara. Eram quase quatro da manh quando ela
foi embora, mas no voltaria para a casa que compartilhara com Ricardo, ela combinou com um dos fornecedores de ir com ele direto para Paris, e de l pegaria um
vo para Londres.
       Ela trouxera o passaporte e as roupas -- as que comprara com o seu dinheiro -j estavam na caminhonete do fornecedor.
       Talvez, aquela fosse uma maneira covarde de ir embora, mas no confiaria em si mesma para passar mais uma noite com ele. Tinha que ter um pouco de orgulho,
disse a si mesma com firmeza, mesmo que ele tivesse lhe tomado todo o resto.
       CAPTULO TREZE
       Regressara a Londres h trs dias, e ainda no se persuadira a ir ao escritrio. Oficialmente, ela estava tirando uns dias de folga. Mas a realidade era que
se sentia muito deprimida para sair do quarto. Felizmente, Jules estava fora, e ela tinha o apartamento inteiro para si. Entretanto, hoje precisava sair porque tinha
uma reunio com Marcus.
       Mesmo sofrendo com a traio de Ricardo, ela devia satisfaes a Lucy, ento, reunira toda a sua coragem e entrara em contato com Marcus para lhe dizer que
tinha certas preocupaes com questes financeiras da empresa que, naquele momento, no queria discutir direta-mente com Lucy. Como o contatara por e-mail, imediatamente
ele respondeu, pedindo que fosse se encontrar com ele.
       A primeira coisa que notou quando abandonou o conforto do seu moletom foi como a sua cala jeans estava folgada. Verdade seja dita, no tivera muita vontade
de comer. Mas ao ver a pele plida, o rosto chupado e os olhos encobertos de mgoa, notou que no era apenas a falta de comida a responsvel por sua aparncia alterada.
Mas no havia nada que aliviasse a ausncia de Ricardo, havia? S ela sabia quanto ainda o queria, apesar do que ele fizera.
       O amor no tinha senso de ultraje, como descobrira. E uma vez que esse sentimento ganhara vida no poderia ser facilmente destrudo. Ela tentara se concentrar
em todas as razes para no amar Ricardo, mas com rebeldia, seus pensamentos permaneceram mais tempo na felicidade que sentiu antes de descobrir a verdade. Talvez
tenha sido uma falsa felicidade, mas seu corao no queria se desfazer dela, pelo contrrio, queria retornar a ela, assim como o seu corpo queria voltar ao encontro
de Ricardo.
       Pegou um txi e foi ao endereo que Marcus lhe deu. Surpreendeu-se ao ver que o local da reunio no era um prdio comercial, mas uma casa elegante em um
dos condomnios chiques de Londres.
       Ficou ainda mais surpresa quando o prprio Marcus abriu a porta para ela e a levou para um escritrio repleto de livros na estante.
       - Voc deve estar achando estranho que eu tenha! entrado em contato com voc em particular - Carly comeou, aps recusar uma xcara de caf. Ela j estava
to no seu limite que no sentiu necessidade do efeito da  cafena.
       - No fiquei - Marcus garantiu - na verdade... Ele fez uma pausa, e a olhou pensativamente.
       - Acho que tenho uma boa noo do porqu voc queria me ver, Carly.
       - Voc tem?
       - Ricardo esteve em contato comigo. Ele me disse  que, provavelmente, voc falaria comigo.
       Carly sentiu seu rosto queimar de emoo. Ela no entendeu porque Ricardo entrara em contato com Marcus, mas ao ouvir seu nome, sentiu tanto a sua falta que
no conseguia nem pensar, quanto mais falar. Mas precisava falar:
       - Marcus, o Ricardo est pensando em adquirir a Prt a Party e, talvez, eu tenha facilitado tudo para ele conseguir a empresa por um preo mais baixo. Sabe...
       - Carly, o Ricardo no pretende comprar a empresa. Na verdade, quando ele me ligou, deixou claro que embora num determinado momento tenha considerado isso,
a relao com voc o fez mudar de idia. Ele tambm me contou que voc estava preocupada sobre o papel de Nick na empresa, especificamente com relao a questes
financeiras, e que talvez fosse uma boa idia que eu, como administrador do patrimnio de Lucy, averiguasse isso.
       Carly mal podia ouvir o que ele estava dizendo.
       - Mas no  verdade - ela protestou - ele...
       - Posso lhe assegurar que  verdade. Ricardo ainda me disse que por causa da sua preocupao com Lucy e a empresa, ele gostaria de saber se, de alguma forma
e sem ningum saber, ele poderia entrar com uma ajuda discreta, com o potencial uso dos servios da Prt a Party, enquanto eu lido com as questes pertinentes ao
dinheiro de Lucy. Concordamos que pensaramos mais sobre as possveis solues para o problema. Nesse ponto eu tive a impresso que voc e ele...
       Marcus fez uma pausa quando Carly fez um pequeno som de agonia e depois continuou:
       - Entretanto, quando ele me ligou para dizer que provavelmente voc viria me ver, no mencionou a relao de vocs, mas me pediu para lhe dar isso.
       Carly estava muito ocupada tentando entender tudo o | que Marcus lhe dissera. No abriu a caixa pequena e h bem embrulhada que Marcus lhe entregara. Havia
uma pergunta que ela tinha que fazer:
       - Quando... quando exatamente Ricardo lhe telefonou?
       Marcus cerrou as sobrancelhas.
       - Deixe-me ver.
       Ele abriu uma grande agenda de mesa de couro e a folheou
       - Sim, aqui est...
       Ricardo falara com Marcus antes que ela tivesse visto os papis sobre a mesa. Ele falara com Marcus sobre a sua preocupao com ela e comunicara a deciso
de no adquirir a empresa por causa da relao deles. E ela o acusara de tra-la!
       J estava no txi que Marcus insistira em chamar, quando se lembrou do pacote que recebera. Trmula, ela o retirou da bolsa e o abriu. Dentro da caixinha
estava o seu relgio Cartier.
       Carly tentou v-lo atravs das lgrimas que escorriam dos seus olhos, e notou um bilhete de Ricardo que dizia:
       Voc partiu antes que eu pudesse lhe devolver isso.
       Nada mais. Apenas isso. Nenhuma palavra de amor. Mas no carto havia um endereo em Londres e um nmero de telefone, escritos  mo.
       No incio, ele a julgou mal, mas isso no a impedira de se apaixonar por ele. Depois ela o julgou mal. O amor deles seria forte o suficiente para agentar
isso?
       S havia uma maneira de descobrir.
       Carly avisou o motorista de txi que mudara de idia, e lhe entregou o endereo de Ricardo.
       Chegou ao jardim da majestosa casa de terrao georgiano. Tentava se lembrar das palavras que ensaiara no caminho. Palavras que lhe diriam o quanto ela o amava,
o quanto ela queria ter confiado nele. Ser que ele a ouviria?
       Esforou-se para no ceder  mistura de ansiedade com esperana e saudade que tomava conta do seu corpo. Carly subiu as escadas at a imponente porta preta
e tocou  campainha. Segundos se passaram sem nenhuma resposta. A rua estava vazia. Assim como a casa? Ser que por causa dos seus sentimentos interpretara mal o
bilhete de Ricardo? Deveria tocar a campainha novamente? Era uma casa enorme e, talvez, no a ouviram da primeira vez. Disse a si mesma. Mas ela apertou a campainha
mais uma vez, e esperou enquanto o corao batia forte e a esperana se esvaia.
       No havia sentido em tocar novamente. Carly desceu os degraus, sem notar que no enxergava bem porque estava chorando, sem notar tambm o txi que virou a
esquina cantando os pneus at parar a alguns metros f dela, lhe causando surpresa.
       - Carly!
       No acreditou ao ver Ricardo sair do txi e vir imediatamente em sua direo.
       O txi deu r e foi embora, mas ela nem notou. Caiu nos braos de Ricardo, e ele a beijou com a paixo que lhe fez falta desde que o deixou.
       - Venha, vamos entrar - ele disse com a voz rouca,  e os braos em volta dela ao gui-la escada acima.
       - Ricardo, voc precisa me desculpar por no ter  acreditado em voc. Eu...
       - Shhhh - ele disse docemente ao abrir a porta e lev-la para dentro.
       Partculas de poeira danavam sob a luz do sol que entrava pela clarabia, e uma impressionante escada se erguia do cho de cermica preta e branca. Mas Carly
| no notou a elegncia dos seus arredores, com o olhar fixo em Ricardo. Como pensara que pudesse viver sem ele?
       - Voc comprou o meu relgio de volta - ela sussurrou emocionada - e disse a Marcus que no ia adquirir a empresa por minha causa.
       - Eu sabia que voc se preocuparia com Lucy se eu comprasse a empresa. Saiba que sua felicidade e paz de esprito so mais importantes para mim do que qualquer
negcio. Aqueles papis que voc viu estavam na minha mesa porque notei o quanto ficou triste com relao a Nick e os cheques. Como conheo o Marcus, achei que valeria
a pena entrar em contato com ele para ver se poderamos fazer alguma coisa para pr a sua mente em paz. Pensei que como ele  o administrador do patrimnio de Lucy,
ele iria proteg-la assim como eu quero proteger voc.
       - E eu o acusei de tentar me usar. Fico surpresa que ainda queira me ver.
       - Bem, no deveria ficar. O amor real e verdadeiro, como  o nosso,  mais forte do que o orgulho, como voc comprovou ao vir aqui atrs de mim. Agora, o
Marcus lhe contou que vou contratar a Prt a Party?
       - O qu? - Carly disse - Bem, sim...
       - Tenho muitos eventos em mente para a empresa, mas o primeiro e mais importante deles ser o nosso casamento.
       Carly olhou para ele.
       - Voc quer se casar comigo? Ricardo disse sim com a cabea.
       - Quero que a gente se case. Quero que seja a minha mulher e a me dos meus filhos. Voc  a minha alma gmea, Carly, e a minha vida no tem valor sem voc
ao meu lado... Mas essa no era a maneira como eu queria propor a voc.
       - No ?
       - No, eu queria algo mais romntico, que pudesse compensar toda a infelicidade que voc teve na vida e lhe mostrar o quanto eu a amo - um quarto cheio de
rosas, talvez ou...
       Carly encostou os dedos nos lbios dele.
       - No preciso disso, Ricardo. Tudo o que quero  voc e seu corao cheio de amor por mim.
       - Sempre - ele disse a Carly suavemente, antes de beij-la.
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Penny Jordan                No Calor da Paixo




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